A Igreja | A uma só voz e com um só coração com Pe. Paulo Serbai, OSBM

Com a vinda de Cristo e sua obra da salvação, homens e anjos começaram a fazer parte de um só povo, o Povo de Deus, Corpo Místico de Cristo. São Paulo entendeu perfeitamente esta unidade dizendo que em Cristo já não existe grego, judeu, escravo, pagão, homem ou mulher, mas n’Ele somos um, formamos unidade, somos um só povo escolhido, amado e santo. Não existe distinção de origem, raça, sexo ou cultura. Nem interessa o que fazemos, quem somos, qual o nosso papel na sociedade e na igreja. Mesmo se na celebração litúrgica existem diferentes funções: celebrante, concelebrantes, cantores, assembleia, acólitos, sacristãos… todos formamos uma Igreja só.

No Sacramento do Batismo, fomos revestidos de Cristo, recebemos a mesma veste e refletimos o mesmo rosto. Somos irmãos, consanguíneos. Não existem pais, mães, tios, tias… todos somos irmãos. E essa realidade acontece, se realiza, de uma maneira perfeita na celebração da Divina Liturgia: rezamos como Igreja, um só Corpo Místico de Cristo, onde Cristo é o cabeça, Aquele que faz agir, viver, comanda o Corpo todo. Assim como num corpo humano, sem a cabeça não há vida, igualmente na Igreja, sem a ação de Cristo, o Corpo Místico – que somos todos nós batizados, não existiríamos. Se existimos e vivemos, é porque Cristo nos comanda e torna todos os membros operantes e vivos, cheios de “sangue”, seiva vital. Como é importante entendermos isso! A nossa Oração Litúrgica, especialmente a Divina Liturgia, é obra de Cristo. É Ele a nossa oração, o Altar, o Sacerdote, a Vítima, Aquele que é sacrificado, Aquele que recebe e que é distribuído.

Quando falamos que rezamos como Igreja de Cristo, queremos dizer que o céu, a terra e o purgatório estão unidos num só coração e numa só voz. Da única Igreja de Cristo fazem parte aqueles que já estão no céu – os santos, aqueles que ainda estão se purificando no purgatório e nós, incorporados a Cristo pelo Batismo, presentes no Reino de Cristo. A nossa oração não é um gemido de pessoas desesperadas, desanimadas… mas é forte, potente, valiosa… pois é Cristo, a Igreja, que está rezando. Toda a Igreja louva o Pai pelos dons concedidos a nós na pessoa do seu Filho amado Jesus Cristo.

Assim, quando rezamos como Corpo Místico de Cristo, não estamos rezando como indivíduos. Não é o Pedro, o José, a Maria ou a Carla que estão rezando… rezamos comunitariamente, como um Corpo só. A grandeza da nossa oração não está no número de pessoas, na beleza do Templo, na qualidade dos cantores… É perfeita porque é Cristo que celebra e glorifica o Pai. Claro que o número de participantes e a qualidade do canto falam da nossa real participação, do nosso empenho de cristãos, testemunham a vitalidade da Igreja! Mas não é isso que  faz a Liturgia perfeita e agradável a Deus. É a ação de Cristo Cabeça.

Reunidos no Templo, participando da celebração da Divina Liturgia, não somos uma filial pequena, menos importante, de segunda categoria, da Igreja de Roma ou de Kiev, mas realiza-se plenamente a Igreja de Cristo, torna-se visível, com suas bênçãos, graças e santidade. Formamos a Igreja e somos Igreja. Não somos agências menores ou meros representantes. Sem nós a Igreja não existiria. Sem a assembleia litúrgica a celebração não acontece! Nela nos alegramos com o Senhor, ouvimos o seu chamado, testemunhamos, e somos enviados como missionários. Juntos com Jesus Cristo somos sujeitos integrantes e ativos na celebração da Liturgia. Claro que existem funções diversas: o celebrante, cantores, assembleia, acólitos… mas a ação é de todos.  Concelebramos. Somos os atores visíveis – reunidos, que cantam, que rezam, que glorificam…  de uma celebração que acontece no céu. Não assistimos à Divina Liturgia, mas participamos ativamente. Deixar-se envolver, ser protagonistas. Movidos pelo Espírito Santo. Somos expressão viva da Igreja. Como é importante ter esta consciência, ter uma piedade específica, e uma atitude interior. Saber o que acontece, conhecer o rito, os textos, os cantos… deixar de somente participar, mas concelebrar. Ser Igreja viva, operante, que se alimenta e respira. E com quanto zelo Cristo cabeça cuida de todos os membros que fazem parte deste Corpo Místico! Todos são importantes e necessários. Pertencemos a Cristo e isso deve ser motivo de orgulho e de maior participação. Quando estamos na igreja, fazemos parte da Igreja de Cristo, nos sentimos em casa, irmãos, amigos, formando unidade no Espírito Santo.

Pe. Paulo Serbai, OSBM
Mestre em Ciências Eclesiásticas Orientais

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