A paternidade e a maternidade espiritual | Série: A Ascese que Ilumina

Em sua missão, o pai (mãe) espiritual é chamado a conduzir seus filhos espirituais pelo caminho da santidade. A par da pregação da Palavra de Deus e da santificação do homem nos Sacramentos, a direção espiritual é um dos importantes aspectos da missão da Igreja no que diz respeito à nossa salvação. Consiste ela na solicitude pelos filhos espirituais no seu crescimento espiritual, que determina todo o caminho da vida cristã.

A paternidade espiritual na Igreja procede da vida da Santíssima Trindade. Na Santíssima Trindade, o Pai é o princípio da geração do Filho e da processão do Espírito Santo. O Pai dá ao homem a vida eterna por meio de seu Filho Unigênito no Espírito Santo. Assim, o cristão renascido do alto (cf. Jo 3, 7), da água e do Espírito (cf. Jo 3, 5), no seio da Igreja, é chamado a transmitir a vida divina por meio do anúncio e do testemunho. O apóstolo das nações o enfatiza, dirigindo-se aos Coríntios: “Com efeito, ainda que tivésseis dez mil pedagogos em Cristo, não teríeis muitos pais, pois fui eu quem pelo Evangelho vos gerou em Cristo Jesus” (1Cor 4, 15).

No tocante à direção espiritual, pessoas com maior experiência espiritual guiam as pessoas com menor experiência no caminho da perfeição espiritual. A direção espiritual realiza-se pela graça do Espírito Santo, que inspira o diretor e ilumina o discípulo. A direção espiritual é a guia da pessoa pelos caminhos de Deus: ensina o discípulo a ouvir a voz do Senhor e viver segundo os seus preceitos. Seguindo o conselho do pai espiritual, o filho espiritual faz a opção de vida à luz da vocação de Deus, definindo assim a sua missão na vida, descobre e vivencia o “plano de Deus” na sua vida cotidiana.

O objetivo fundamental da paternidade (maternidade) espiritual é favorecer o aperfeiçoamento da pessoa, para que ela atinja a perfeição à qual Deus a chama. É o objetivo, enfim, tanto do discípulo como do diretor. Por isso, a direção espiritual se realiza em condições de relações de sincera amizade entre o pai espiritual e o filho espiritual. Na tradição espiritual dos Padres da Igreja fala-se da “amizade divina”, em cujo clima o diretor e o discípulo se elevam até às alturas da divinização, amadurecem para a “plenitude divina” de vida no Espírito Santo[1].

O pai espiritual cumpre sua missão com a bênção da Igreja. Recebem essa bênção pessoas que são chamadas por Deus para conduzir outras pessoas à santidade, e que têm a experiência pessoal necessária de vida espiritual. O cristão escolhe livremente o pai espiritual como guia no comum caminho da salvação, pelo qual ambos seguem num clima de amizade e confiança. A experiência espiritual permite ao pai espiritual discernir os dons da graça divina e apontar os meios concretos para o desenvolvimento espiritual da pessoa. Na vida paroquial, a direção espiritual acontece na maioria das vezes, embora não exclusivamente, através do sacramento da Penitência.

[1] Cf. Orígenes: Contra Celso, III, 28-30.

Fonte: Cristo nossa Páscoa: Catecismo da Igreja Greco-Católica Ucraniana. Tradução: Pe. Soter Schiller, OSBM. Curitiba: Serzegraf, 2014, n. 826-830.

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