A Importância da Filosofia como um Caminho Viável no Diálogo entre Fé e Razão

A humanidade enfrenta inúmeros desafios existenciais desde uma fragmentação da cultura, o fim do sujeito, um capitalismo selvagem, perca do sentido da vida e a dialética da secularização que contribuem para a falta de humanidade e um consumismo exacerbado que torna o homem um “ser” sem perspectivas e altamente nocivo ao que foi conquistado até hoje pelas gerações passadas.

Com certeza, o desafio que se tem pela frente é integrar a fé aos passos já dados pela razão no quesito de conhecimento e novas conquistas tecnológicas, porque a filosofia e a teologia são áreas que não devem ser opostas. É importante que elas se complementem para auxiliar o indivíduo na sua busca incessante pela verdade.

Para Karol Wojtyla, a fé e a razão são duas asas que proporcionam ao espírito humano contemplar a verdade, e garantem em contrapartida a liberdade. Desta maneira, pode-se dizer que a verdade é o ponto de encontro entre a fé e a razão, já que cada indivíduo é formado pela verdade encontrada em Deus e personificada na cruz de Jesus de Nazaré, ou seja, encontrar a verdade é se defrontar com o Bem Supremo.

O coração do homem tem sede da verdade, e esta verdade assusta as pessoas porque exige compromisso, assim podemos retratar que todo homem é um ser filosófico e que passa toda a vida almejando uma verdade que dê sentido a sua existência. A fé é uma atitude racional na vida da humanidade, no entanto, essa mesma fé dá asas ao homem e a razão lhe concede os pés para a jornada terrestre.

Já para os cristãos, Cristo é a fonte da verdade, quando realmente se tem um encontro pessoal com Ele, a cruz é o único consolo; sem a razão, a religião seria a repetição de atos supersticiosos, tornando assim uma força necessária para encontrar a verdade e permanecer nela.

A verdade revelada na cruz gera nos cristãos a garantia da eternidade, porém, a verdade sem amor é oca e o amor sem verdade se torna falso, assim a razão nos impulsiona a enfrentar os problemas do homem, já a fé nos dá ânimo e perseverança para resolvê-los, a verdade só é revelada quando a fé propõe e a razão constata. A paixão pela verdade impulsiona nossa vida para dentro de nós mesmos, sem o autoconhecimento jamais descobriremos o verdadeiro sentido da vida, com isso, o caminho do homem a ser percorrido passa por duas vias que é a fé e a razão.

Através da fé comunga-se com Cristo os mistérios de Deus, e a partir da razão colocam-se em prática as exigências desse seguimento, porque na fé o homem encontra confiança e na razão se depara com a liberdade. Se por um lado a razão busca respostas para a humanidade de onde e como viemos, a fé apresenta para onde iremos, já que o ser humano só alcança o pleno sentido da vida quando pelos olhos da fé caminha racionalmente pelo mundo.

A etapa da filosofia na formação dos sacerdotes é um caminho de discipulado, pois é nessa fase que o indivíduo se torna um missionário do Evangelho, pois segundo a nova Ratio Fundamentalis – o estar com Cristo torna-se um caminho pedagógico-espiritual, que transforma a existência e permite tornar-se testemunha do Seu amor no mundo. Hoje se faz necessário alcançar na formação dos novos padres um grau de maturidade humana e vocacional conquistado em cada etapa do processo.

O Magistério da Igreja reafirma que cuidar do nascimento, discernimento e acompanhamento das vocações, em particular, das vocações ao sacerdócio é uma missão imprescindível. Assim, onde há vida, fervor, paixão de levar Cristo aos outros, surgem vocações genuínas.

Mesmo diante de um mundo hostil a fé cristã a vocação ao sacerdócio está radicada e encontra a sua razão de ser em Deus, no seu desígnio de amor. Desta forma, o grande desafio hoje é a partir dos estudos filosóficos, dialogar com o mundo globalizado e/ou secularizado anunciando com competência o Evangelho para responder aos enigmas existenciais do mundo atual.

A vocação metafísica do filosofar deve auxiliar os futuros pastores no contato com o coração da cultura dos povos, almejando capacitá-los para discernir a verdade e indicar um caminho seguro de fé. Assim a formação intelectual está profundamente ligada à dimensão humana e espiritual do candidato ao sacerdócio, ao qual a busca pela sabedoria deve configurar o sujeito num caminho que o oriente para o conhecimento e a adesão a Deus.

Para São Boaventura, ninguém pense que lhe baste a leitura sem a unção, a especulação sem a devoção, a busca sem o assombro, a observação sem a exultação, a atividade sem a piedade, a ciência sem a caridade, a inteligência sem a humildade, o estudo sem a graça divina, a investigação sem a sabedoria da inspiração divina.

Vale ressaltar que na atualidade a filosofia toma um lugar importante na formação dos futuros presbíteros, porque não se pode negligenciar a razão e o diálogo com o mundo secularizado, porque sem reflexão e questionamentos sobre si, sobre o mundo e a estrutura eclesiástica não vale a pena viver. Sem essa participação da filosofia no amadurecimento da fé e da formação sacerdotal, o processo formativo se torna frágil e superficial, sem dizer que muitas vezes pode se torna supersticioso.

  Ao falar de fé e razão, não é apenas a formação de padres que está em jogo, a cultura contemporânea requer de cada um de nós – honestidade e franqueza, necessitamos de uma nova linguagem religiosa, ou seja, uma ética universal que transmita a postura humana fundamental para os inúmeros desafios que estão diante da humanidade e da Igreja. O ser humano se tornou escravo de suas necessidades de consumo, perdendo assim o contato com a realidade e o sagrado, sem dizer que como enfrentaremos o vazio espiritual que cresce na sociedade secular moderna.

Resta-nos destacar que ressignificar a dimensão sagrada da vida é um caminho, onde fé e razão se unem para dar um novo sentido à história de cada sujeito que se sente em crise ou que está alienado, almejando saber sobre o passado, entender o presente e vislumbrar o que pode conter o futuro.

Por fim, pode-se dizer que um diálogo sincero e autêntico entre fé e razão, filosofia e teologia, fé – ciência e as novas tecnologias são importantíssimas para dar respostas ou mostrar vias que a espécie humana possa redescobrir a beleza da vida e consiga resolver a crise existencial que toma conta de toda a humanidade, sem essa reflexão sobre o que é importante na formação dos futuros sacerdotes da Igreja Católica o futuro está comprometido, já que é imprescindível o diálogo e principalmente o preparo para conviver e se relacionar com uma era neopagã ou pós-moderna como vemos se instalar a nossa frente.

Autor: João Carlos Dantas, estudante do 2° ano do Curso de Filosofia.

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