As Vestes Litúrgicas Orientais

Vestes litúrgicas do diácono e do sacerdote

Os celebrantes perfazem os atos de culto de vestes litúrgicas que simbolizam a nova vida no Cristo ressuscitado. Com o seu requinte e beleza, as vestes refletem a “excelsa beleza”[1] do Reino de Deus vindouro. A simbologia das vestes é expressa pelas orações que são pronunciadas, quando o celebrante as veste.

A primeira veste litúrgica do diácono, do sacerdote e do bispo é o stykhar ( = “camisa” ou túnica). É uma peça longa, que é vestida pela cabeça e desce até aos calcanhares. O stykhar é “a veste da salvação, a roupa da alegria”, que faz recordar o alvor da veste batismal. Sobre o stykhar, o diácono veste o orário. É uma faixa longa, que envolve o diácono em diagonal, descendo pelo ombro esquerdo. Elevando a ponta do orário, o diácono convida os fiéis à oração. O orário simboliza as asas do anjo: os diáconos, como os anjos, são “espíritos servidores” (Hb 1, 14), cuja função é servir à comunidade reunida para a liturgia.

Por sobre a alva, o sacerdote põe o epitraquélio (em grego epitrakhílion, literalmente “peça que se põe no pescoço”), que representa a graça que o Senhor, por meio dele, efunde sobre a comunidade eclesial, representando também o “suave jugo” do ministério sacerdotal. Sem o epitraquélio, o sacerdote não exerce nenhum ato próprio ao seu ministério. Por cima do epitraquélio, o sacerdote cinge-se com o cinto, que representa a prontidão do sacerdote para exercer o seu ministério pelo poder de Deus. Os manípulos (“mangas”) simbolizam o fato de que pelas mãos do sacerdote age o próprio Deus.

Por cima de todas as demais peças, o sacerdote veste o felônio (em ucraniano felon; em grego felónion, que significa “capa”). O felônio simboliza a justiça e a santidade, das quais Deus reveste o sacerdote, separando-o dentre o povo para o ministério a serviço da Igreja.

As vestes litúrgicas do bispo

A veste mais externa do bispo é o sakkos (em grego, “túnica”), que simboliza o poder do bispo, servo de Deus, para governar o povo de Deus pelo seu exemplo de penitência. Por cima do sakkos”, o bispo coloca o omofório (do grego omofórion, peça que se põe “nas costas”), como sinal de que o bispo deve ser, segundo o exemplo de Cristo, o bom pastor que cuida do rebanho espiritual a elec onfiado e que sai em busca das ovelhas perdidas (v. Mt 18, 12). A “bainha” (em ucraniano nabedrenek; em grego epigonion), peça em forma de losango, que o bispo suspende no cinto do lado direito e que representa a “espada espiritual”, que é a Palavra de Deus (cf. Ef 6, 17) e simboliza o poder magisterial do bispo. Cobrindo a cabeça, o bispo leva a mitra, símbolo do poder espiritual, confiado ao bispo pelo Rei celeste.

São insígnias do bispo ainda o báculo, a panaguia e o manto. O báculo é o símbolo do múnus pastoral que consiste na condução e na defesa do rebanho eclesial. O enkolpios (do grego, “que se carrega sobre o peito”) ou panaguia (do grego, “toda santa”) é um pequeno ícone redondo, de Nosso Senhor ou da Mãe de Deus, que o bispo carrega sobre o peito como sinal de sua fé, professada pública e corajosamente. O manto episcopal, no qual estão bordadas efígies, imagens do Antigo e do Novo Testamento, e faixas coloridas, símbolos da consagração integral a Deus e do múnus de ensinar, santificar e reger o povo de Deus e do zeloso serviço à Igreja.

As vestes litúrgicas dos ministros na nossa tradição são de várias cores, de acordo com a natureza da celebração. As vestes brancas e douradas são usadas nas festas do Senhor, as azuis nas festas da Mãe de Deus, as verdes na festa do Pentecostes, e as vermelhas e purpúreas (ou roxas) na Grande Quaresma e nos ofícios pelos mortos. 

[1] Eucológio: Rito da bênção de vestes sacras.

Fonte: Cristo nossa Páscoa: Catecismo da Igreja Greco-Católica Ucraniana. Tradução: Pe. Soter Schiller, OSBM. Curitiba: Serzegraf, 2014, n. 633-639.

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