O problema da fecundação artificial e a clonagem humana | Série: A família cristã como nova criatura

A Sagrada Escritura e a Sagrada Tradição, trazendo o exemplo de numerosos matrimônios felizes, que inicialmente eram estéreis – Abraão e Sara, Jacó e Raquel, Elcan e Ana, Zacarias e Isabel, Joaquim e Ana – nos ensinam que o nascimento de um filho é sempre um dom de Deus, que deve ser pedido em oração.

Muitos matrimônios vivem o drama da infecundidade como drama, desafio, ou como perda, impossibilidade de realizar-se plenamente. Os hodiernos recursos técnicos na área da biomedicina oferecem ao casal infecundo a possibilidade de ter um filho por meio da concepção artificial. No entanto, a intervenção do médico só é permitida sob a condição de que irá favorecer efetivamente o ato sexual na sua função de gerar filhos, mas de maneira nenhuma poderá excluí-lo, pois a dignidade da concepção de um filho exige obrigatoriamente o ato sexual entre o esposo e a esposa como união físico-espiritual de pessoas no amor[1]. A fecundação artificial exclui o ato sexual, reduz os cônjuges apenas a doadores de material biológico, e o filho a produto de manipulação biomédica. O preço dessa concepção é a eliminação dos chamados “embriões restantes” ou a manipulação de sua vida. Na verdade, a geração de um novo ser humano pela cooperação dos esposos com o poder criativo de Deus deve ser fruto e sinal da doação mútua dos esposos, de seu amor e sua fidelidade.

Os meios hodiernos da tecnologia biomédica da fecundação artificial incluem terceiros na concepção do filho e na sua gestação (doadores de células sexuais, médicos, “mães de aluguel”). A intervenção de terceiros no mistério da geração de uma nova vida é, por si mesma, um mal moral. A maternidade“de aluguel”, quando uma mulher faz a gestação e dá à luz uma criança concebida sob encomenda na proveta, torna-se uma afronta ao dom da maternidade, e o filho gerado é reduzido a um objeto de compra e venda. A maternidade “de aluguel”, a concepção de um filho com o objetivo de vendê-lo após o nascimento e outras ações semelhantes são pecados graves contra a dignidade da vida humana. Tais ações ofendem a Deus e ofendem a dignidade do filho como pessoa, criada à imagem e semelhança de Deus.

A clonagem humana

 Clonagem é o método experimental de reprodução não sexual. Hoje os cientistas pretendem adotar esse método também com o ser humano, para produzir cópias genéticas (de embriões) de uma pessoa com a finalidade de uso terapêutico ou científico. Os fautores da clonagem humana não reconhecem nos clones humanos a dignidade da pessoa humana.

A clonagem fere a dignidade humana, reduz o homem ao nível de “material biológico”. Esse método de concepção separa a esfera da procriação do verdadeiro contexto humano do ato sexual; em geral, não prevê a necessidade da união dos esposos no amor, para cooperar com Deus no acolhimento do dom da vida. O próprio conceito de clonagem contrapõe-se ao matrimônio e à família como tal. Dessa forma, o homem atenta ocupar o lugar de Deus, decidindo sozinho como e quando dar início ou fim à vida humana.

Além disso, a clonagem pode ocasionar o perigo da manipulação social pela seleção de seres humanos “geneticamente melhores”, levar à produção de clones de pessoas vivas exclusivamente como material para o transplante de órgãos, reduzindo, enfim, a pessoa humana à condição de objeto de uso. Isso é totalmente inadmissível do ponto de vista do respeito cristão à dignidade da pessoa humana.

[1] Paulo VI: Encíclica Humanae vitae (“Da vida humana”), (25 de julho de 1968), 12; Congregação para a Doutrina da Fé: Instrução Donum Vitae (“O dom da vida”), (22 de outubro de 1987), 1.

Fonte: Cristo nossa Páscoa: Catecismo da Igreja Greco-Católica Ucraniana. Tradução: Pe. Soter Schiller, OSBM. Curitiba: Serzegraf, 2014, n. 874-879.

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