Filosofia e Igreja Católica: um casamento de 2.000 anos

Fé e razão são um casal feliz na vida intelectual da Igreja.

Uma das características mais distintivas da pessoa humana, algo que nos diferencia dos animais, é a capacidade de raciocinar e, finalmente, questionar o significado da vida. Essa capacidade humana inata levou a inúmeras escolas filosóficas ao longo dos séculos, onde homens e mulheres lutaram com as questões fundamentais da existência.
 
Com o tempo, vários professores e pensadores desenvolveram uma disciplina específica chamada “filosofia” (palavra grega para “amor à sabedoria”), onde essas idéias e pensamentos foram examinados mais de perto.
 
A Igreja Católica sempre abraçou de bom grado a verdade encontrada na filosofia, reconhecendo como Deus colocou essa capacidade dentro de nós.
 
A filosofia continua a desempenhar um papel essencial na vida intelectual da Igreja Católica. São João Paulo II, em sua encíclica Fides et Ratio, explica como “a fé e a razão (fides et ratio) constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. Foi Deus quem colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, em última análise, de O conhecer a Ele, para que, conhecendo-O e amando-O, possa chegar também à verdade plena sobre si próprio”.

 

João Paulo II era um filósofo e explica a beleza encontrada na filosofia.

A filosofia, cujo contributo específico é colocar a questão do sentido da vida e esboçar a resposta: constitui, pois, uma das tarefas mais nobres da humanidade. O termo filosofia significa, segundo a etimologia grega, « amor à sabedoria ». Efetivamente a filosofia nasceu e começou a desenvolver-se quando o homem principiou a interrogar-se sobre o porquê das coisas e o seu fim. Ela demonstra, de diferentes modos e formas, que o desejo da verdade pertence à própria natureza do homem. Interrogar-se sobre o porquê das coisas é uma propriedade natural da sua razão, embora as respostas, que esta aos poucos vai dando, se integrem num horizonte que evidencia a complementaridade das diferentes culturas onde o homem vive.

A filosofia é uma grande ajuda para a nossa existência humana e a sede pela verdade deve ser nutrida dentro de cada pessoa. Esse desejo é algo comum a toda a humanidade e transcende a cultura e a linguagem. A filosofia pode nos ajudar a entender melhor a nós mesmos, quem somos e nosso lugar no mundo.

No entanto, a Igreja reconhece que a filosofia não pode substituir a fé. João Paulo II observa que, embora a filosofia “conseguiu avançar pela estrada que a torna cada vez mais atenta à existência humana e às suas formas de expressão, por outro tende a desenvolver considerações existenciais, hermenêuticas ou linguísticas, que prescindem da questão radical relativa à verdade da vida pessoal, do ser e de Deus”.

Desse modo, “a razão, privada do contributo da Revelação, percorreu sendas marginais com o risco de perder de vista a sua meta final”.

A filosofia precisa ser apoiada pela fé para ser realmente eficaz e encontrar respostas para as questões básicas da vida.

No extremo oposto do espectro, a Igreja também insta os crentes a não manter a fé em exclusão da razão. Em vez disso, “a Igreja continua profundamente convencida de que fé e razão se ajudam mutuamente, exercendo, uma em prol da outra, a função tanto de discernimento crítico e purificador, como de estímulo para progredir na investigação e no aprofundamento”.

Os filósofos são bem-vindos à Igreja Católica e são incentivados a lutar com os desejos ocultos do coração humano, tendo em mente o autor por trás de tudo.

Fonte: Aleteia, em inglês.

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