Santo Tomás de Aquino: Teologia, Deus e a Trindade

Na Suma Teológica está contido todo o corpo teológico no qual Santo Tomás de Aquino traduz o aristotelismo filosófico às verdades cristãs, do qual torna-se expoente, mostrando não existir uma antinomia entre a fé da Igreja e os ensinamentos dos pagãos, mas sim, uma complementariedade desta sabedoria pagã com a sabedoria cristã, tornando-se um eficiente instrumento para se compreender melhor a fé e mostrar uma superioridade de raciocínio frente aos árabes com seus pensadores de linha empírica. Vale ressaltar que a filosofia medieval é inseparável da teologia, por isto ao falar de filosofia medieval, assim como falar do Doutor Angélico, é impossível separá-las (filosofia e teologia); pois são extremamente unidas neste período da história. Além do mais, a teologia de São Tomás de Aquino, foi o parâmetro criado para o agir e o pensar, sobretudo para que fosse compreendido naquele tempo.

A forma dialética de sua obra expõe os pensamentos e as premissas dos árabes, dos aristotélicos e da sagrada escritura, a fim de debater estas premissas e chegar a uma conclusão correta dos temas, tendo por meta a revelação da verdade.

Santo Tomás de Aquino em sua teologia, contraria a um lema imposto pela da Igreja, o qual afirmava que “é necessário crer para entender”, e Santo Tomás, valorizando a razão diz que é necessário entender para crer. Esta relação da razão e da fé para ele fica quase que em pé de igualdade, mas ainda a teologia (fé) está acima da filosofia (razão).

Santo Tomás nos faz entender que para compreendermos o homem e o mundo, temos que primeiramente nos voltarmos para Deus, o objeto de investigação, seja da filosofia, seja da teologia, tem que ser Deus. Devemos nos voltar para as revelações divinas contidas na Sagrada Escritura, para daí podermos compreender o homem e Deus.

Não adianta nos voltarmos para o homem e o mundo através da investigação filosófica, sem o esclarecimento da teologia. E por que isso? Porque Santo Tomás entende que a fé melhora a razão, pois a razão pode até ter um conhecimento sobre as coisas, sobre o mundo e sobre o homem, mas é um conhecimento imperfeito. Só melhorada e, aperfeiçoada pela fé, é que a razão pode ter um conhecimento mais seguro sobre as coisas. A graça aperfeiçoa a natureza, não adianta entender as coisas, sem nos permitirmos sermos aperfeiçoados pela graça. Nossa natureza racional, só age de uma forma melhor, se nos deixarmos conduzir pela fé em nossa vida, se deixarmos a fé e a revelação melhorarem a nossa racionalidade.

Dito isto, podemos ter duas consequências, que a teologia corrige a filosofia e que a filosofia tem certa autonomia de poder conhecer as coisas, mas de forma imperfeita e só será melhorada, quando se permitir ser corrigida e purificada pela teologia.

A graça vem concluir a natureza (Santo Tomás de Aquino), mas na realidade é que ela deixa um abismo intransponível diante da natureza e a graça, para que os que tentam compreender quebrem a cabeça. São Tomás usa uma analogia para dizer que, entre efeito e causa, por mais longínquo que seja esta causa, poder chegar por analogia, de efeito para causa, de causa como efeito por sua vez como outra causa, até mesmo chegar, intuir ou induzir a causa primeira que é Deus.  Mas na verdade o que ele deixa pressupor, é um abismo intransponível sobre os efeitos e as causas, ou pelo menos a causa primeira; então só pela razão podemos penetrar nos mistérios da fé, entretanto estes mistérios não contradizem, mas convertem ao que vigora na razão.

Santo Tomás afirma que os preâmbulos da fé, são aquelas verdades que se pode intuir somente com a ajuda da razão, onde só o uso da razão basta para compreender do que se trata. Identificada como a teologia natural, é aquela que através do meio sensível por exemplo, pode demonstrar a existência de Deus; seja sua regularidade dos fenômenos naturais ou na própria unidade do meio da natureza, apesar da diversidade dos fenômenos. A isto é que São Tomás chama de os “preâmbulos da fé”, que a própria verdade da fé se pode descobrir por ela própria. Por exemplo, Deus é criador, a razão pode intuir por ela própria, pois no reino da natureza, vemos uma constante criação, ou recriação, tanto no mundo animal, como também no mundo artesanal, como aquele famoso exemplo: não existe relógio sem o relojoeiro. Pode-se dizer também que Deus é uno por parte da razão, pois como explicar a regularidade dos fenômenos naturais que estão continuamente repetindo sem estar indo para o caos, então, apesar de aqui e acolá haver fenômenos como as grandes tempestades, mesmo assim, a vida continua, as coisas continuam existindo e se repetindo. Logo, deve haver um princípio unificador de todas as coisas, porque se o que prevalecesse fosse a desordem as coisas iriam para o caos. Mas segundo Santo Tomás de Aquino, tem algo que a razão não pode provar, que Deus é uno e trino ao mesmo tempo, que o logos se fez carne, pois é inconcebível isso à luz da razão.

Ou você acredita no paradoxo da fé saindo da esfera da razão, ou fica sem saber propriamente como se dá.

Para concluir, Santo Tomás de Aquino vê a fé como uma purificadora da razão, que vai além da lógica racional, explicando aquilo que para a razão é o inexplicável, o mito.

Autor: Alifer Silveira, estudante da turma do 2º ano do Curso de Filosofia da FASBAM.

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