O Rito do Matrimônio

Na Igreja Oriental, a celebração do matrimônio é precedida pelo noivado. Os noivos, postando-se no pórtico da igreja, expressam, diante do sacerdote, a sua decisão de contrair matrimônio. O sacerdote coloca, então, as alianças na mão direita dos pretendentes, pronunciando a oração: “Senhor, Deus nosso, abençoai a aliança dos vossos servos e confirmai as palavras por eles proferidas, confirmai-os com a vossa santa união, confirmai-os na fé, na concórdia, na verdade e no amor”. As alianças representam o poder divino que confirma o amor que existe entre os nubentes. A Igreja suplica para que “o anjo de Deus caminhe diante deles por todos os dias de sua vida”[1].

Enquanto os presentes cantam: “Felizes os que temem o Senhor, os que andam em seus caminhos” (cf. Sl 128/127), o sacerdote conduz os noivos ao centro da igreja e inicia o Rito do Matrimônio com a solene doxologia, semelhante àquela do início da Divina Liturgia; “Bendito é o Reino do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Essa doxologia expressa a estreita relação que existe entre o sacramento do Matrimônio e a Santíssima Eucaristia, por cuja graça os noivos se tornam um só corpo. “Pois a santa Eucaristia é o coroamento de todo o culto e o selo de todo o mistério divino. A Igreja age retamente, preparando os santos Dons para a penitência e para a bênção do casal de nubentes; pois o próprio Cristo, que nos deu esses Dons e é ele mesmo esses Dons, se fez presente no casamento, (em Caná da Galileia) para trazer-lhes (aos noivos) a união, na paz e na concórdia; por isso, aqueles que se unem em matrimônio devem ser dignos da santa Eucaristia; eles devem realizar a sua união perante Deus na igreja, na casa de Deus, pois são filhos de Deus”[2].

Os noivos, colocando as mãos sobre o Evangelho, fazem publicamente, diante de Deus, as promessas matrimoniais de “amor, fidelidade, honestidade conjugal e que não abandonarão um ao outro até à morte!” Fundamento inamovível da união matrimonial é não só o consenso dos nubentes, mas antes de tudo o poder de Deus. “Estendei hoje, Senhor, a vossa mão da vossa santa morada e uni o vosso servo […] e a vossa serva […], pois sois vós que unis a mulher ao homem”. De Deus procedem todos os dons que constituem e fortalecem essa união: “Uni-os na concórdia, coroai-os no amor, fazei deles um só corpo, concedendo-lhes descendência e a alegria dos filhos”[3]. O sacerdote confirma as promessas dos nubentes com as palavras: “O que Deus uniu, o homem não separe” (cf. Mc 10, 9).

O sacerdote complementa o rito do matrimônio com a imposição das coroas sobre os esposos, abençoando-os por três vezes, dizendo: “Senhor, Deus nosso, coroai-os de glória e esplendor”. As coroas simbolizam que o ser humano, homem e mulher, foi criado “pouco inferior aos anjos, para dominar sobre as criaturas” (Sl 8, 6-7; Hb 2, 7), e é chamado por Deus para ser concriador com ele, recebendo dele a descendência. As coroas representam também a vitória do homem e da mulher e que submetem a paixão carnal ao amor matrimonial, e também a coroa do martírio: o testemunho de fidelidade ao amor de Cristo até à morte.

A vivência do matrimônio é expressa também nos tropários que são cantados antes da deposição das coroas. No primeiro tropário – “Exulta, Isaías, a Virgem concebeu no seu ventre e deu à luz o Filho Emanuel, Deus e homem”. A Igreja alegra-se com o cumprimento da profecia de Isaías sobre a vinda do Deus-Emanuel, que se faz presente no novo matrimônio e sua presença nele, como na igreja doméstica. No segundo tropário – “Santos mártires, vós padecestes gloriosamente e fostes coroados” – a Igreja reza aos santos mártires pela sua intercessão, para que Cristo, “glória dos apóstolos e alegria dos mártires”, se torne o louvor e a alegria também deste matrimônio (terceiro tropário), para que os esposos na sua vida matrimonial possam imitar o amor de doação dos mártires e proclamar a Trindade consubstancial.

Retirando as coroas da cabeça dos esposos, o sacerdote reza a Cristo, para que ele, acolhendo a coroa dos cônjuges, os conserve “puros, imaculados e ilibados para todo o sempre”, em sinal de que, pelo poder de Cristo, o amor conjugal será mais forte que a morte e durará para sempre. O rito do Matrimônio finaliza-se com a bênção do casal em nome da Santíssima Trindade, cuja imagem eles foram chamados a ser.

[1] Eucológio: Rito do Matrimônio, terceira oração do noivado.

[2] Simeão de Tessalônica: Sobre o honesto e legítimo matrimônio, 282.

[3] Eucológio: Rito do Matrimônio, oração antes da imposição das coroas.

Fonte: Cristo nossa Páscoa: Catecismo da Igreja Greco-Católica Ucraniana. Tradução: Pe. Soter Schiller, OSBM. Curitiba: Serzegraf, 2014, n. 477-482.

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