Sobre a História e a Cultura Japonesa

Não importa o período do qual estamos inseridos na história, sempre iremos buscar registrar os momentos dos quais vivemos, seja por meio da escrita, de um objeto ou de uma imagem. Se começarmos a analisar a história da humanidade, podemos voltar ao período em que o homem ainda não havia descoberto a escrita, mas registrava as coisas por meio de símbolos, figuras e pinturas. É só visitar algumas cavernas preservadas e estudadas pela arqueologia que vamos ter uma noção destes registros. Faz parte da racionalidade humana querer registrar os bons e até os maus momentos. A história surge deste meio, do homem querer registrar e contar o que lhe aconteceu. É por isso que neste texto vamos descrever uma parte história, talvez, pouco explorada e ao mesmo tempo pouco conhecida. Está ideia de o homem procurar registrar as coisas é como se ele estivesse tentando dizer “estive aqui”. Podemos compreender a história como um movimento espiral. A história e o homem não mudam, o que muda são os meios dos quais os homens utilizam para desenvolver seus trabalhos, estudos, pesquisas e de se comunicar. Se antes a comunicação era por meio fumaça, com a chegada da escrita passou para o pergaminho, depois as cartas, mais adiante o telefone e por último os computadores. Mas, a história e o homem não mudam. Por que estamos falando isso, dentro de um texto em que o título nos remete ao Japão? É pelo o simples fato de conhecermos pouco sobre aquele povo e sua cultura. Todavia, torna-se importante observarmos de forma panorâmica a história de maneira mais complexa. A história de um povo, de um estado e de um país. Cada qual com sua cultura, etnia, cor, língua, religião e política. E objetivo deste texto é apresentar os momentos cruciais da Era Showa. Entre 25 de dezembro de 1926 até 7 de janeiro de 1989 – correspondente ao reinado do imperador Showa.

Como é interessante observamos a história de um país e perceber que a cultura continua uma marca forte deste povo, mesmo diante de muitos sofrimentos. A história do Japão é diferente do Ocidente, ela é dividida em eras, das quais são nomeadas de acordo com o imperador da vez. Antes de adentrarmos propriamente nos sofrimentos da Era Showa. É importante conhecermos alguns pontos da história e cultura deste povo, para que assim possamos, de maneira objetiva, compreender a sua maior tragédia. Todo este texto está baseado em duas fontes. A primeira é o livro, Grandes impérios e civilizações da Editora Del Prado (1996), do qual utilizaremos o quadro cronológico. E a segunda, é o artigo: As bombas atômicas podem dizimar a humanidade – Hiroshima e Nagasaki, há 70 anos, escrito por Okuno Emico. As eras do Japão são dividas da seguinte forma: Paleolítico (50.000 a.C.), Jomon (11.000 a.C.), Yayoi (300 a.C.), Kofun (300 d.C.), Yamato (1ª Fase – 552), Nara (710), Heian (794), Kamakura (1185), As cortes do sul e do norte (1333), Muromachi (1392), Momoyama (1568), Edo (1600), Meiji (1868), Taisho (1912) e a era Showa (1926)[1]. Para resumir, podemos dizer que os primeiros anos antes de Cristo compreendem a formação política. No Paleolítico, “os clãs governavam”. Na era Jomon houve uma troca de clãs para aldeias. E na era Yayoi aconteceu a primeira relação internacional do Japão com a abertura da primeira embaixada na China. Nestas três eras podemos observar a predominância de questões políticas, com guerras e lutas. Avançando um pouco na história, em 552 d.C., houve uma mudança política surgindo o poder imperial. E avançando um pouco mais, vamos para as eras Edo, Meiji, Taisho e a principal, Showa. Como o Japão era e ainda é muito rigoroso com a sua cultura, na era Edo, com a aproximação da Europa, do catolicismo e outras diferentes culturas, o Japão se fechou para que não fosse sufocado por estes povos. Em 1600, decretou a proibição do catolicismo no Japão. Neste período, o país era governado por militares, dentro de um sistema Bakufu do qual se tratava de uma espécie de ditadura feudal militarista. Na era Meiji, com uma aliança com os samurais, o Japão se libertou do militarismo e voltou a ser imperialista. Com o imperador Metauhito, a corte foi transferida para Edo, que passa a ter o nome de Tóquio. Neste período houve a primeira formação de partidos políticos e junto a ele a primeira eleição para representantes do povo na câmara. Foi também nesta era que se criou o costume de mudar o nome da era com a troca de imperador. E também o início dos cinemas importados e a produção doméstica de filmes. Entrando de fato no século XX, temos a Era Taihro que teve o início das transmissões de rádio. E por último, a Era Showa, que começou no dia 25 de dezembro de 1926 e foi até dia 7 de janeiro de 1989. Nesta era ocorreu o maior desastre para o Japão, considerado até pior que os terremotos e tsunamis que a região sempre enfrenta: as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki. Elas devastaram tudo, pessoas e construções e tudo isso por simples demonstração de poderio por parte de seus inimigos de guerra.

O dia 6 de agosto de 1945, às 8h15[2], foi um grande desespero para aquele povo. Foi o dia em que o coronel Paul Warfield jogou a primeira bomba atômica na cidade de Hiroshima. Por ironia, a bomba tinha o nome de “Little Boy”. Esta tragédia não passava de simples teste do governo Norte Americano para mostrar o seu poder, causando destruição e mortes incontáveis. Tal feito dos Nortes Americanos causou uma grande ferida aos Japoneses. Era um horário em que havia crianças, adolescentes e jovens estudando, adultos e idosos trabalhando. Mas, naquele dia as crianças não viram mais os seus pais e nem pais os seus filhos. E no dia 9 de agosto de 1945[3], o Major Charles W. Sweenwy bombardeou Nagasaki com a bomba “Fat Man” às 11h02. Dizem que foi um acidente, que a bomba iria para a cidade de Kokura, onde tinha uma fábrica de armamento, mas, a rota foi mudada e o desastre aconteceu em Nagasaki. No momento antes do ataque The Great Artist, que escoltou o “Bock’s Car”, deixou cair uma lata e nela havia uma carta explicando os perigos da destruição que causaria a bomba. A carta foi endereçada ao professor Sagane que só a recebeu um mês depois. O poder destruidor desta bomba pode ser comparado com quem chega próximo ao sol, sem antes chegar nele, quando já pode sentir o calor e desintegração do corpo. A energia utilizada para a construção dessas bombas é a mesma energia do sol e das estrelas. O efeito é morte instantânea, por causa de calor e radiação. Se não morrer no momento, desenvolve-se câncer e muitas outras doenças. A bomba “Little Boy” tinha Urânio-235 e a bomba “Fat Man” tinha plutônio-239. “A população de Hiroshima e Nagasaki por ocasião da explosão da bomba era de (345 +-5) mil pessoas e (260 +- 10) mil pessoas, respectivamente”[4]. As causas principais das mortes imediatas foram de queimaduras, e as outras foram por ondas de choques e radiação ionizante. O que restou das duas cidades? Basicamente nada. Em Hiroshima, um prédio com uma espécie de torre, e em Nagasaki o Torii, portal do xintoísmo; que estão em pé até os dias atuais.

Uma curiosidade sobre Sadako Sasaki, segundo o que conta a história, era uma menina-símbolo que morreu de leucemia aos doze anos em outubro de 1955 por causa da radiação da bomba. Uma das tradições do Japão é de fazer montagens de origamis, que são dobraduras de papeis, e esaá garota fazia em formato de Tsuru. Esta garota, o que conta a lenda, conseguiu fazer 644 origamis destes até sua morte, pois tinha a esperança de que se curaria quando completasse mil cegonhas, já que uma lenda dizia que quem conseguisse montar os mil origamis desta cegonha ficaria curado de qualquer doença. Mas, infelizmente não conseguiu completar o desejo e sua esperança de viver foi rompida. No Japão existe um monumento que foi construído em homenagem a ela que foi vítima de uma tragédia que não pode ser deletada da história. Quantas vítimas afetadas devido ao teste de arma nuclear? O que leva o ser humano a testar uma arma letal para mostrar sua grandeza? Naquela tragédia, muitos sonhos foram interrompidos e outros nem tiveram a simples oportunidade de abraçar pela última vez o seu parente.

O ser humano, apesar de ser um animal racional é capaz de trazer dores aos outros apenas para mostrar questões de força. Construímos discursos belíssimos sobre ética e virtude. Mas, fazemos tudo ao contrário. E quando a situação sai do controle, procuramos culpar ideologias e religiões para que talvez a própria culpa diminua e a responsabilidade desapareça. A história continua, o Japão ainda existe e mantem de pé sua nação e cultura. Observemos que apesar deste sofrimento, eles são acolhedores até demais. A educação é invejável. O seu desenvolvimento tecnológico serve como exemplo. Claro, existe no país a pobreza, a falta de organização em relação aos horários de trabalho e a atenção ao combate ao suicídio que é escandaloso. Porém, a história do país é viva e a cultura igualmente. Enfim, um país é reconhecido por sua língua, cultura, história e religião e o Japão mantém de pé estes pontos.

Cada país tem uma forma de registrar e de transmitir sua história e cultura. A do Japão é transmitida de alguma forma a partir de séries, animes, filmes e teatros. Podemos perceber que todos estes estão ligados à cultura do próprio país e que muitas vezes tentam resgatar uma parte da história. A história parece ter sido rompida em um certo momento, mas não, foi apenas um desastre que ocorreu porque eles conseguiram se reerguer, pois, faz parte da cultura japonesa este esforço de poder seguir em frente na história e nunca apagar os acontecimentos.

Podemos concluir este texto com o seguinte pensamento: a história daquele país é gigantesca e a cultura é mantida com o interesse de mostrar para outros países a sua identidade. As gerações são outras, as histórias diversas e a cultura a mesma.

[1] COLLCUTT, M.; JANSEN, M.; KUMAKURA, I. História universal, Japão: o império do sol-nascente. Madrid: Del Prado, 1996. p. 8 – 9.

[2] EMICO, O. As bombas atômicas podem dizimar a humanidade – Hiroshima e Nagasaki, há 70 anos, Scielo, São Paulo, maio e agosto 2015. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142015000200209&lang=pr.

[3] Ibid.

[4] Ibid.

Autor: Brender Henrique Mendes, estudante do 2º ano do Curso de Bacharelado em Filosofia da FASBAM.

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