Filosofia da religião e a descrição do símbolo

Neste texto, teremos uma breve abordagem dos símbolos e de seus significados, salientando as diferenças com seus semelhantes, e acentuando suas características a partir da obra de José Severino Croatto, intitulada: As linguagens da experiência religiosa.

Quando falamos em símbolo, pensamos em muito, mas ao mesmo tempo não definimos nada, pois o símbolo ele é justamente uma chave de linguagem interna, que usamos para nos comunicarmos com algo. Na experiência religiosa, os símbolos são aqueles responsáveis da comunicação do homem com o divino, como uma espécie de elo de corrente, que une duas partes, como que o Sagrado e o Profano.

Todas as coisas, são compostas por dois sentidos: o sentido primeiro e o sentido segundo. O sentido primeiro, é como a coisa se apresenta, como aquilo que é realmente, e o sentido segundo, é aquilo que emprego no sentido primeiro que vai além do que é observado e do que a coisa realmente é, vejamos um exemplo: a lua; o sentido primeiro da lua, é ela mesma, apenas um satélite natural que orbita ao redor de nosso planeta; e o sentido segundo, é aquilo que simbolizo nela, como as “fases da vida”, pois ela regularmente passa por um ciclo que se renova, assim como a vida que passa por um ciclo e etc.

As coisas em si, não são munidas de símbolos, nós é que simbolizamos nas coisas, de modo que, os aspectos do objeto que é simbolizado, faz analogia a algo. No campo religioso, aquilo que é simbólico e sagrado, não se apresenta de forma universal, mas somente para quem faz a experiência da hierofania que pode ser definido como o ato de manifestação do sagrado, e que neste caso, com aquilo que é simbolizado; um exemplo prático é a cruz, onde para os católicos, é um sinal da redenção de Cristo, um símbolo preciosíssimo que remete à uma hierofania grandiosa. Diferentemente de quem não é, pois simboliza apenas um signo, que podemos entender como algo que representa aqueles que aderem a tal religião; um dado importante do signo, é que ele é muito semelhante ao símbolo, e é necessário um dado anterior a ele, uma experiência, por exemplo: Onde há fumaça, há fogo; para mim inferir que há fogo, devo anteriormente constatar que de fato há, para chegar a conclusão novamente que de fato onde tem fumaça tem fogo.

O que diferencia o signo do símbolo é que, o símbolo remete ao desconhecido, já o signo não; o símbolo ele trans-significa, ou seja, está além do significado, dá novo significado, ele liga o sentido primeiro ao segundo, ou seja, aquilo que atribuímos. E por isso ele tem uma característica muito peculiar, ele é polissêmico. Polissêmico podemos entender como a multiplicidade de significados que o fenômeno em si pode ter.

Outros aspectos do símbolo é que eles são sempre permanente e universal. Permanente pois, tomemos o exemplo anterior da lua, onde independente das descobertas cientificas feitas na lua, ela continua sendo objeto de simbolização, pois a atribuição de um símbolo não está propriamente naquilo que o objeto em si representa (sentido primeiro), mas naquilo que atribuo a ela em símbolos (sentido segundo). E também universal, pois alguns símbolos são peculiares, de modo que, existem povoados em regiões isoladas pelo fator do tempo e geográfico, ao qual não foi possível ter entre ambos, um contato ou uma troca de informação, mas observa-se que existem símbolos que tem a mesma característica sobre determinados fatos primários.

O símbolo, por se tratar de uma comunicação do sagrado, uma linguagem, traz em si um germe social, uma vez que comunica entre as pessoas a hierofania. Em algumas religiões em regiões especificas, os símbolos são tão específicos e sagrados, que são reservados apenas à alguns grupos de determinadas regiões, mostrando que o símbolo tem também uma característica cultural.

Mas afinal de contas, pode-se pensar num fim do símbolo? A resposta é fácil, sim e não. Os símbolos perdem seu sentidos quando isolados e decifrados, exclusivamente fora do contexto religioso. Se pegarmos por exemplo uma parábola da Bíblia e analisa-la fora do contexto religioso, aqueles personagens que são munidos de símbolos, tornam-se apenas meros personagens de uma história, perdendo todo seu símbolo, frente ao significado empregado no contexto religioso. Mas quando observados no contexto religioso, não. Isto nos mostra que eles podem ter seu fim dependendo como for observado, pois fora, torna-se apenas o que é (sentido primeiro), e no contexto religioso, remonta toda uma linguagem religiosa que transporta ao sagrado, de modo que, ao ser explicado, perde o sentido.

Autor: Alifer Silveira é estudante do 3º ano do Curso de Filosofia da FASBAM e religioso da Congregação dos Filhos da Pequena Obra da Divina Providência – Orionitas.

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