O Rito da Unção dos Enfermos

O santo sacramento da Unção dos Enfermos, que o cristão recebe no tempo do sofrimento e doenças, é ministrado para o revigoramento da fé no triunfo de Cristo sobre o pecado e a morte. Na Unção dos Enfermos, Deus dá a graça da restauração da integridade interior da pessoa, de sua cura e do ulterior crescimento espiritual. O apóstolo Paulo diz que “Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam” (cf. Rm 8, 28), por isso o sofrimento humano e as enfermidades podem constituir grande valor espiritual: “Agora eu me regozijo nos meus sofrimentos por vós; completo, na minha carne, o que falta às tribulações de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja” (Cl 1, 24).

O santo sacramento da Unção dos Enfermos é ministrado comunitariamente, com a oração de toda a Igreja, para a cura da alma e do corpo: o revigoramento da fé em Deus e o perdão dos pecados, e também a recuperação da saúde física. Eis por que este sacramento é ministrado aos enfermos e não só aos moribundos. Pelo poder da graça do santo sacramento da Unção dos Enfermos, o enfermo torna-se capaz de ver a sua doença à luz do plano de Deus e receber a força para suportar e vencer a doença. Mudando a sua atitude em relação à doença, o enfermo une o seu próprio sofrimento aos padecimentos salvíficos de Cristo.

No sacramento da Unção dos Enfermos, o enfermo recebe, por meio da oração da Igreja, o perdão dos pecados. Esse sacramento, no entanto, não substitui a Confissão. Mas se aquele que recebe a Unção dos Enfermos com contrição não teve possibilidade de fazer a sua confissão, ele recebe também o perdão de seus pecados. A Igreja ensina que o sacramento da Unção dos Enfermos confere a cura espiritual, mesmo se não for acompanhada de uma cura física.

O rito da Unção dos Enfermos

A ministração do santo sacramento da Unção dos Enfermos é feita na igreja ou no local onde se encontra o enfermo. Segundo as possibilidades, este sacramento é ministrado por vários sacerdotes (segundo o Rito, sete), o que evidencia a oração de toda a Igreja; por isso a Unção dos Enfermos é chamada ainda de “sacramento comunitário”. O rito da Unção dos Enfermos inclui a bênção do óleo, a leitura da Epístola e do Evangelho e a unção do enfermo. O sacerdote, ao fazer a bênção do óleo, tradicionalmente usado para fins medicinais, invoca sobre ele o poder de Deus, “para que sirva aos que com ele são ungidos para a cura e para a suspensão de todo o sofrimento, de toda a mancha do corpo e do espírito”[1]. A leitura da Sagrada Escritura proclama o triunfo de Cristo sobre o pecado, a enfermidade e a morte. Ungindo o enfermo com o óleo (fronte, olhos, narinas, ouvidos, lábios, queixo, peito, mãos e pés), o sacerdote pronuncia a solene súplica a Deus Pai, na qual pede a cura do enfermo “por meio desta unção, de sua enfermidade do corpo e da alma” e para “vivificá-lo com a graça de Cristo, pela intercessão da Mãe de Deus e de todos os santos”.

O rito da Unção dos Enfermos conclui-se com a imposição do livro do Santo Evangelho sobre a cabeça do enfermo, em sinal de que o próprio Cristo Senhor impõe a sua mão sobre a cabeça para a cura e para o perdão dos pecados. Após a ministração da Unção dos Enfermos, o enfermo comunga os Santos Dons, “remédio da imortalidade”[2]. Durante a ministração do santo sacramento da Unção dos Enfermos, os presentes rezam pelo enfermo, cumprindo a instrução apostólica: “Orai uns pelos outros, para que sejais curados. A oração fervorosa do justo tem grande poder” (Tg 5, 16).

[1] Eucológio: Rito da Unção dos Enfermos, oração da bênção do óleo.

[2] Inácio de Antioquia: Epístola ao Efésios, 20, 2.

Fonte: Cristo nossa Páscoa: Catecismo da Igreja Greco-Católica Ucraniana. Tradução: Pe. Soter Schiller, OSBM. Curitiba: Serzegraf, 2014, n. 466-469.

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