A filosofia transcendental de Immanuel Kant

Immanuel Kant é um dos principais filósofos estudados, as suas premissas e ideias reverberam até hoje, devido a sua forma de enxergar a moral, como ele mesmo disserta, que não há nada mais forte do que a sua moral interna. Uma série de obras desse autor são de extrema relevância social e acadêmica, tais como “À paz perpétua” que serviu de embasamento para a criação da ONU, que é a organização que talvez melhor permeie a ideia de uma relação mundial harmoniosa, e que olha para os problemas do mundo de forma mais humanitária e realística. (KANT, 1987).

Uma desses dogmas defendidos por esse autor é o idealismo transcendental, que possui como principal objetivo fazer uma justificativa da a respeito do conhecimento científico, sistemática de organização de levantamento de hipóteses que tiveram uma forte influência da observação Newtoniana, mas que começou de fato com Comte, por intermédio do positivismo. Kant, por intermédio de sua filosofia transcendental parte do pressuposto que a forma de observação Inglesa e também as vertentes defendidas pelo racionalismo não conseguem explicar de maneira abrangente o ideal científico. (KANT, 1988).

Assim, o autor tal métodos incompletos para o real desenvolvimento e entendimento do conhecimento científico. Kant promove, que, não obstante o conhecimento se embasar no levantamento de hipóteses, empirismos e discernimento do andamento ou não de experiências, ele não pode ocorrer de forma neutra, pois primeiramente são dispersas formar de sensibilidade e também de sua mescla com a cognição do ser humano. (KANT, 1987).

O anseio dessa pesquisa é fazer uma análise sobre o idealismo transcendental de Kant por intermédio de uma pesquisa bibliográfica de cunho descritivo, argumentando sobre as suas principais ideias em associação ao desenvolvimento da ciência e do conhecimento científico, e também como o autor delimita das possíveis falhas que esse tipo de observação e criação de leis ocorrem em seu ponto de vista. (KANT, 1987).

É importante salientar que existem duas sistemáticas dissonantes quando estudado o início do conhecimento de maneira menos erudita, ou seja, a sua transformação em algo com sistematização e menos dispersão de ideias de caráter popular, lúdico ou ilusório. No período em que Kant fomentou as suas críticas sobre o desenvolvimento do caráter científico, existiam o Racionalismo e o Empirismo. Sendo que, via de regra, o Empirismo era a forma de conhecimento que possuía uma maior abrangência, contudo, Kant, de maneira crítica e concisa, defende que essas duas vertentes de estudo não eram suficientes para abranger a ciência como ela é vista atualmente. O autor permeou ideias bastante relevantes em suas estruturações filosóficas em relação ao conhecimento em âmbito científico, tais como a Mecânica de Isaac Newton, que é estudada até hoje, e também a Geometria Euclidiana, que possui uma série de falhas quando associada a trigonometria e o estudo analítico dessa ciência. De fato, a filosofia de caráter transcendental de Kant estava correta.

A primeira obra de Kant que fomentou as premissas sobre o transcendencialismo foi “A crítica a razão pura” lançada em 1781, através da análise dessa obra, já é possível analisar como a assimilação de conhecimento e também as experiências daquela época, na visão de Kant, apesar de ser voltada ao caráter experimental, possuía falhas na visão do autor, pois, segundo ele, os estudiosos também levaram em conta os seus anseios pessoais, de forma que era quase consequente que os seus experimentos teriam os resultados esperados. Segundo Kant, a percepção e a cognição do cientista também estavam intrínsecas ao seu estudo, o que complica o desenvolvimento da neutralidade do experimento. (KANT, 1988).

Por essa análise, o autor segmenta que, conquanto o embasamento do conhecimento seja a promulgação de ideias e hipóteses, por intermédio do conhecimento, fatores que o relacionam com a filosofia empirista. É perceptível uma cadeia de condições para que a observação de maneira sensitiva, seja de fato mesclada ao conhecimento, fator que encadeia agora o cientificismo ao racionalismo, de forma que não é possível obter um conhecimento verdadeiro por intermédio somente do entendimento de algum fator, segundo Kant, isso não passa de um processo ilusório de quem está levantando ideias a respeito deserto assunto. Ou seja, de acordo com o filósofo, a única maneira de conseguir chegar à verdade, é através da experiência. Essa análise pode ser melhor interpretada com o trecho a seguir:

Se não começarmos da experiência ou se não procedermos segundo leis de interconexão empírica dos fenômenos, nos vangloriamos em vão de querer adivinhar ou procurar a existência de qualquer coisa (KANT, 1987; p. 273/274).

Diante do exposto pelo autor, é axiomático que a reflexão transcendental da Imannuel Kant, buscou permear que existe uma dissonância entre a vertente de estudo empirista e também a racionalista, uma vez que para se obter um conhecimento verdadeiro, é fundamental o emprego de uma solução intermediária. O autor é inclusive radical em relação a sua crítica, o estudioso defende que, via de regra, os pensamentos são completamente abstratos e vazios para a formação de novas ideias e consequente criação de Leis, logo, de acordo com o autor, intuições não passam de fumaça, e não devem ser consideradas como uma forma de dispersar o conhecimento científico. Ou seja, de acordo com Kant, não basta idealizar uma forma de força porque a maçã cai do pé de maneira quase espontânea, como proposto por Isaac Newton, é necessária uma experimentação adequada dos fatos. (KANT, 1988).

Essa falha também pode ser analisada de acordo com a Geometria Euclidiana, de acordo com esse estudo, um triângulo sempre irá formar um ângulo de 180º. De acordo com Kant, é necessária a segmentação de experimentações para saber se de fato isso ocorre, é fácil perceber como o transcendencialismo está de fato correto. Pois, basta que a base de um triângulo ser um arco, para que a soma de seus ângulos internos serem diferentes de 180º. Por consequência, a observação de um triângulo não é suficiente para conseguir delimitar a soma de seus ângulos internos, mas sim a experimentação. (PASCAL, 1999).

O foco em permear e analisar as condições de forma mais fria e neutra, em consonância a experimentação de toda e qualquer experiência defendida, é o que embasa a filosofia transcendental Kantiana.

Dessa forma, em concomitância ao pensamento do filósofo, essa nova abordagem faz uma análise que o conhecimento não depende só do objeto, mas também da intuição humana, fator que corrobora para problemas para o desenvolvimento do teor científico, de modo que, de acordo com o autor, para estruturar uma experiência é necessário conhecimento, e não intuição, o que contextualiza a sua máxima, quando defende que a razão não é possível ser alcançada sem a devida experiência, de modo que, sem ela, a ciência não passa de palavras vazias. (POPPER, 1975, p. 75).

Ou seja, para Kant, a intuição só poderia ser discernida, por intermédio do que chamava de “intuição sensível”, ou seja, o filósofo era contrário a ideia de uma premeditação de maneira racional ou intelectual. De acordo com o autor, de forma geral, o conhecimento, coloca em um mesmo plano, o espírito da presença e também do objeto. (DUROZOI E ROUSSEL, 1993).

Diante do exposto, já no começo da obra “A crítica a razão pura” é possível observar que o entendimento é preciso ser analisado de forma crítica, ou seja, separado do que de fato é conhecimento. (KANT, 1987).

De forma geral, para conseguir obter conhecimento é necessário que o “Felling” do autor não seja levado em conta, e, posteriormente a sua intuição seja erradicada. É necessário que a experimentação seja o principal pilar para o desenvolvimento do conhecimento. A partir disso, é possível analisar falhas entre o Racionalismo e também o Empirismo, o que deixa premente a necessidade de observar o que defende ambas as áreas de conhecimento, para entender de forma mais geral, o que de fato é ciência, e o que é apenas intuição. De acordo com a filosofia transcendental de Kant, são áreas que não devem ser unidas.

Segundo Kant, é fundamental que a intuição seja separada do conhecimento científico, e esses experimentos sejam modelados, de forma que, a prioridade do método científico deve ser a observação, de forma que a percepção e visão de mundo do autor deve ser distinguida do que ele busca, para que possa obter resultados relevantes e a sua pesquisa se torne o mais imparcial possível, segundo o autor, esse deve ser o intuito da verdadeira ciência.

Bibliografia

KANT, I. Crítica da razão pura. Vol. I. São Paulo: Nova Cultural, 1987. (Os Pensadores).
KANT, I. Crítica da razão pura. Vol. II. São Paulo: Nova Cultural, 1988. (Os Pensadores).
NEWTON, I. Principia Princípios matemáticos de filosofia natural. São Paulo: Nova Stella, 1990.
PASCAL, G. O pensamento de Kant. Petrópolis: Ed. Vozes, 1999.
POPPER, K. R. A lógica da pesquisa científica. São Paulo: Cultrix, 1993.
POPPER, K.R. Conhecimento objetivo. São Paulo: EDUSP, 1975.
SANTOS, M. H. V. Kant Marx Freud Bachelard Piaget. Porto: Ed. Porto, 1981.

Autor: Ermes Rodrigues de Almeida Neto, seminarista da Ordem de Santo Agostinho e egresso Curso de Filosofia da FASBAM (Turma de 2020).

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