As 5 maiores heresias e como a Igreja as superou

Há um serviço nas Igrejas Orientais celebrado no primeiro domingo da Grande Quaresma que é chamado de o Domingo da Ortodoxia. Mas o que nós entendemos por “ortodoxia”? A palavra “ortodoxia” deriva da palavra grega ορθοδοξία (orthodoxia), isto é, ορθός (orthos): reto; e δόξα (doksa): opinião; que significa a verdadeira fé e a verdadeira adoração a Deus. Nós não estamos falando aqui de ortodoxia como nós a entendemos hoje como sendo oposta à Igreja Católica, mas ortodoxia, como aplicada à toda Igreja de Cristo até o cisma entre as Igrejas do Oriente e do Ocidente que ocorreu no século XI, sob o patriarca Cerulário (1054). A ortodoxia que nós celebramos neste domingo é a ortodoxia católica-universal, professada por toda Igreja de Cristo dos primeiros séculos na batalha contra as heresias. Mas quais eram essas heresias e por que elas eram perigosas para a salvação da alma? 

1. Arianismo

Esta doutrina foi trazida pela primeira vez por um padre de Alexandria com o nome de Ário (que morreu em 336) e foi amplamente combatida por São Basílio Magno. Sua idéia principal era que o Filho de Deus, o Logos do Pai e Sua Sabedoria não é igual a Deus Pai. Em vez de ser Deus, ele é apenas uma criatura feita do vazio como o resto do mundo. Ário ensinou que o Pai nem sempre foi o Pai: Ele se tornou o Pai depois da criação do Filho, então houve um tempo em que o Filho não existiu.

A Igreja recebeu a Revelação Divina de nosso Senhor e Deus Jesus Cristo, então ela sempre acreditou na Santíssima Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Embora soubessem que Jesus era Deus desde o início, demorou algum tempo para os Padres da Igreja escolherem as palavras e conceitos certos para descrever as relações precisas do Pai e do Filho e para explicar como o Filho poderia ser igual ao Pai. Eles tinham que transmitir o significado do Apocalipse o mais claramente possível e, ao mesmo tempo, preservar o monoteísmo bíblico e não parecer politeísta demais.

A chave para a expressão apropriada da Verdade Divinamente revelada era a palavra “consubstancial” (ὁμοούσιος). Não existe tal palavra na Bíblia. Foi tirado da filosofia grega. No entanto, os Padres da Igreja não tinham medo de escrever essa palavra nas flâmulas do Catolicismo, usando categorias filosóficas da Antiguidade, isto é, da sabedoria pagã.Trezentos e dezoito bispos reuniram-se em Niceia em 325 para condenar a heresia ariana e formular a doutrina sobre a consubstancialidade do Pai e do Filho, declarando que o Filho é Deus e, portanto, possui a mesma natureza Divina que seu Pai; que não houve nenhum tempo em que o Filho não existisse, pois o Filho é igualmente eterno e igual ao Pai.

2. Nestorianismo

O fundador dessa heresia foi Nestório, o arcebispo de Constantinopla que viveu na primeira metade do século V. Segundo Nestório, Jesus não é apenas um Deus-homem com duas naturezas: o Divino e o humano, mas também contém duas personalidades: uma nascida humana por Maria e a divina, nascida de Deus além de todo o tempo. Quando Jesus Cristo veio ao mundo, não foi a Encarnação da Palavra de Deus que assumiu a natureza humana: foi uma união entre Deus como uma pessoa e o homem como outra pessoa no corpo de Jesus Cristo durante o seu batismo. Liturgicamente, seu erro dogmático se refletia em chamar a Santíssima Virgem de Christotokos (Portadora de Cristo), não de Theotokos (Portadora de Deus). Este ensinamento abominável teve a oposição de São Cirilo de Alexandria e do Terceiro Concílio Ecumênico, realizado em Éfeso em 431. O Concílio aprovou a posição de São Cirilo porque, de acordo com a fé apostólica, Cristo possui tanto a natureza Divina como a humana. enquanto, ao mesmo tempo, é uma pessoa. Esta pessoa não é humana, mas é Deus – a própria palavra. A heresia nestoriana original não é mais aceita por nenhum grupo religioso. No entanto, existem ocultistas que consideram que Cristo é um mero humano inspirado por Deus.

3. Monofisismo

Essa heresia surgiu como uma reação à heresia nestoriana, mas também não se manteve ortodoxa. O criador dessa heresia foi o arquimandrita Eutíquio de Constantinopla, que começou a pregar que não havia mais nada da natureza humana de Cristo depois da Encarnação: ela foi fundida e incorporada à natureza divina como uma gota de mel no oceano. Essa heresia nega que Jesus Cristo fosse plenamente humano e, portanto, torna impossível a santificação e a theosis de nossa natureza, que deve ser idêntica à natureza humana de Cristo. A resposta da Igreja a essa heresia foi moldada pelo Quarto Concílio Ecumênico de Calcedônia, que baseou sua fórmula numa epístola de São Leão Magno, Papa:

“Nós, então, seguindo os santos Padres, todos com um consentimento, ensinamos as pessoas a confessar um e o mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo… que se fez conhecer em duas naturezas, inconfundível, imutável, indivisível, inseparável; (ἐν δύο φύσεσιν ἀσυγχύτως, ἀτρέπτως, ἀδιαιρέτως, ἀχωρίστως – in duabus naturis inconfuse, immutabiliter, indivise, inseparabiliter) sendo as diferenças entre as naturezas de maneira nenhuma removidas por causa da união, mas as propriedades de cada natureza sendo preservadas e aglutinadas em uma (prosopon) e uma substância (hypostasis)…”

A heresia eutiquiana em sua forma pura é anatematizada por todas as Igrejas históricas, embora o cisma causado pelos monofisitas permaneça não curado até hoje.

4. Monotelismo

É uma variedade mais sutil de monofisismo, que preservou o ensinamento cristão sobre duas naturezas e uma substância, mas afirmou que Ele tinha apenas uma vontade – a Divina. Esse sistema foi artificialmente trabalhado para curar o cisma monofisista. Este erro se espalhou por toda a Igreja, mas foi vencido graças ao gênio teológico de um simples monge chamado Máximo que provou através de seus escritos que o ensino de duas vontades em Cristo, a vontade da natureza Divina e a vontade da natureza humana, era verdadeiro. O monotelismo foi condenado pelo papa Martinho I no Concílio de Latrão, em Roma, em 649. Por isso, o papa Martinho e São Máximo, o Confessor, foram presos, torturados e exilados. O monotelismo foi encerrado em 680 pelo Sexto Concílio Ecumênico.

5. Iconoclasta

Por fim, a quinta grande heresia é a negação da veneração dos ícones sagrados. Foi depois de derrotar esta heresia que a Igreja estabeleceu a comemoração do Triunfo da Ortodoxia. Deve-se notar que essa heresia não é meramente uma negação de uma prática piedosa: é, de fato, uma continuação da controvérsia cristológica. Jesus era realmente tão humano que podemos pintá-lo? Ele permaneceu humano depois de sua ascensão? Os ícones que retratam esses eventos são legítimos? Os iconoclastas disseram não, mas os cristãos responderam que sim – e provaram isso derramando sangue. O Sétimo Concílio Ecumênico, realizado em 787, confirmou a prática de venerar ícones sagrados, enfatizando que a adoração verdadeira pertence somente a Deus. Não devemos adorar ícones sagrados; em vez disso, devemos venerá-los com sinceridade, porque eles são consagrados pela graça do Espírito Santo. A honra que prestamos à imagem é transferida para o Protótipo.

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