Criação ou evolução?

Alguém pode se perguntar: a criação do mundo e do homem pode ser entendida sob a perspectiva evolucionista? Aqui encontramos uma questão que atravessa o tempo e que nem sempre é respondida, talvez, não como os defensores destes dois pontos de vista pretendem, mas aqui partiremos de uma perspectiva complementar, na qual despolariza estas duas teorias e as fazem caminhar juntas.

Este é um tema problemático, uma vez que, a criação dada pela revelação bíblica, relata Adão e Eva, e se formos entender justamente o que esta passagem do livro do Gênesis 1,27 quer expressar é que: o homem é obra de um princípio maior que ele mesmo, do qual o constituiu, do qual o formou. Obviamente que a passagem bíblica quer explicar que o homem é obra da ação divina, criadora, imagem e semelhança de Deus, não propriamente que o início tenha sido em Adão e Eva. Assim como os mitos não mentem ao retratar uma verdade ainda velada, e por isso as constituições fictícias míticas, assim também a revelação bíblica deseja instruir as verdades da fé, ao seu modo, afim de explicar como o gênero humano se deu.

A teoria evolucionista tem uma visão cientifica sobre a origem humana, do qual busca entender a gênese humana e a marcha pela qual atravessou juntamente com o mundo em sua formação e evolução. A teoria evolucionista, não exclui um ato massivo como um ato primeiro, que originou tudo aquilo que conhecemos (material), e é chamada de teoria do Big Bang proposta por Georges Lemaître, um físico, astrônomo e sacerdote belga.

O princípio do Big Bang assemelha-se ao ato criador relatado na revelação bíblica da criação, o que não exclui um ao outro. Alguns acreditam que o Big Bang é o próprio ato criador de Deus, pois este fato, tem as mesmas características da crença da criação como origem de tudo, obviamente que os seres e o mundo não propriamente feitos de imediato, mas que inclui todo o universo e as possibilidades evolutivas por parte dos organismos vivos, dentre eles o ser humano, os animais e vegetais. Portanto, o que diferencia é a forma narrativa e as instituições que as traduzem aos que se interessam sobre o assunto.

O grande problema entre o criacionismo e o evolucionismo são os poucos instruídos que polarizam seus discursos e propagam suas posturas aos telhados, tendo posições radicais e pouco inteligentes, sejam em púlpitos contra o evolucionismo, ou até céticos do criacionismo.

O que podemos entender até aqui é que: a origem do homem em sua totalidade e integralidade de suas dimensões, só podem ser contatadas a partir da conjugação da teoria da evolução e da criação. Isolar tais teorias impossibilita justamente uma explicação completa e cabal de toda a natureza humana.

A teoria da evolução por si só, é uma perspectiva científica, mas que não abrange toda a dimensão humana, como por exemplo a dimensão da alma, do espírito, onde se encontra tais atributos humanos e etc. Neste ponto, que entra justamente a conjunção da perspectiva criacionista, onde integra uma causalidade transcendente, superior a própria materialidade, para explicar alguns atributos do constitutivo ontológico do homem.

A Igreja católica e seu magistério, de forma cautelar, pouco a pouco vão fazendo justamente esta conjunção de ideias, admitindo as hipóteses evolucionista, aplicando-as ao homem, mas nunca de forma unilateral, mas em consonância com a ideia da criação, ou seja, fazendo valer ainda a origem do homem em sua profissão de fé, do qual crê que Deus é “Criador do céu e da terra”, que podemos conferir no escrito de Bento XVI: Criação e pecado.

Na questão da alma espiritual, a perspectiva criacionista entende que a causalidade divina é indissociável na questão dos processos evolutivos, e por ai, busca entender justamente a dinâmica que está por traz da criação e da alma. Segundo a teoria evolucionista, Deus foi criando, foi colocando a alma espiritual no homem ao passo que ele ia evoluindo biologicamente, ou seja, na medida em que o homem avança na dinâmica evolutiva, assim também, a alma lhe acompanha em seus momentos e etapas. A alma como uma ação gerada por Deus, um efeito que o próprio Deus colocou em sua criação.

Um fato que podemos destacar na teoria evolução, é que tal teoria mexeu no ego do homem, e por ela ser materialista, pois busca justamente uma explicação dos fenômenos da realidade que se apresenta, não propriamente quis rebaixar a dignidade humana, por mais que tenha mexido no seu ego, ao apresentar sua origem animal pré-histórica, pois o objetivo de fato, era a gênese do antropos. Obviamente que a dignidade do homem foi de certa forma abalada, mas este não era o objetivo propriamente da teoria da evolução.

O fato é que o homem se fazia de semi-deus por crer ser a imagem e semelhança de Deus, mas na verdade faz de Deus sua imagem, e a teoria da evolução mostrou que sua origem, é muito mais animal que mística, mas sem excluir seu lado metafísico.

Autor: Alifer Silveira, egresso do Curso de Filosofia da FASBAM da turma de 2020.

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