Posturas e gestos litúrgicos na Igreja Oriental

A postura do corpo e os gestos do cristão são elementos da oração da Igreja, e também são manifestações exteriores da fé e da piedade pessoal. Tais posturas e gestos são, por exemplo, o sinal da cruz, a postura ereta, o levantar as mãos, o ajoelhar-se, as inclinações, as prostrações e o beijar objetos sacros.

Com o sinal da cruz o cristão expressa a sua fé na Santíssima Trindade e na encarnação do Filho de Deus. O sinal da cruz é feito com a mão direita, piedosamente e sem pressa, pronunciando estas palavras “Em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo. Amém”. Juntando três dedos, expressamos a fé na Santíssima Trindade e, encolhendo os outros dois, confessamos as duas naturezas do Filho de Deus encarnado, a divina e a humana. Sinalizando em forma de cruz, da fronte para o peito, e do ombro direito para o esquerdo, professamos o mistério pascal da morte e ressurreição de Cristo. Todas as vezes, ao fazer o sinal da cruz, pronunciando as palavras “Em nome do Pai e do Filho, e do Espírito Santo”, professamos que a nossa salvação, cumprida por Jesus Cristo na cruz, é obra da Santíssima Trindade.

O estar em pé é a postura orante do cristão que expressa a atitude de atenção do espírito e a prontidão para fazer a vontade de Deus: “Sabedoria, em pé!”. O nosso “estar em pé” diante de Deus é sinal da nossa participação na ressurreição. Segundo as palavras de Tertuliano, “no domingo não se deve jejuar nem rezar de joelhos. Este costume é observado desde o dia da Páscoa até o Pentecostes”[1]. Também a norma 20 do Concílio de Niceia I prescreve: “Ainda que alguns fazem orações de joelhos no Dia do Senhor e também no dia do Pentecostes, no entanto, para que nas eparquias haja unidade nessa questão, aprouve ao Sacro Concílio determinar que todos elevassem orações a Deus em pé”.

Deixar as mãos paralelas ao longo do corpo é expressão da disposição e prontidão para aceitar a vontade de Deus. As mãos em cruz sobre o peito durante a comunhão expressam o acolhimento da vida divina com todo o nosso ser. O erguer as mãos ao alto é sinal da elevação da nossa mente e nosso coração a Deus e também de súplica ardente. O sacerdote adota essa postura na Divina Liturgia durante o “canto querubínico”, nas palavras “Corações ao alto” e durante a oração do Senhor, “Pai Nosso”.

A inclinação ou “metánoia” (do grego metánoia = conversão, mudança de pensamento) é expressão da atitude penitencial e sinal de adoração. Com a prostração até ao chão expressamos a nossa pecabilidade e, levantando-nos do chão, a nossa libertação do pecado pelo poder da cruz do Senhor, cujo sinal fazemos no ato. As “metánoias” podem ser “grandes”, prostrações até o chão, ou “pequenas”, inclinando a cabeça até à cintura. As prostrações são feitas normalmente na Grande Quaresma, e as inclinações “pequenas” acompanhando o sinal da cruz, diante de ícones, relíquias e outros objetos sacros.

A genuflexão é expressão de atitude penitencial diante de Deus. “É preciso saber que a genuflexão – sinal de adoração a Deus e de nossa humildade– é necessária quando alguém se aproxima para confessar os seus pecados e faltas, pedindo o perdão e a absolvição”[2]. A genuflexão é também sinal de súplica de intercessão[3]: todos os anos, no dia do Pentecostes, toda a comunidade de fiéis reza na sua intenção e pelo mundo inteiro nas “orações em genuflexão”[4].

Beijando a cruz, o livro do Evangelho, ícones e relíquias, manifestamos amore adoração a Deus e nossa veneração aos santos. Com o beijo manifestamos amor às pessoas: os celebrantes trocam o “beijo da paz” durante o Símbolo da Fé, e os fiéis entre si – onde houver o costume – no ritual de perdão no início da Grande Quaresma e durante as celebrações da Páscoa.

Pedindo e recebendo a bênção, declaramo-nos abertos à graça de Deus e à sua ajuda nas diversas situações de nossa vida. Por meio do bispo ou do sacerdote, Cristo continua a nos abençoar como abençoou os apóstolos no dia da sua ascensão. Pedindo bênção, estendemos as mãos em cruz, com a palma da mão direita para cima, dizendo: “Abençoai, senhor bispo (padre)”. Recebendo a bênção, beijamos a mão que abençoou e fazemos o sinal da cruz.

[1] Tertuliano, Sobre a coroa, 3.

[2] Orígenes: Sobre a oração, 31, 3.

[3] V. Constituições Apostólicas, 8, 9-10.

[4] Cf. Triódio Pascal, Domingo de Pentecostes, vésperas com orações em genuflexão.

Fonte: Cristo nossa Páscoa: Catecismo da Igreja Greco-Católica Ucraniana. Tradução: Pe. Soter Schiller, OSBM. Curitiba: Serzegraf, 2014, n. 625-632.

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