Cem mil histórias…

Prof. Thiago Onofre Maia

Nas cidades avançam destrutivas,
Sombras tristes de dor e sofrimento;
As pessoas sempre mais apreensivas
Pela onda maior desse tormento,
Cujas forças apressam agressivas,
Dilatando do luto o movimento:
Sofre o mundo, e mais sofre o Brasil,
Pois seus mortos já passam de cem mil.

A ciência apressa seus estudos,
Mas distantes estão as descobertas.
As pesquisas, os modelos quase mudos
Não apontam ainda vias certas,
E do vírus os males mais agudos
Vão deixando as vidas mais desertas:
Assustada, a nação pergunta assim:
Esta praga estará perto do fim?

O empenho que faz toda a nação
Ou é pouco ou não é suficiente,
Porque intensa é a dor do coração
Na partida solitária de um parente:
Mais ainda é aguda a sensação
Não poder despedir-se de um ente,
Que ao campo dos mortos nesse dia
Desce só, sem cortejo ou liturgia.

Até quando será essa desgraça
Que agora ao mundo inteiro afeta?
É um preço imposto a nossa raça
E a cobrança precisa de uma meta?
Ou será cumprimento de ameaça
Proferida por boca de um profeta?
Tudo isso pode ser questionado,
Mas não se nega o pérfido resultado.

Vidas foram, ficaram as memórias
Das pessoas que agora são saudade,
Copiaram, por vezes, as histórias
De uma peste que fere à humanidade.
Muitas lutas travadas, solitárias
Com angústias, temores, mas vontade
Que a morte venceu, por sua herança,
Entretanto, não vence à esperança!

Ó Brasil, tão Brasil, muito lamenta
Cada filho perdido nesta guerra!
Nossa culpa comum ainda é lenta,
Na memória, porém, em nós encerra
O sentimento ruim que se fomenta
Pela falta de brio de nossa terra:
A educação que instrui e salva vida
Bem distante está dessa medida!

À espera de remédios preventivos,
Cada um pense e faça a sua parte.
Se o que se têm são só paliativos
O cuidado é o bem que se comparte
Para que esses zelos curativos
Sejam sim o valor, o estandarte:
E se detenha do vírus a campanha,
Para que essa luta será ganha!

Deus que sabe e conhece o visível
Que existe neste mundo e mais além;
A matéria sensível e insensível
Em qualquer parte, ele vê e nota bem;
Que perscruta até mesmo o invisível
Sabe a nossa limitação também:
Vinde agora e socorrei a vossa gente
Por Jesus, o Senhor Onipotente!

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