Os ambientes da transmissão de fé: a família, a nação e a comunidade eclesial

O primeiro âmbito de transmissão da fé é a família. Os pais educam seus filhos na fé pelo próprio exemplo de vida, pela palavra e pela oração. Eles ensinam aos filhos o Evangelho e dão o testemunho com a sua própria vida, tornando-se para eles os primeiros catequistas. Educando seus filhos de maneira cristã, os pais criam na família um clima especial por meio da oração comum diante dos ícones, da santificação do domingo e dos dias de festa.

As crianças, já desde a pequena idade, são introduzidas na vida espiritual, fundamentada na oração, na audição da Palavra de Deus e na recepção da Santa Comunhão. Crescendo para a idade adulta, os filhos, com a ajuda dos pais, crescem na graça que receberam no sacramento do batismo, aprendem a vencer o mal e praticar o bem. O patrimônio da fé recebido dos pais é para os filhos o penhor da vida eterna. Para o amadurecimento na fé da criança tem grande importância a vida piedosa dos padrinhos e de outros membros da família. Os costumes cristãos vividos na família incutem nas crianças uma visão cristã no tocante ao nascimento e à morte, à formação da família e às relações familiares: desenvolvem o sentimento de pertença à comunidade eclesial e à sua nação.

Toda a nação é uma comunidade que se caracteriza pela sua própria memória histórica, pelo sentimento de pátria, e pelo trabalho em vista da prosperidade e do progresso. Cristo envia às nações os seus apóstolos: “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei” (Mt 28, 19-20). A cristianização dos povos consiste na progressiva formação de uma visão cristã do mundo e de uma visão cristã das estruturas de vida. A cultura cristã de um povo é o meio de transmissão da fé de geração a geração. Ela forma no povo o amor a Deus, à pátria, o sentido de servir ao bem da pátria, atitudes honestas em relação ao trabalho, reforça os vínculos familiares e sociais. Expressão da interação do Evangelho com a cultura de um povo é a Igreja particular.

A Igreja, única e ao mesmo tempo multiforme, é a prefiguração da família das nações que são, ao mesmo tempo, iguais e diversificadas. A todas elas a Igreja prega o caminho da salvação: “A pregação da Igreja é digna de fé e duradoura, pois, por meio dela, se estende por toda a terra um só caminho de salvação”[1]. A Igreja, na sua missão de salvação das nações, haure sua força da contemplação da Santíssima Trindade, a divina comunidade de Pessoas, que são um só Deus. Ela convida: “Vinde, nações do mundo, adoremos a Deus em três pessoas […]: Deus Santo, que tudo criastes por meio do Filho, com a cooperação do Espírito Santo! Santo e Forte, que nos revelastes o Pai e enviastes ao mundo o Espírito Santo! Santo e Imortal e Espírito Paráclito, que procedeis do Pai e permaneceis no Filho: Santíssima Trindade – glória a vós!”[2].

[1] Irineu de Lião: Contra as Heresias, V, 20, 1.

[2] Triódio Pascal. Domingo de Pentecostes, vésperas, estrofe no “Senhor, a Vós eu clamo”.

Fonte: Cristo nossa Páscoa: Catecismo da Igreja Greco-Católica Ucraniana. Tradução: Pe. Soter Schiller, OSBM. Curitiba: Serzegraf, 2014, n. 67-70.

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