A uma só voz e com um só coração: para uma participação mais consciente na Divina Liturgia | Pe. Paulo Serbai, OSBM

A Divina Liturgia é a ação mais importante da qual o ser humano pode participar. Nada de mais dignificante. É diante do Criador que nós nos descobrimos criaturas, imagem e semelhança. Na presença de Deus, diante da sua majestade, nós reconhecemos a nossa origem, de onde viemos e para onde estamos caminhando. Somos verdadeiramente humanos, estando diante do divino. Somente junto de Deus preenchemos a nossa sede de Deus. Dizia um sábio: o pássaro nasceu par voar, o peixe para nadar e o homem para rezar. Diante de Deus o homem sente-se humilde, necessitado, pequeno, mas também amparado, amado, guiado e alimentado. A nossa fraqueza e dependência tornam-se a força e o motivo real de merecermos o amor e o consolo divinos.

Nestas páginas vamos refletir sobre realidades vividas e contempladas na celebração da Divina Liturgia, que nos falam da imensa grandeza deste momento, do nosso empenho e participação. Na Divina Liturgia nós não somos expectadores, plateia, mas atores, agentes, concelebrantes. Ela nos envolve. Acontece num contínuo movimento: ritos, procissões, entradas, saídas…  o canto que muda seguidamente de tonalidade e melodia, o incenso que se eleva, sentados, em pé, sinal da cruz… corações que se elevam ao alto… somos enviados… A Divina Liturgia envolve a pessoa, sua situação, seus planos e sentimentos. Nos encontramos com o Deus daqueles que vivem. A liturgia é vida! Mesmo aqueles que já se foram, que conosco concelebram lá do céu, eles vivem.

Assim, algo tão importante e de valor único, deve ser vivido consciente e intensamente. Necessita de uma preparação. Talvez por isso não gostamos, enjoamos, cansamos… Na nossa vida, todos os acontecimentos importantes, são preparados com muito zelo e com antecedência. São planejados, esperados, sonhados, imaginados… e por isso marcam, ficam impressos na memória e no coração. São lembrados e relembrados… tornam-se fonte de alegria.

Que tal os nossos encontros com o Criador fossem tratados como algo importante e sério! Algo que realmente desejamos, preparamos, esperamos. Não uma obrigação, mas um empenho que nasce da nossa pertença divina, da necessidade de estarmos diante d’Aquele que nos gerou e faz viver a todo instante? O filho não visita o pai por obrigação, por dever, mas por direito, pelo fato de ser filho, de pertencer a uma família, sentir uma ligação natural que não precisa de regras ou explicações. Algo do coração, vital. Sem cerimônias, não ligado a anos ou idade, mas natural, que traz paz, alimenta e fortalece os laços de pertença.

O encontro com o Criador deve ser natural, familiar, pelo fato de sermos filhos, salvos, amados e seguidos pelo seu bondoso coração de Pai. Somos de casa! Após o batismo, a nossa verdadeira casa passou a ser a Igreja, a Casa de Deus! A casa dos nossos pais, onde moramos, é provisória, passageira… a Casa de Deus é a nossa morada definitiva… é o céu para onde caminhamos. Nesta terra somos todos paroquianos, ou seja, moramos ao lado da casa, numa tenda. Estamos sempre a caminho e a nossa chegada é a Casa Paterna, a qual já é nossa, já degustamos, já sentimos o gosto do céu, pois na Divina Liturgia estamos fora do mundo, no Reino de Deus.

As reflexões que seguem, simples e suscitadas a partir da vivência quotidiana, têm por objetivo despertar uma melhor participação na Divina Liturgia. De princípio, foram pensadas e escritas para os fieis da Paróquia São Josafat, de rito Bizantino Ucraniano Católico, de Prudentópolis, e serem publicadas  no Boletim mensal paroquial “Para que todos sejam um“. Com alegria aceitei a sugestão de também serem inseridas no Blog da FASBAM. São somente alguns temas escolhidos que podem ajudar na melhor compreensão e participação no Sacrifício Eucarístico e que serão publicados sempre aos sábados.

Pe. Paulo Serbai, OSBM
Mestre em Ciências Eclesiásticas Orientais

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