O Rito da Ordenação do Diácono, do Presbítero e do Bispo

A ordenação do diácono, do presbítero e do bispo acontece durante a Divina Liturgia pela imposição de mãos (em grego khirotonia) do bispo e pelas orações da Igreja. Impondo as mãos sobre o ordenando, o bispo invoca sobre ele a graça do Espírito Santo. Ordenando o presbítero, o bispo reza: “A graça divina, que sempre cura os enfermos e preenche o que lhes falta, institui o piedoso diácono no presbiterado. Rezai por ele, para que a graça do Espírito Santo desça sobre ele; digamos todos: Senhor, atendei-nos”. À oração do bispo junta-se a oração da Igreja. Pelas repetidas aclamações de axios (em grego, “é digno”), a comunidade confirma que o ordenando, pela graça divina, se tornou digno do ministério sacerdotal. De maneira semelhante àquela do Batismo e da Crisma, a imposição de mãos para qualquer uma das Ordens comporta o indelével caráter da graça, por isso pode ser recebida só uma vez na vida.

Nas orações da ordenação do diácono[1] a Igreja pede a Deus que, como o protomártir arquidiácono Estêvão, o diácono ordenado tenha a plenitude de fé, amor, força e santidade para o devido serviço à comunidade. Em sinal desse ministério, o bispo confere-lhe as vestes diaconais, o turíbulo, o repídion e, de acordo com o costume, também o livro do Evangelho.

Constitui peculiaridade da ordenação do presbítero o fato de que, antes da ordenação, o ordenando pronuncia o Símbolo da Fé e faz a promessa de obediência a seu bispo. O ministério do presbítero consiste no “permanecer de forma digna e ilibada diante do santo altar, pregar o santo Evangelho, oferecer dons e sacrifícios espirituais, renovar os homens no banho da regeneração”[2] e exercer outros serviços na Igreja.

Na ordenação do bispo, o ordenando, na presença de pelo menos três bispos ordenantes, faz a profissão de fé, expondo de maneira cabal a doutrina da Igreja sobre a Santíssima Trindade, a Encarnação e os santos sacramentos, porquanto o bispo é o mestre da fé e o evangelizador de seu rebanho. Por meio do ordenante, a Igreja pede a Cristo que aquele que recebe a graça episcopal se torne “seguidor do verdadeiro Pastor, que deu sua vida pelas suas ovelhas; que seja o guia para aqueles a quem falta a visão, luz para os que estão nas trevas, correção para os insensatos, mestre dos infantes, luzeiro no mundo; que conduza à perfeição as almas a ele confiadas”[3]. Simeão de Tessalônica explica que, pela imposição de mãos, o bispo, como chefe da Igreja local confiada a ele, “recebe como esposa aquela que é esposa de Cristo”, isto é, a Igreja, “porque ele nos ensinou que apascentar e cuidar dela é prova de amor a ele”[4]. Durante a ordenação episcopal, o estreito vínculo entre o pastor ordenado e o seu rebanho vem expresso pelas várias menções do nome da Igreja à qual ele é destinado. A presença de pelo menos três ordenantes, bispos de outras eparquias, testemunha o vínculo que deve existir entre as Igrejas locais e expressa a unidade de toda a Igreja.

Além dos ministérios hierárquicos, a Igreja instituiu outros ministérios sacros de acordo com os seus respectivos ritos, acólito, leitor, subdiácono, que são as chamadas “ordens menores”, destinadas ao serviço litúrgico. Para o ministério hierárquico pode ser ordenado somente aquele que recebeu as ordens menores e se aperfeiçoou no seu ministério. Cada ordem é manifestação da diversidade dos dons do Espírito Santo a serviço da Igreja.

[1] Arquihieratikon: Rito da ordenação do diácono.

[2] Arquihieratikon; Rito da ordenação do presbítero.

[3] Arquihieratikon; Rito da ordenação do bispo, oração após a ectenia da paz.

[4] Simeão de Tessalônica: Sobre as sacras ordenações, 196.

Foto: Ordenação Presbiteral do Pe. Leomar Bucouski, OSBM por Fabiana Mélani Tremba.

Fonte: Cristo nossa Páscoa: Catecismo da Igreja Greco-Católica Ucraniana. Tradução: Pe. Soter Schiller, OSBM. Curitiba: Serzegraf, 2014, n. 494-498.

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