Discurso aos Jovens de Basílio de Cesareia

Sobre o modo de tirar proveito da literatura pagã

Conselhos “paternos”. 1. Muitos são os motivos, meninos, que me induzem a dar-vos estes conselhos que julgo serem os melhores e que, segundo a minha opinião, vos serão úteis se os aceitardes.

2. A minha idade e a experiência adquirida através de tantas provas, e ainda mais por ter participado das diversas vicissitudes da vida das quais tudo se aprende, me tornaram tão prático nas coisas humanas, a ponto de estar em grau de indicar, por assim dizer, o caminho mais seguro a quem agora está começando a vida.

3. Por outro lado, por um vínculo natural me encontro perto de vós, já após os genitores, tanto de poder demonstrar-vos, eu mesmo, um afeto não menor que o deles; mas também vós, se não me engano no meu juízo, penso que não havereis de sentir a falta dos pais, voltando para mim a vossa atenção.

4. Se, pois, desejais acolher com prontidão (de espírito) as minhas palavras, fareis parte do segundo grupo daqueles que em Hesíodo são objetos de louvor; de outra forma, não serei eu a dizer-vos algo desagradável, mas vós mesmos com certeza recordais aqueles versos nos quais ele afirma que o melhor de todos é aquele que conhece por si mesmo os seus deveres, é pessoa sábia também o que os segue por indicação dos outros, enquanto é um néscio quem é incapaz de uma e de outra coisa.

Em contato com os autores na escola. 5. Não vos surpreendeis se a vós, que frequentais todos os dias a escola e vos entreteis com os homens mais ilustres da antiguidade por meio de seus escritos, eu afirmo ter encontrado por minha conta algum importante proveito.

Autonomia no julgamento. 6. E é justamente este o conselho que pretendo dar-vos, isto é, que não deveis segui-los indiscriminadamente para onde quer que eles vos conduzam, como que entregando-lhes uma vez para sempre o timão da vossa inteligência, mas, acolhendo o quanto eles têm de bom, saibais também aquilo que é preciso rejeitar.  7. Quais sejam essas escolhas e com que critério devem ser feitas, me atenho a explicá-lo sem demora.

II

Superioridade da vida do espírito. 1. Nós não temos em conta alguma, meninos, a vida do homem neste mundo, nem consideramos ou declaramos como verdadeiro bem aquilo que representa uma utilidade limitada exclusivamente à nossa vida terrena. 2. Não a nobreza por nascimento, portanto, não a força física, não a formosura nem a estatura, não as honrarias do mundo inteiro, nem a realeza, nem qualquer realidade humana é grande ou mesmo que somente auspiciosa, segundo a nossa opinião; nem mesmo olhamos com admiração a quem possui essas coisas, mas avançamos bem mais além com as nossas esperanças, e toda a nossa ação é dirigida para prepararmo-nos para uma outra vida. 3. Portanto, aquilo que nos ajuda à consecução dessa vida deve ser amado e buscado com todas as forças e, pelo contrário, deve-se deixar de lado como coisa insignificante aquilo que não serve para a conquista daquela vida.

4. Qual seja, então, essa vida e onde e de que modo a viveremos, de um lado seria um assunto demasiado vasto para fazer parte do nosso objetivo e, de outro lado, isso resguardaria interlocutores mais maduros que vós.

Sombra e sonho. 5. Talvez poderia dar-vos uma ideia adequada dizendo-vos somente o seguinte: se alguém abraçasse e juntasse todas as alegrias do gênero humano, veria que elas não se comparam com a menor parcela daquela felicidade (da outra vida); veria, pelo contrário, que os bens aqui de baixo todos juntos estão distantes em valor do mínimo dos bens eternos, assim como são distantes um do outro a sombra e o sonho da própria realidade. 6. Ou melhor, para usar um exemplo mais adequado, o quanto a alma é superior ao corpo, assim a vida futura supera a terrena.

A literatura pagã propedêutica para o conhecimento dos mistérios cristãos. 7. Àquela vida certamente nos conduzem as Santas Escrituras, amestrando-nos mediante os mistérios. Mas até que, por razão de idade, não se consegue compreender o significado profundo desses mistérios, nós nos exercitamos com o olhar da alma sobre outros livros, não totalmente diferentes, como que olhando as sombras e nos espelhos, imitando aqueles que cumprem exercícios militares. Estes, pela prática adquirida nos exercícios das mãos e do salto, depois, nas batalhas, tiram vantagem desse adestramento.  8. Ora, devemos nos convencer que nos encontramos ante um combate que é o maior de todos, e por isso devemos fazer de tudo e empregar todos os esforços para nos prepararmos a essa batalha, devemos nos familiarizar com os poetas, historiadores, oradores e com todos aqueles dos quais se possa tirar alguma utilidade para o cuidado pela nossa alma.  9. Como os tintureiros, que primeiro preparam com certos tratos um tecido apto a receber a tinta, depois aplicam uma cor, a púrpura ou de outro gênero, assim também nós, se desejamos que a ideia do bem permaneça indelével em nós, depois de nos dedicarmos justamente a esses estudos profanos, entenderemos então os mistérios das sagradas doutrinas; e uma vez habituados a ver, por assim dizer, o sol na água, dirigiremos o olhar à própria luz.

III

Confrontar os clássicos com a doutrina evangélica. 1. Se existe alguma afinidade recíproca entre duas doutrinas, o conhecimento de ambas só nos poderá ser útil; se porém não existe afinidade, o fato de colocá-las em confronto e reconhecer as diferenças nos ajudará não pouco a confirmarmo-nos na melhor delas.  2. Mas a que podemos comparar os dois ensinamentos para termos uma imagem? Eis como: como é potencialidade própria de uma planta cobrir-se de frutos da estação, e também as folhas, que com o vento fazem rumor nos ramos, formam um certo ornamento, assim também para a alma o fruto principal é a verdade, e no entanto não é de fato desagradável que se revista de sabedoria profana, como as folhas que oferecem proteção ao fruto e ao mesmo tempo proporcionam uma visão agradável.

O exemplo de Moisés e de Daniel. 3. Diz-se justamente que o grande Moisés, cuja fama de sábio é grandíssima entre todos os homens, primeiro exercitou a mente com as ciências egípcias, e daí dedicou-se à contemplação do Existente.  4. E da mesma forma que ele, embora em tempos mais recentes, narra-se que o sábio Daniel tinha sido instruído na Babilônia na ciência dos caldeus e posteriormente dedicou-se ao estudo das doutrinas divinas.

IV

Critérios para uma leitura útil dos clássicos. 1. Que estas ciências profanas não são inúteis para a alma já foi dito o bastante; agora seria bom explicar de que modo deveis usá-las.

Os poetas. Ulisses e a sereia. 2. Antes de tudo, as narrativas dos poetas, para começar com eles: tratando-se de escritos que contêm todo o tipo de argumentos, não se deve dar crédito a todos eles indistintamente, mas quando apresentam fatos ou ditos de homens extraordinários, então devem ser acolhidos de bom grado, segui-los com espírito de emulação e fazer de tudo para imitá-los; quando, porém, passam a representações de homens perversos, estas então devem ser evitadas, tapando as orelhas, não menos como fez Ulisses, como dizem os mesmos poetas, ao canto das sereias. 3. Porque habituar-se aos maus discursos é um caminho que conduz a ações malignas. Deve-se, por isso, exercer com todo o cuidado uma vigilância sobre a alma, para evitar que ela acolha, sem perceber, alguma ideia perversa através da sedução dos discursos, à maneira daqueles que, junto com o mel, tomam veneno.  4. Não daremos, portanto, a nossa aprovação aos poetas quando estes fazem os seus personagens falar uma linguagem blasfema ou indecente, ou quando representam amores ou bebedeiras, e também não quando reduzem a felicidade a uma mesa bem abastada e a canções licenciosas.

O politeísmo dos pagãos. 5. E menos de tudo daremos crédito a eles quando se põem a discorrer de qualquer maneira sobre os deuses e principalmente quando os descrevem dando a entender que são muitos e além disso em desacordo entre eles. Nos seus escritos, com efeito, o irmão está contra o irmão, o pai contra os filhos, e estes, por sua vez, fazem uma desapiedada guerra contra os genitores.  6. Os adultérios, os amores e as desabridas relações entre os deuses, especialmente de Júpiter corifeu e soberano, como eles dizem, sobre todos os outros, estas coisas, das quais uma pessoa ficaria enrubescida, mesmo se falasse referindo-se aos animais, nós as deixaremos aos atores de teatro. O mesmo posso também dizer sobre os prosadores, sobretudo quando escrevem para deleitar os leitores.

Historiadores e oradores. 7. Quanto aos oradores, não imitaremos a sua arte enganadora. Porque a nós não convém a mentira, nem diante dos tribunais, nem em qualquer outra atividade: a nós que escolhemos o caminho reto e veraz na vida e a quem são proibidas por preceito as litigações processuais. Faremos nosso, no entanto, tudo o que eles dizem em louvor à virtude e condenação do vício.

O exemplo das abelhas. 8. Como as abelhas, em diferença de outros animais que se limitam ao gozo do perfume e do colorido das flores, sabem tirar delas também o mel, da mesma maneira aqueles que nesses escritos não procuram somente o deleite e o prazer, podem também haurir deles alguma utilidade para a alma. 9. Devemos, pois, utilizar aqueles livros seguindo em tudo o exemplo das abelhas. Estas não vão indistintamente a todas as flores, e também não procuram levar tudo o que encontram nas flores sobre as quais pousam, mas extraem somente aquilo que serve para o fabrico (do mel) e deixam o resto. Assim também nós, se somos sábios, tomaremos daqueles escritos o que nos serve e é conforme a verdade, e deixaremos de lado o resto. 10. E como nos pomos a colher flores do roseiral evitando os espinhos, assim igualmente, colhendo dos livros dos pagãos o que nos é útil, devemos guardar-nos daquilo que nos é nocivo. 11. A primeira coisa que se deve fazer, pois, é examinar atentamente toda a doutrina e adaptá-la ao nosso fim, colocando, como diz o provérbio dórico, “passando a pedra pelo esparto”.

V

A virtude critério de escolha. 1. Visto que é necessário viver a nossa vida conforme a virtude e, de outra parte, justamente ao elogio da virtude dedicaram muitos escritos os poetas, os prosadores e ainda mais os filósofos — a tais escritos devemos sobretudo dirigir a nossa atenção. 2. Que no ânimo dos jovens nasça uma certa familiaridade com a virtude e um hábito de virtude, já que tais ensinamentos permanecem indeléveis por natureza, imprimindo-se profundamente na alma sensível dos jovens.

A exortação de Hesíodo. 3. E para que fim senão para exortar os jovens à virtude devemos pensar que Hesíodo compôs estes versos que estão na boca de todos: “Áspero, diz ele, e difícil, cheio de suor e fadigas, e íngreme é o caminho que conduz à virtude”? 4. Por isso, nem todos estão em grau de ascender por ele, pela sua ingremidade, ou de chegar facilmente ao cume uma vez tomado esse caminho. Mas quem consegue chegar lá, pode ver do alto como ele é plano e belo, e como é fácil e praticável e mais agradável que o outro que conduz ao vício e que, como diz o mesmo poeta, é de fácil e cômodo acesso.  5. Portanto, parece-me que Hesíodo tenha escrito assim unicamente para nos exortar à virtude e para estimular todos nós para a prática do bem e para que não renunciemos de chegar à meta, desencorajados pelas provas que enfrentamos.  6. E, naturalmente, se também alguém outro tenha tecido semelhantes elogios à virtude, acolheremos as suas palavras enquanto elas conduzem ao mesmo fim.

Homero cantor da virtude. 7. Ora, como eu mesmo ouvi um importante intérprete do pensamento dos poetas afirmar, toda a poesia de Homero é um elogio da virtude e todo o seu discurso, exceto aquilo que é secundário, conduz a esse fim; em particular lá onde ele representa o chefe dos cefalênios que se salvou do naufrágio, ficando nú: ele, mais que tudo, inspirou respeito na princesa somente com a sua presença: esteve bem longe de ruborizar-se por ter sido visto nú, porque o poeta o havia adornado de virtude à maneira de vestes.

Ulisses entre os Feácios. 8. Posteriormente foi tão estimado pelos outros feácios que estes, após ter abandonado os prazeres no meio dos quais viviam, olhavam-no com admiração e desejo de imitação, e nenhum deles naquele momento desejava ser outro que Ulisses e, além disso, Ulisses salvo do naufrágio. 9. Justamente nesses versos, afirmava o intérprete do pensamento do poeta, Homero nos diz quase bradando: “Ó homens, deveis praticar a virtude que acompanhou o náufrago no mar e, uma vez tendo chegado à terra, o tornará, mesmo estando nú, mais respeitável que os afortunados feácios”. 10. é justamente assim. Enquanto outros bens não pertencem a quem os possui mais do que para algum outro homem, passando de uma pessoa para outra, como no jogo de dados, somente a virtude é um bem inalienável e permanece conosco durante toda a vida e após a morte.

Solon. 11. É por este motivo, penso eu, que também Solon dirigia-se aos ricos da seguinte maneira: “Nós não trocaremos a virtude pela riqueza; porque a virtude permanece estável, as riquezas porém passam de um proprietário para outro”.

Teognides. 12. Analogamente se expressa Teognides quando diz que deus — qual seja a divindade a que se refere — faz pender o prato da balança ora para um lado, ora para outro, motivo pelo qual os homens “ora são ricos, ora não têm nada”.

Pródico de Ceos. 13. Mas também o sofista de Ceos num certo trecho de seus escritos raciocina mais ou menos da mesma maneira acerca da virtude e do vício; e também a ele devemos prestar a nossa atenção, porque não é um homem a ser desprezado.

A escolha de Heráclio. 14. Este é mais ou menos o discurso do filósofo, atendo-se àquilo que a minha memória recorda sobre o seu pensamento, porque não lembro as suas palavras precisas, mas sei que se expressava em prosa e em palavras simples, como estas: quando Heráclio era muito jovem, tendo aproximadamente a mesma idade que a vossa, estando para decidir que caminho tomar: se aquele que através de fadigas conduz à virtude ou o outro mais fácil, aproximaram-se dele duas mulheres, uma era a virtude, a outra, o vício. 15. Embora estivessem caladas, deixavam de imediato transparecer com as suas atitudes a diferença que as distinguia. Uma delas, de fato ostentava toda a beleza da sua afetada figura, se desmanchava em impudente languidez e fazia todas as demonstrações de voluptuosidade: fazia toda uma exibição e, prometendo muito mais, procurava atrair Heráclio a si. 16. Outra, pelo contrário, era magra e pálida, o olhar austero; fazia um discurso totalmente diferente: não prometia nem licenciosidade nem prazeres, mas suor sem fim, fadigas e perigos por terra e mar; o prêmio, porém, por tudo isso era o tornar-se deus, como dizia a narrativa de Pródico; foi a esta última que Heráclio finalmente se decidiu seguir.

VI

Coerência entre palavrae e ações. 1. Quase todos os autores, enfim, renomados pela sua sabedoria, fizeram o elogio da virtude nos seus escritos: a eles devemos ouvi-los e procurar expressar na vida as suas palavras. 2. Porque aquele que confirma a virtude com fatos, enquanto que os outros a restringem somente a palavras, “é o único sábio; os outros são sombras fugazes”.  3. E isto me faria pensar na comparação de um pintor que reproduzisse uma figura humana de maravilhosa beleza, e aquele homem fosse na realidade tal qual como o artista o pintou.

4. Visto que publicamente são tecidos esplêndidos elogios da virtude e se fazem sobre ela longos discursos, enquanto que depois privadamente se antepõe o prazer à temperança, a cobiça à justiça, isto se assemelha, diria eu, aos atores de teatro, os quais frequentemente se apresentam em roupagens de reis e príncipes, sem serem realmente reis nem príncipes, e talvez nem sequer homens livres. 5. Assim, um músico não consentiria, no que dependesse dele, ter uma lira desafinada, nem um dirigente de coro aceitaria ter um conjunto coral que não fosse perfeitamente harmônico; e poderia alguém contradizer-se a si mesmo e viver sua vida em evidente desacordo com as suas palavras? 6. Ou, diria com Eurípides, que “foi a língua que jurou, não o coração”, e se procurará aparentar ser bom antes que sê-lo de fato? Mas — se deve-se dar um certo crédito a Platão — o máximo da iniquidade é aparentar ser uma pessoa honesta e não sê-lo de fato.

VII

Exemplos de virtude no mundo pagão. 1. Portanto, aqueles escritos que contêm as máximas sobre a honestidade, nós a faremos nossas desta maneira. Mas já que as ações virtuosas dos antigos chegaram até nós por meio de uma tradição contínua ou conservadas nos livros dos poetas ou dos prosadores, não devemos transcurar a utilidade que deles decorre.  Pericles. 2. Por exemplo: um indivíduo do povo que estava na praça injuriava Péricles, mas este não reagia, e assim continuaram o dia inteiro a cobri-lo de ultrajes sem piedade e este a não ligar para eles. 3. Depois, ao chegar a tarde e caindo a escuridão, Péricles acompanhou com uma lanterna aquele sujeito que de má vontade estava indo embora, não querendo perder a ocasião de exercitar-se na virtude. Um outro indivíduo, muito encolerizado contra Euclides de Megara, jurou que iria matá-lo, mas este respondeu jurando, por sua vez, que queria acalmá-lo e fazê-lo desistir da cólera contra ele. 5. Como nos seria útil se a nossa memória recordasse alguns desses exemplos, quando somos tomados pela ira! Porque não se deve dar crédito à tragédia quando ela afirma que a cólera arma a mão contra os inimigos; o melhor de tudo é não cair na cólera de modo algum, e se isso não é fácil, opor pelo menos o freio da razão ao impulso da ira e não se deixar arrastar por ela.

Sócrates. 6. Mas retomemos o discurso dos exemplos de ações virtuosas. Um homem começou a bater em Sócrates, o filho de Sofronisco, esbofeteando sem piedade o seu rosto; este, porém, não reagia, mas deixou que o demente desabafasse toda a sua ira, até que o seu rosto ficou todo inchado e cheio de marcas por causa das bofetadas. 7. E quando aquele sujeito parou de bater, Sócrates não fez outra coisa, segundo se conta, que colar na sua face a seguinte escrita, como a que um artista colocou sob sua estátua: “obra de tal … “; e esta foi a sua vingança. Tais exemplos, que quase coincidem com os nossos preceitos, segundo o meu juízo merecem muito serem imitados pelos jovens como vós.  8. Porque essa atitude de Sócrates corresponde àquele preceito que propõe, bem longe de opor resistência, oferecer a outra face a quem nos bate. E o exemplo de Péricles ou aquele de Euclides é conforme o preceito de suportar os perseguidores e de aguentar pacientemente a sua cólera, e ao outro que prescreve rezar pelo bem dos inimigos e não proferir imprecações contra eles. E assim, quem for primeiro formado de acordo com esses exemplos, não poderá mais considerar impossível a prática dos preceitos evangélicos.

Alexandre, O Grande. 10. Não queria silenciar sobre a atitude de Alexandre, o qual, após ter aprisionado as filhas de Dario, que tinham a fama de serem muito formosas, não quis nem olhar para elas, considerando ser uma vergonha que o vencedor de homens se deixasse dominar pelas mulheres.  11. Esse comportamento concorda plenamente com as palavras do Evangelho: “quem olha para uma mulher com olho concupiscente, mesmo que não consuma de fato o adultério, mas por ter acolhido o desejo concupiscente na sua alma, não é isento de culpa”.

Clinias. 12. Também do exemplo de Clínias, um discípulo de Pitágoras, é difícil crer que está de acordo com os nossos preceitos somente por acaso e não por uma intenção de imitação. 13. Que fez ele? Com um juramento teria podido evitar o pagamento de uma multa de três talentos, mas preferiu pagá-la que jurar, ainda que tivesse jurado a verdade, porque, segundo a minha opinião, tinha compreendido que existe um mandamento que nos proíbe jurar.

VIII

O propósito determina a vida. 1. Mas retomemos o argumento do qual falei no início, isto é, de que não se deve aceitar tudo indistintamente, mas somente aquilo que tem valor. 2. Porque seria vergonhoso que, enquanto se evitam os alimentos nocivos, não se usasse nenhum discernimento no tocante às doutrinas que constituem o alimento da nossa alma, mas como que arrastando todas as coisas como uma torrente, recolhêssemos tudo o que encontramos. 3. E, além disso, seria sensato que, enquanto o timoneiro não se entrega ao sabor do vento, mas guia o navio para o porto, o arqueiro lança os dardos num alvo, o ferreiro e o carpinteiro miram o objetivo da sua arte, nós porém nos deixássemos ser superados por esses artesãos, justamente quanto ao saber reconhecer os nossos interesses? 4. Não é possível que a atividade dos artesãos tenha uma finalidade, e não tenha porém a vida uma finalidade, à qual deve dirigir o seu olhar em todas as suas ações e discursos aquele que pelo menos não quer assemelhar-se totalmente aos animais privos de razão; 5. de outra forma, seremos em verdade como navios sem leme, privados da guia da razão ao timão da alma, arrastados para cá e para lá no curso da vida. 6. Mas acontece como nas competições de ginástica e, se quisermos, também nas competições musicais: os ensaios e exercícios devem ser apropriados àquelas competições nas quais se aspira conquistar a coroa, e ninguém que se exercitou na luta ou pugilato põe-se depois a tocar a cítara ou a flauta.

O exemplo dos atletas. 7. Polidamante certamente não fazia assim, mas antes de apresentar-se para a competição Olímpica, ele segurava carros em movimento e dessa maneira ele aumentava a sua força física. Assim também Milon, que não se deixava separar de seu escudo engraxado de óleo, mas resistia aos empurrões como se fosse uma estátua fixada no chão com chumbo. Numa palavra, os exercícios que eles faziam preparavam-nos para as competições. 8. Se, em vez disso, tivessem eles dado ouvidos ao som da música dos dois frígios, Marsia e Olimpo, abandonando a poeira e os ginásios, poderiam eles obter facilmente coroas e glória? Não, certamente, e deveriam por-se em fuga por causa do vexame nas provas atléticas.

O poder da música. 9. Por outro lado, Timóteo não deixava de lado a música para estar nos ginásios de lutas. De outra forma, não poderia distinguir-se sobre todos na música, ele que possuía uma habilidade tão superior de ser capaz, quando queria, de elevar o ânimo com uma melodia grave e forte e depois acalmá-lo e abrandá-lo com uma música suave. 10. Assim que um dia, tocando na gaita ao modo frígio para Alexandre, fê-lo saltar da mesa e correr às armas e, em seguida, tocando uma música suave, fê-lo retornar junto aos comensais. Essa força, em busca de um fim, tanto na música como em competições atléticas, desenvolve-se pelo exercício.

11. Já que fiz menção de coroas e atletas, (quero acrescentar que) aqueles, depois de se terem submetido a mil exercícios e de terem aumentado, por muitos meios, a sua força física, depois de tanto suor nas fadigas em exercícios de ginástica e depois de terem sido, não poucas vezes, açoitados pelo instrutor de ginástica, depois de terem escolhido um estilo de vida, não a mais agradável, mas aquela que se exige de um atleta, e comportando-se em tudo o resto — para dizê-lo em breves palavras — de modo tal que o tempo que antecede as competições não seja mais que um exercício preparatório à própria competição, só então descem à arena no estádio, enfrentam esforços e perigos de todo o tipo para conquistar uma coroa de oliveira ou de aipo ou de outro gênero e para serem proclamados vencedores pelo árbitro . 12. E nós, a quem são oferecidos pela nossa vida prêmios tão maravilhosos em número e grandeza que não se pode expressar, se dormimos sobre dois travesseiros e vivemos despreocupadamente, poderemos talvez alcançar esses prêmios com grande facilidade? 13.Então a vida passada no ócio teria um grande valor, e o famoso Sardanapalo teria sido o mais feliz de todos, ou também aquele Margite, o qual não se preocupou em arar nem em carpir nos campos, nem foi capaz de qualquer outro trabalho na vida, — atendo-se àquilo que narra Homero, se a narrativa é mesmo de Homero. 14. Mas, não é verdadeiro o dito de Pitaco, isto é, que é coisa árdua ser virtuoso? Em verdade, é fazendo muitos esforços na vida que nos será possível conseguir, não sem dificuldade, aqueles bens, dos quais, como foi dito anteriormente, não existe nenhuma imagem na realidade humana. 15. Não devemos, portanto, viver no ócio, nem trocar grandes esperanças pelo prazer de uma lassidão efêmera, se não quisermos ser objetos de repreensão e sofrer punições, não por parte de homens aqui na terra — se bem que isso não seja pequena coisa para um homem que usa da razão — mas nos lugares de castigo nos subterrâneos ou em outra parte onde se encontrem. 16. Porque a quem faltou ao próprio dever involuntariamente, Deus ainda poderá conceder o seu perdão; mas quem escolheu o mal deliberadamente, não terá nenhuma justificativa para fugir da severidade do castigo.

IX

Não se deve ser escravo do corpo. 1. O que se deve, então, fazer? — perguntará alguém. Que outra coisa senão cuidar da alma, deixando de lado tudo o resto? Não se deve, por isso, servir ao corpo a não ser nos limites da estreita necessidade; 2. mas se deve oferecer à alma o melhor dos nossos cuidados, libertando-a mediante a “filosofia”, como de um cárcere, dos seus vínculos com as paixões do corpo e, ao mesmo tempo, tornando o corpo vitorioso sobre as suas paixões: procurar dar ao ventre somente o que for necessário, não porém os refinos do prazer, como aqueles que procuram por terra e mar os peritos da mesa e cozinheiros especiais, sendo como que tributários de um tirano exigente, dignos de piedade pela sua aflição, sujeitos como são de serem atormentados não menos duramente que os condenados ao Hades : gente que pretende fiar ao fogo, carregar água numa peneira e encher um barril furado, sem encontrar um fim às suas fadigas.

Feminidade e dignidade do homem. 3. Também o cuidado excessivo pelos cabelos e pelas vestes, segundo o dito de Diógenes, é coisa de pessoas infelizes ou iníquas. Por isso, eu digo que jovens como vós devem considerar como coisas indigna ser ou ter fama de efeminados ou, pior ainda, entregar-se à prostituição ou ao adultério. 4. Que importância pode ter, pelo menos para quem tem bom senso, vestir-se com uma túnica finamente tecida ou cobrir o corpo com um manto grosseiro, contanto que não lhe falte o imprescindível para proteger-se do frio e do calor? Do mesmo modo, também nas outras coisas não se deve pretender mais que o necessário, nem tratar o corpo com atenção maior do que não exige o bem (superior) da alma.

5. Para um homem, de fato, para quem pelo menos é verdadeiramente digno desse nome, ter cuidados efeminados pelo próprio corpo não é uma vergonha menor que a ignóbil escravização por qualquer outra paixão.

Autoconhecimento. 6. Porque dispensar todos os cuidados pelo máximo bem-estar do corpo não é para um homem que conhece bem a si mesmo, nem para quem compreende a máxima da sabedoria, isto é, que o homem não é o que aparenta exteriormente, mas é necessária uma sabedoria superior, aquela que faz que cada um de nós, quem quer que seja, conheça a si mesmo. 7. Esse tipo de conhecimento, para quem não é puro de espírito, é impossível de ser adquirido, tanto quanto é para aquele que tem os olhos purulentos fixar o olhar no sol. Ora, a purificação da alma, para dizer de forma breve e adequada, consiste em desprezar os prazeres dos sentidos: não oferecer como alimento aos olhos as indecentes exibições dos malabaristas ou o espetáculo de corpos que fazem cravar o aguilhão da luxúria, nem fazer entrar na alma, através da audição de uma melodia corruptora.

Poder e sedução da música. 8. Porque justamente é deste gênero de música que costumeiramente nascem paixões ignóbeis e degradantes. Nós, porém, devemos buscar outra música, que é melhor e mais salutar, aquela com a qual Davi, autor de cânticos sacros, afastava, como contam, o rei da loucura. 9. Conta-se também que Pitágoras, encontrando-se com um grupo de jovenzinhos bêbados, ordenou ao flautista que comandava o grupelho para que mudasse de melodia e tocasse segundo o tom dórico: e assim, por efeito daquela melodia, os bêbados caíram em si e jogaram fora as coroas e voltaram para casa envergonhados. Outros, porém, ao som da flauta caem na folia dos coribantes e das bacantes . 10. Tal é a diferença entre a audição de uma melodia sadia e o encher os ouvidos com uma música perversa. Por isso, deveis manter-vos longe dessa música que hoje está difundida por toda a parte, mais ainda do que qualquer outra coisa abertamente nefasta. E quanto à prática de todo o tipo daqueles vapores que emanam deliciosos perfumes ou passar unguentos no corpo, sinto vergonha até em proibi-lo.

Vencer a tirania das paixões. 11. E o que dizer então quanto ao dever de não ceder aos prazeres do tato e do paladar: por ventura não obrigam aqueles que correm atrás deles a viver totalmente para o próprio ventre e para os instintos sensuais à maneira dos animais?

12. Em uma palavra: quem não esteja disposto a afundar-se nos prazeres carnais como que mergulhado na lama, deve desprezar totalmente o corpo ou ter cuidados com ele só enquanto se busca uma ajuda para a aquisição da virtude. Assim afirma Platão, dizendo mais ou menos as mesmas coisas que Paulo, o qual adverte que não se deve ter cuidados com o corpo com a finalidade de alimentar as paixões. 13. Que diferença existe entre aqueles que buscam os tratos mais refinados para com o corpo, mas não dão nenhuma importância à alma que lhe é superior (ao corpo) e aqueles que cuidam bem dos instrumentos mas transcuram a arte que se manifesta por meio deles? 14. Ao contrário, portanto, é preciso castigar o corpo e refrear os seus impulsos como se fosse de uma fera e coibir com o açoite da razão os fermentos de desordem por eles gerados na alma e não abandonar, porém, todo o freio ao prazer, deixar que a razão seja impelida como uma carruagem (auriga) puxada por cavalos desenfreados tomados pela fúria; 15. E se deve recordar também de Pitágoras, o qual, dando-se conta que um discípulo seu estava engordando muito devido aos jogos no ginásio e à comida: “E tu — dissse-lhe — não deixarás de tornar a tua prisão mais dura?” 16. É por isso que também Platão, porquanto se diz, prevendo o prejuízo que poderia derivar do corpo, estabeleceu-se propositadamente na parte mais insalubre da Academia, na Ática, com o objetivo de coibir o excessivo prosperar do corpo, assim como se corta os ramos supérfluos da videira. E eu mesmo ouvi dizer dos médicos que o estado de excessivo bem-estar (corporal) é perigoso (para a saúde). 17. Visto que, portanto, um cuidado excessivo do corpo não o ajuda de fato e é, pelo contrário, um obstáculo para a alma; é evidente loucura sujeitar-se ao corpo e ser seu escravo. Se, pelo contrário, nos empenhássemos a tê-lo em pouca conta, dificilmente seríamos atraídos por qualquer outra coisa humana. 18. Como, enfim, poderemos apegar-nos à riqueza se desprezamos os prazeres do corpo? ….

Liberdade de espírito. 19. Mas quem aprendeu a ter liberdade de espírito frente a essas realidades humanas, estará bem longe de decidir-se a fazer ou a dizer coisas vis ou indignas. Quanto às coisas supérfluas — seja a areia dourada da Lídia ou mesmo o produto das formigas auríferas — tanto mais esse homem terá desprezo por elas quanto menos sentir necessidade delas; e regulará o próprio uso das coisas em bases das necessidades da natureza e não segundo os prazeres.

20. Aqueles que realmente excedem os limites do necessário, de maneira semelhante àqueles que, descendo celeremente por uma encosta, sem poder encontrar um ponto seguro de parada, jamais podem deter-se nessa corrida: assim, quanto mais riquezas conseguem acumular, tanto mais têm sede delas, sempre sujeitos à satisfação da sua cobiça, segundo diz Sólon, filho de Existides: “No que tange à riqueza, homem não conhece nenhum limite”. Também Teognides deve ser considerado como mestre, quando diz: “Eu não amo nem desejo a riqueza; seja-me dado viver somente de pouca coisa, livre de todo o mal”.

21. Tenho admiração também por Diógenes, pelo seu desdém de todas as coisas humanas; ele se declarou mais rico que o próprio grande rei , porque precisava de muito menos coisas que aquele para viver. 22. E nós, não nos sentimos satisfeitos se não possuímos as riquezas de Pítio da Mísia, muitas glebas de terra e uma quantidade incalculável de gado? Mas eu creio que não se deve cobiçar as riquezas quando não as temos; quando as possuímos, devemos ficar contentes não pelo fato de possuí-las, mas pelo saber fazer bom uso delas.

Bom uso da riqueza. 23. A esse propósito se adapta bem o dito de Sócrates, o qual, estando frente a um abastado senhor que se gabava das suas riquezas, disse que não o admiraria antes de ver se ele sabia usá-las. 24. E também Fídias e Policleto, se tivessem se gabado do ouro e do marfim com os quais fizeram Zeus para os Eleus e Hera para os Argios, teriam se tornado ridículos gloriando-se da riqueza alheia, sem ter em conta a arte que conferiu ao ouro maior beleza e valor. E nós, que consideramos a virtude humana insuficiente para constituir por si só um ornamento, pensamos em comportar-se de maneira menos indecorosa?

Deixar-se guiar pela reta razão. 26. Mas se desdenharmos a riqueza e desprezarmos os prazeres dos sentidos, iremos então em busca de adulações e lisonjas, e imitaremos a astúcia e a falsidade da raposa de Arquiloco?  27. Não, porque não existe nada que o sábio deve evitar com maior decisão do que o viver segundo o juízo dos outros e o adequar-se às opiniões correntes do povo, em vez de deixar-se guiar na vida pela reta razão. Por consequência, se mesmo tivesse de se opor a todos os homens e ser objeto de desprezo e enfrentar perigos por causa da honestidade, o sábio não haverá de mudar nenhum ponto daqueles princípios reconhecidos como justos. 28. E se alguém não tivesse essa convicção, como poderíamos considerá-lo diferente daquele sofista egípcio que a seu bel prazer se transformava numa planta, num animal, em fogo, em água e em outras coisas? Justamente também ele, ora fará o elogio da justiça diante de quem a tem em estima, ora, pelo contrário, se pronunciará contra ela se percebe que é a injustiça que goza de estima, justamente como costumam fazer os aduladores.

29. E assim como o polvo, segundo dizem, muda de cor conforme o terreno onde se encontra, assim também ele (i.é, o adulador) muda os seus juízos conforme as opiniões daqueles com quem se acompanha.

X

O conceito de virtude se completa na Sagrada Escritura. 1. Mas nós, acredito eu, aprenderemos essas coisas dos nossos livros de maneira mais completa; por enquanto, porém, procuremos delinear um esboço da virtude deduzindo-lo dos ensinamentos profanos. Porque aqueles que sabem colher com cuidado de cada coisa aquilo que lhes ajuda, conseguem obter muitas contribuições de muitas partes, à semelhança dos grandes rios. 2. Também aquele conhecido ditado de que se deve ajuntar as coisas pouco a pouco, deve ser entendido em relação não tanto ao acúmulo de riquezas, mas sobretudo a qualquer disciplina.

A virtude como “viático”  durante a vida. 3. Assim Bias disse ao filho que partia para o Egito e lhe perguntava o que devia fazer para tornar-se o mais feliz possível: “busca-te provisões de viagem para a velhice”, querendo dizer que as provisões são justamente a virtude, circunscrita porém a limites estreitos, já que ele limitava a sua utilidade ao tempo da vida humana.

Tempo e eternidade. 4. E eu, ainda que me falassem sobre a velhice de Titono ou de Argantonio, ou do mais longevo dos nossos, Matusalém, de quem conta-se que viveu 970 anos, mesmo que se computasse todo o tempo transcorrido desde a criação do homem, eu iria rir como de uma ideia infantil, lançando o olhar sobre aquela vida duradoura e sem ocaso (=eternidade), da qual não é possível conceber um termo, como não é possível conceber um fim da alma imortal.

5. Justamente para o caminho para aquela vida que eu quero exortar-vos a ajuntar provisões, recorrendo a toda a iniciativa, como diz o provérbio, da qual podeis colher alguma utilidade para aquela própria vida. 6. Não é pelo fato de que se trata de uma tarefa difícil e cansativa que devemos desistir; mas recordando o conselho daquele que afirmava o dever da parte de todos de escolher o estilo mais elevado de vida e esperar em seguida que o hábito a torne agradável, nos aplicaremos à melhor parte. 7. Seria de fato uma vergonha transcurar o tempo presente e depois chorar o passado, quando então em nada ajudará queixar-se.

Últimos conselhos. 8. Estas sugestões, que considero as melhores, em parte indiquei-vos agora; outras ainda vos darei no decorrer de toda a vida. Vós, porém, recordai os três tipos de doenças: não vos comporteis como quem é afetado por uma enfermidade incurável e não permitais que a doença do espírito torne-se como que idêntica à doença do corpo.  9. Pois aqueles que sofrem de moléstias leves recorrem aos médicos por iniciativa própria; mas aqueles que são afetados por doenças mais sérias fazem os médicos virem à sua casa para curá-los; aqueles porém que chegaram a um estado de delírio absolutamente incurável sequer os deixam (os médicos) entrar quando estes vêm visitá-los. Mas vós cuidai para que não vos aconteça o mesmo, afastando-se de quem é em grau de aconselhar-vos retamente.

Tradução:

Pe. Soter Schiller, OSBM
Escritor, tradutor e mestre em teologia pelo Pontifício Ateneu Santo anselmo de roma.

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