A concepção de areté nos poetas gregos: Homero e Hesíodo

Na antiga cultura grega, a educação tinha um importante valor, pois, a mesma era parte integrante na formação humana. A formação do homem estava de acordo com ideal de imagem do homem tal como ele deve ser para a sociedade grega, dessa forma, a totalidade do homem em sua índole, comportamento exterior e ato interior. A educação, como diz Jaeger, não era outra coisa senão a forma aristocrática, progressivamente espiritualizado, duma nação[1]. O essencial da educação grega permanecia intensamente ligado ao conceito de areté.

A palavra areté está ligada a outra palavra grega chamada aristos, que designava a classe dos nobres, enquanto areté significa força, capacidade. Os gregos avaliavam os homens a partir de sua força, ou melhor, de sua excelência. Além dessa avaliação dos gregos, eles entendiam a areté de dois modos, vigor e saúde, era chamado areté do corpo e, sagacidade e penetração era chamado areté do espírito. Homero era considerado o grande educador do mundo grego, areté homérica irá passa por toda a cultura grega, de fato, será uma grande contribuição da parte do poeta. O conceito de areté será frequentemente usado em seu sentido mais amplo, isto significa, que a excelência humana e a superioridade do homem estavam sobre os seres humanos e os não seres humanos.

Homero viveu por volta de 850 a. C, provavelmente nasceu na Ilha de Quios (Χίος), foi o autor de duas obras importantes, Ilíada e Odisseia, consideradas as maiores obras da Antiguidade. Na visão de Homero, principalmente em suas obras aparecem pela primeira vez a palavra areté, na obra Ilíada é presente a figura do guerreiro, nesta perspectiva, o guerreiro era valorizado ao ápice, o desejo do guerreiro era sempre ser o primeiro, sempre vencer, dessa forma, designa a palavra areté a força dos lutadores buscando sempre a heroicidade, o grego tem uma forte ânsia de conquista, era de fato insaciável, pois, o valor da vida humana era ser honrado por todos e principalmente morrer como um herói.

Na obra Odisseia, apresenta areté traços diferentes da Ilíada, a qual ocorre depois da guerra de Troia que durou aproximadamente dez anos, o grande modelo de herói dos gregos era Aquiles, era considerado um homem, jovem, forte, belo e corajoso. O homem busca outro esforço para a vida, deixando de certa maneira a supremacia em chegar ao primeiro prêmio da vida. A característica da Odisseia era que o homem, era um ser prudente e astucioso, ora, era necessário buscar outras excelências para a vida do homem, visto disso, a valentia do guerreio não era apenas e a única força que o homem poderia utilizar em suas ações.

O poeta Hesíodo vivei por volta de 800 a. C, a areté para ele consiste totalmente diferente de Homero, neste caso, vale ressaltar que no fim da Odisseia, o poeta Homero nos apresenta a areté sendo um aspecto cauteloso, por conseguinte, Hesíodo ver a força do homem no suor do seu trabalho. O poeta Hesíodo entende a areté sendo o trabalho digno do homem, ou seja, o homem deve conseguir seu pão com o suor do seu rosto e, não nos atos ambiciosos exigidos pela aristocracia. Jaeger deixa clara, que a areté em Hesíodo se baseia na habilidade pessoal, no seu êxito e bem-estar, tal como ela apresenta seus dois pilares a justiça, a qual ele atribui a Zeus, e o trabalho sobre o qual a areté se assenta[2].

O sentido de areté para Hesíodo está no conselho que ele escreve para seu irmão Perses, neste sentido a areté é uma vida simples, buscando sempre o essencial para vida, sem querer honras, grandes reconhecimentos ou alto cargos, o trabalho para ele é o mais alto valor, por isso, o trabalho que o homem exerce não é vergonhoso, o que é vergonhoso é a ociosidade, o trabalho é o valor e a única coisa mais justa na índole do homem[3].

Observando todos esses argumentos podemos concluir que a areté não possui apenas um sentido inerente, mas pode ser entendida através dos poetas arcaicos, Homero e Hesíodo, salientado deste ponto de vista a contribuição de ambos. Falar sobre areté nos proporciona uma discussão minuciosa, pois, há grandes diferenças entre os poetas, enquanto um diz ser a areté a valentia do guerreiro o outro nos transmiti o esforço do trabalho humano.

REFERÊNCIA:

JAEGER, Werner. Paidéia: a formação do homem grego. Trad. Artur M. Parreira. São Paulo: Martins Fontes, 1995.

[1] Cf. JAEGER, Werner. Paidéia: a formação do homem grego. São Paulo: Martins Fontes, 1995. p. 25.

[2] Ibidem, p. 100.

[3] Ibidem. p. 102.

Autor: Phaulo Rycardo Souza Guilhon é estudante do 1º ano do Curso de Filosofia da FASBAM e seminarista da Sociedade do Apostolado Católico – Padres e Irmãos Palotinos.

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