A inculturação do Evangelho

O Evangelho de Cristo foi pregado às diversas nações na diversidade de suas culturas[1]. Esse processo foi chamado de inculturação, a expressão da única Tradição na diversidade das tradições locais, a adaptação da pregação do Evangelho às particularidades de uma cultura, língua, modos de vida e mentalidade do povo. “Dela (da grande Tradição) é preciso distinguir as ‘tradições’ teológicas, disciplinares, litúrgicas ou devocionais, surgidas ao longo do tempo nas Igrejas locais. Constituem elas formas particulares sob as quais a grande Tradição recebe expressões adaptadas aos diversos lugares e às diversas épocas”[2]. A única Tradição deveria ser expressa nas diversas culturas, transfiguradas pela força do Evangelho, segundo as palavras do apóstolo Paulo: “Para os judeus, fiz-me como judeu, a fim de ganhar os judeus […]. Para aqueles que vivem sem a Lei, fiz-me como se vivesse sem a Lei – ainda que não viva sem a lei de Deus, pois estou sob a lei de Cristo – para ganhar aqueles que vivem sem a Lei […]. Tornei-me tudo para todos, a fim de salvar alguns a todo o custo” (1Cor 9, 20-22).

Como frutos da inculturação do Evangelho surgiram várias tradições cristãs: a bizantina, a latina, a copta, a siríaca, a armênia e outras mais. Desde os primeiros séculos, o cristianismo difundiu-se também nos territórios das tribos eslavas. No século IX, os santos isoapóstolos[3] Cirilo e Metódio, irmãos tessalonicenses, traduziram os Evangelhos e textos litúrgicos para a língua que era compreensível para os povos eslavos. “Encarnando o Evangelho na cultura nacional dos povos evangelizados, os santos Cirilo e Metódio colocaram um sólido fundamento para a formação e prosperidade dessa cultura, ou melhor, de muitas culturas”[4]. Entre as culturas cristãs, cultivadas pelos eslavos, surgiu também a cultura da Rush-Ucrânia, na qual a única Tradição eclesial evoluiu para uma peculiar tradição eclesial.

Dessa forma, o único Evangelho de Jesus Cristo encarnou-se na multiplicidade cultural das nações cristãs, a única Tradição da Palavra de Deus expressou-se numa diversidade de tradições. Cada Igreja particular com a sua tradição particular dá a sua contribuição para a compreensão dessa única Tradição.

[1] Cf. Concílio Ecumênico Vaticano II, Constituição Pastoral sobre a Igreja no Mundo de Hoje, Gaudium et Spes (“Alegria e Esperança”), 53.

[2] Catecismo da Igreja Católica, 83.

[3] NT: isoapóstolos – que estão em igualdade com os apóstolos; a Igreja bizantina os venera como tais.

[4] João Paulo II: Carta apostólica Orientale Lumen (A Luz do Oriente), (2 de março de 1995), 7.

Fonte: Cristo nossa Páscoa: Catecismo da Igreja Greco-Católica Ucraniana. Tradução: Pe. Soter Schiller, OSBM. Curitiba: Serzegraf, 2014, n. 60-62.

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