A Lei de Deus como vocação à autêntica liberdade | Série: A Ascese que Ilumina

Na história da salvação, Deus chama o homem à participação na sua vida eterna. Para isso, ele firma aliança com Israel; posteriormente, no Sangue de seu Filho Unigênito, constitui com o seu povo a nova e eterna Aliança. Aceitando essa Aliança, o homem cumpre a vontade de Deus, observa a Lei de Deus. Diz o salmista: “Se vossa lei não fosse o meu prazer, eu já teria perecido na miséria. Jamais vou esquecer vossos preceitos, pois é por eles que me fazeis viver” (Sl 119, 92-93).

Deus no seu amor nos apresenta sua Lei como “caminho de vida”, pelo qual somos chamados a sair da escravidão do pecado para a liberdade dos filhos de Deus. Esse caráter pascal da Lei de Deus demonstra a meta e a essência da vocação cristã. Por isso a lei moral jamais se contrapõe à liberdade humana; pelo contrário, pela graça do Espírito Santo, a propicia: “A descoberta das vossas palavras ilumina e traz discernimento aos simples. Abro minha boca e aspiro, pois anseio pelos vossos mandamentos” (Sl 119, 130-131).

São João Crisóstomo observa que a vontade de Deus, que ele revelou na lei moral, é para o homem apoio e critério nos juízos morais: “Pensa, quais são os nossos critérios de avaliação! Nenhuma balança que não tem um ponteiro não pode mostrar o peso exato; assim também nós, se a nossa consciência, como um ponteiro fixado no centro, não for direcionada à Lei de Deus, não poderemos avaliar retamente a realidade e estaremos sujeitos a diversas limitações e desvios”[1].

Jesus Cristo ensinava Seus discípulos a orar ao Pai: Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu! São Cipriano, explicando essas palavras, observa: “Se quisermos herdar a vida eterna, teremos de fazer a vontade do Deus eterno, pois a vontade de Deus é tudo aquilo que Cristo fez e o que ensinou… [Fazer a vontade de Deus] significa querer ser co-herdeiros de Cristo (cf. Rm 8, 17) – eis o que significa praticar os mandamentos de Deus e assim fazer a vontade do Pai”[2].

[1] João Crisóstomo: Comentário à segunda Epístola a Timóteo, Homilia 5, 3.

[2] Cipriano de Cartagena: Sobre a oração do Senhor, 14-17.

Fonte: Cristo nossa Páscoa: Catecismo da Igreja Greco-Católica Ucraniana. Tradução: Pe. Soter Schiller, OSBM. Curitiba: Serzegraf, 2014, n. 822-825.

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