A veneração dos santos ícones

Na encarnação do Filho de Deus, “os homens viram o Deus inacessível como homem presente para todos”[1]. O Antigo Testamento proibia confeccionar ídolos ou representar a Deus, no intuito de dissuadir o povo da idolatria: “Não farás para ti imagem esculpida de nada que se assemelhe ao que existe lá em cima nos céus, ou embaixo na terra, ou nas águas que estão debaixo da terra” (Ex 20, 4). No Novo Testamento, o Deus encarnado, Jesus Cristo, podia ser visto, ouvido, tocado (cf. 1Jo 1, 1); por isso podia ser representado.

De acordo com a tradição cristã, os ícones mais antigos são o “Salvador Aquirópito” – a face de Cristo retratada milagrosamente sobre um tecido, e também o ícone da Mãe de Deus que, segundo a tradição, foi pintado pelo apóstolo e evangelista Lucas. Toda essa tradição comprova que os ícones e sua veneração são de acordo com a fé apostólica.

Um dos primeiros a estabelecer uma fundamentação teológica da veneração dos ícones foi São João Damasceno, que diz: “Prostro-me diante de um ícone de Cristo como se fosse diante de Deus encarnado […]. Pois a honra que prestamos à imagem pertence à Proto-imagem”[2]. Veneramos no ícone não a representação em si, mas a pessoa representada, que é contemplada em oração, porque o ícone eleva a nossa mente da imagem à Proto-imagem. O sétimo Concílio Ecumênico, no ano de 787, condenou a iconoclastia e aprovou a veneração dos ícones de Cristo, da Santíssima Mãe de Deus, de anjos e santos. Naquela oportunidade, os Padres conciliares fizeram a distinção entre adoração, que pertence exclusivamente a Deus (em grego latria) e veneração (em grego proskínesis) que é dada aos ícones e também ao Evangelho, ao crucifixo e às relíquias dos santos[3]. Prestamos honra aos ícones, beijando-os, oferecendo incenso, acendendo velas ou lâmpadas diante deles. O ícone é também uma doutrina da Igreja representada por imagens, por isso não deve ser pintada de qualquer maneira, mas seguindo os cânones da iconografia. Graças a esses cânones, as efígies de Cristo, da Mãe de Deus e dos santos são sempre e em toda a parte reconhecidas como tais.

[1] Devocionário “Vinde, adoremos”, Acátisto à Mãe de Deus, contáquio 9.

[2] João Damasceno: Primeiro discurso em defesa dos santos ícones, 21.

[3] II Concílio de Nicéia, Oros.

Fonte: Cristo nossa Páscoa: Catecismo da Igreja Greco-Católica Ucraniana. Tradução: Pe. Soter Schiller, OSBM. Curitiba: Serzegraf, 2014, n. 589-591.

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