Tudo está cheio de deuses: Tales de Mileto

Tales é considerado o primeiro filósofo do Ocidente. Sabe-se que ele nasceu em Mileto, mas a data é imprecisa. Todavia, estudos afirmam que foi por volta de 625 a.C. Ele deixou algumas frases filosóficas que provam a sua teoria, dado que para ele tudo surge do úmido, isto é, quando se falta umidade, falta-se também a vida. Para Tales o princípio de todas as coisas (arché) é a água, onde tem água tem umidade, onde tem umidade tem vida. Ele chega a afirmar ainda que a terra está sobre a água e por isso nela se tem vida.

Todavia, o que nos traz a discutir em Tales de Mileto é a celebre frase “tudo está cheio de deuses” que fora dita por ele. Com isto, podemos deduzir que para Tales todas as coisas naturais, isto é, da natureza são divinas por conter nelas o úmido, fazendo se de tal úmido o princípio. Olhando tal aspecto, Tales segue uma linha onde deus se faz presente na essência da natureza, uma essência que dá a vida. Ele até poderia estar certo, e talvez até por isso é considerado um filosofo, contudo, a colocação de sua frase abre margem para diversas conclusões.

O que é bem curioso e intrigante, é o fato de que Tales chega a se posicionar desta forma a partir de analisar a natureza. Ele percebe que tudo em volta depende da umidade, até para o calor. Também se percebe facilmente uma matéria sem vida em meio a natureza, basta encontrá-la ressequida que notara facilmente a falta de vida e de umidade, quando acaba a umidade acaba por consequência a vida. Quem ainda não se deparou com uma grama seca por falta de chuva? E ou notou que aos poucos o calor solar sem a umidade do ar ou da chuva faz com que suas folhas vão se queimando e murchando, retirando toda a sua seiva, toda a sua vida se esvai.

Continuando com o exemplo da grama que morre com o calor solar, a partir do ponto que ela recebe a umidade, começa a desabrochar, esverdear e basta alguns dias de chuva para ela crescer e ficar viçosa. Tal exemplo segue de encontro com a linha de pensamento de Tales, poderíamos aqui colocar diversos exemplos pois a umidade se aplica em diversos seres vivos, até mesmo nos germes da terra. Tales chega a dizer ainda que a água e um elemento eterno que passa por mudanças para gerar a vida, e por isto para ele tudo está cheio de deuses.

Ao se falar de deuses para Tales, parece que foge daquela compreensão de deuses para a religião e o mesmo se aplica a alma. O que ele expõe não vai de encontro e nem diverge de quaisquer compreensões religiosas, mas se compreende de forma distinta. Ele diz que tudo está cheio de deuses no sentido em que tudo está cheio de úmido, tudo tem alma e se move por causa do úmido. Para a filosofia, este argumento de Tales foi um meio essencial para o seu crescimento, a partir daqui surgiram vários filósofos que se propôs a estudar e analisar, podendo até se posicionar de maneira distinta deste. A nós cabe continuar os estudos buscando o ponto chave de tal filosofia criada por ele e aprofundarmos mais ainda em sua linha de raciocínio já que ele foi um grande filosofo e considerado pai da filosofia.

Autor: Fr. Dailan dos Santos Brito, SAC, estudante do 2o ano de Filosofia da FASBAM.

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