As virtudes da República de Platão nos dias hoje

Platão, no Livro IV da República, começa a trazer em voga as virtudes que nos são importantes, mas que também são essenciais para cidade, uma vez que esta é composta por cidadãos, e estes devem ser, para o bem comum, imbuídos de virtudes que os ajudem e orientem em suas decisões.

A virtude, segundo o filósofo clássico, precisa ser educa e preparada, ou seja, ela não é essencialmente concedida de maneira pronta, mas é necessário trabalhá-la ao longo da vida, como um ginasta, ou mesmo um estudante, que se exercita diariamente com o objetivo de se preparar para o futuro. A partir disso, fazendo alusão e paralelo ao mesmo tempo ao momento presente que vivenciamos: o novo coronavírus (Covid-19) que acometeu diversas pessoas ao redor do mundo, temos a seguinte passagem:

“Nos resta encontrar ainda duas virtudes na cidade, a temperança, e o objeto de toda a nossa busca, a justiça.”[1]

 Dentro do convívio social, ou como Platão utilizou: da cidade, algumas virtudes são essenciais para “o bem viver”. Uma cidade em que todos, de modo egoístico, buscam os próprios interesses e acabam até aniquilando os seus – colocado por ele como característica que não está nem presente entre os tidos por injustos – não funciona bem. Daí o papel importante das virtudes e o empenho do cidadão para consegui-la por meio do esforço e exercício.

Na atual conjuntura fomos surpreendidos por um vírus que vem desestruturando países considerados de primeiro mundo. As pessoas foram, de início aconselhadas a ficarem em suas casas. Alguns destes países tomaram medidas ainda mais drásticas, caracterizando como “crime” a exposição sem necessidade de pessoas nas ruas de suas cidades. O vírus pode ser facilmente transmitido entre as pessoas e leva a óbito indivíduos consideradas pertencentes à “zona de risco”. No texto a Republica, Platão salienta que as virtudes essências para a cidade são duas a temperança e a justiça. Neste momento, em que facilmente nos desesperamos por estarmos ante a uma ameaça iminente, devemos nos centrarmos, e para isso, precisamos da virtude da temperança. A temperança nos equilibra e nos preserva dos excessos que nos descentralizam.

Tal virtude dentro da cidade, e principalmente para se evitar o caos é de suma, uma vez que agindo de maneira desregrada colocamos não só a nós em risco, mas aos outros que nos rodeiam. Por exemplo, na compra de alimentos já que a quarentena pressupõe uma estadia alongada nas residências para proteger os mais frágeis que se encontram em zona de risco, seja por idade avançada, ou por doenças crônicas que aumentam os riscos em um possível contágio. A temperança faz com que pensemos no outro e não compremos em demasia em detrimento do outro que compõe a cidade. Caracteriza-se também com um ato de justiça. Eu, num dado momento, posso comprar, mas devo pensar naqueles que irão procurar também tais alimentos, e podem não encontrar, ou enfrentar uma possível alta por conta da falta de alimentos nas prateleiras.

Isso é agir de maneira injusta prezando a própria vida e dos seus, subsumindo a dos outros. A justiça, dentro do meio comum, deve ser preservada, pois isso preserva os objetivos comuns, e orienta-nos à busca-los de modo prudente. Ao agirmos injustamente, não valorizando o outro mas pensando somente em si, podemos até nos salvaguardarmos por um momento, mas isso faz com que não cheguemos a um vida feliz, uma vez que a nossa consciência nos acusa de nossos atos em si injustos. Daí temos o vícios que nos fecham em nós mesmo, de modo egoístico, enfatizado por Platão contrário a virtude da justiça.

Portanto, pensarmos neste momento por nós vivenciado, às luzes da República de Platão, refletir como esta obra se apresenta atual em suas facetas e nas diversas situações, até mesmo calamitosas. Os exercícios das virtudes tornam-nos mais humanos e ao mesmo tempo estabelece na cidade ordem para bem vivermos em comunidade. A temperança oferece-nos o equilíbrio em nossas decisões e ações e a justiça pauta estas mesmas decisões, visando não somente o bem prazer, mas o outro e suas necessidades dentro do ambiente comum.

[1] Cf. Platão. A República. Livro IV. 430 d – e.

Autor: Arielton Aparecido dos Santos, estudante da turma do 2º ano do Curso de Filosofia da FASBAM e religioso da Sociedade do Apostolado Católico (Palotinos).

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