A relação entre ciência e religião segundo o pensamento de Rubem Alves

A história do homem, em todos os seus momentos, ou pelo menos na maioria deles, é rodeada pela relação entre ciência e religião, mesmo que estas estejam disfarçadas com outros nomes, como razão e mito, desde a filosofia antiga, os primeiros pensadores já refletiam sobre estes dois aspectos da vida humana, e de como eles interferiam na vida do ser humano; muitas vezes quando a ciência (podemos chamar aqui de razão) não era capaz de explicar algum fenômeno, os filósofos buscavam a explicar o acontecimento através de uma visão religiosa (o mito).

Ao longo da história da filosofia, surgiram várias linhas de pensamento e filósofos, que trataram a respeito da relação entre a ciência e a religião, porém, as que se destacaram foram três: em primeiro lugar, temos antinomia, onde vemos que há uma completa separação, entre ciência e religião; em segundo lugar temos a complementariedade, já esta linha de pensamento, trata a relação entre ciência e religião sobre uma visão complementar, ou seja, onde as duas maneiras de enxergar a realidade ajudam uma a outra; e por fim a da continuidade, que como o próprio nome já diz que as duas maneiras de ver a realidade continuam a outra, sem interrupções. Iremos ver, neste texto, o pensamento do filósofo e teólogo Rubem Alves, que em seu livro O Enigma da Religião trata do tema proposto.

Em sua obra, quando trata de religião, Rubem Alves,[1] diz que não existe, ao longo da história, alguma cultura que não tenha produzido qualquer forma de religião, e ainda que o fascínio que o ser humano possui por ela, decorre pelo fato de não compreende-la, mas, ainda que hoje em dia, haja uma produção enorme de conteúdos que tentam definir o que é religião, qualquer definição que possamos usar acerca do termo, não irá passar de um mero palpite. Rubem Alves procura entender a religião como que a partir de uma experiencia estética, que é cheia de símbolos gestos, e sentimentos, como ele próprio dá o exemplo de uma sinfonia de Beethoven, que ainda que seja apreciada por muitas pessoas  é,  uma experiencia particular para cada indivíduo, pois cada um tem uma história diferente e carrega sentimentos únicos, tornando como já dito, uma experiencia única, uma vibração, como é proposto, ou seja, logo, de acordo com o autor, não existe uma resposta unívoca para o problema.

Em relação à ciência, Rubem Alves[2] diz que, a linguagem científica, tem a pretensão de descrever o mundo, e a linguagem religiosa; procura exprimir como o homem vive em relação ao mundo de uma maneira racional. A ciência acredita ser capaz de resolver todos os problemas da vida humana. O autor afirma que a ciência procura racionalizar a experiencia (neste caso a experiência religiosa), limitando as vibrações apenas a características e propriedades que determinam um objeto, sendo assim, levando em conta só aquilo que pode ser observado e nada mais.

Com isto, percebemos que para o autor, a ciência e religião são duas formas totalmente diferentes de enxergar a realidade, e com isto estão totalmente separadas uma da outra, cada uma seguindo para o seu lado. Enquanto a religião parte das experiencias e vibrações únicas de um indivíduo, tratando a experiencia religiosa como um hífen entre o homem, e o divino; a ciência, busca tratar a realidade de uma maneira concreta, objetiva e racional, limitando-se apenas a estudar as características do objeto, sendo capaz de demonstrar, as notas, tons, ou frequências de um objeto artístico, porém não será capaz de captar a essência da experiencia religiosa.

[1] Alves, Rubem Azevedo. O enigma da Religião. 4.ed. Campinas: Papirus, 1988. p. 33.

[2] Ibid.

Autor: Rafael Lucachinski Costa, estudante do 2º ano do Curso de Filosofia da FASBAM e seminarista da Diocese de Paranaguá.

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