O Mal em Agostinho de Hipona

É possível reconhecer no livro VII das Confissões “A ideia de Deus e a Origem do mal”. Para Santo Agostinho, o mal da moral está na ágape desordenada que está no coração, em essência, escolher coisas inferiores sobre as coisas mais elevadas. O Bispo de Hipona observa o universo como uma espécie de hierarquia, onde algumas coisas sobressaem superiores às demais. A princípio é importante ver que, para Santo Agostinho, embora adverso dos maniqueu, ser inferior não é ser mal. Além disso as coisas inferiores às vezes são coisas boas, contudo não tão boas como coisas superiores.

Toda a escolha voluntária implica em atos de justiça, em outras palavras, em retribuições ou castigos, logo que ao aproximar-se de Deus, o homem está em busca do “Eros” e, ao afastar-se dele, só encontra desventura infelicidade.

 Contraproducente através das palavras de Agostinho, que nenhum ser vivo, enquanto tal, é mau, e que todo ser mutável é também susceptível de perfeição. Visto que, mutável é o que pode ser mudado, do mesmo modo que perfectível pode ser perfeito.

Deus na sua onisciência fez tudo de essência boa. Entretanto, o fato de o corpo material estar sujeito à morte torna-o mais próximo do não-Ser, enquanto a anima só tende ao mal se abandonar Deus em busca dos prazeres materiais.

Dado esta hierarquia de estar em mente, estamos em condições de entender a resposta completa de Agostinho à pergunta: “De onde veio o mal?” O mal tem um ponto específico de origem na história da criação. Curiosamente, ele começa antes de Adão e Eva. Como relata o livro do Gênesis, já havia uma serpente no jardim do Éden, tentando-os a fazer a escolha errada “A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha formado. Ela disse a mulher: É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do jardim?” (Gn 3). Santo Agostinho, como um dos muitos pensadores cristãos que identificam essa serpente como o diabo disfarçado. No entanto, Santo Agostinho está muito comprometido em não deixar as pessoas culparem o pecado humano sobre o diabo. Logo uma das principais razões pelas quais ele sustenta que, nosso livre arbítrio, é para que ele possa obstinar-se que o mal em nós é culpa nossa.

Através da perscrutação sobre o mal faz-se necessário que busquemos uma explanação com relação ao que está sendo proposto. Nesta coerência, temos uma contestação sobre o mal em diferentes acepções, a atinar: “o mal físico” e o “mal moral”. Mal moral é atinente à ordem corporal e detém uma noção mais específica sobre a fé, o sofrimento, como consequência. Os segundos provem de uma violação voluntaria e desregrado da ordem desejada por Deus, o pecado (livre arbítrio).

Entretanto a problemática se dá aos subterfúgios da fé cristã, visto que, não se coloca em questões a natureza divina. Neste âmbito, o Bispo de Hipona apresenta seguinte questão: “se o mal vem por ter sido ensinado. porem a uma necessidade de examinar o que parece ser, na verdade, mais uma forma de inocentá-lo da culpa do pecado. Logo é através da afirmação dádiva de Deus aos homens que o Bispo de Hipona rejeita a possibilidade de provir dele alguma forma de corrupção. Conseguinte contraditório que através desse bem obtivéssemos algum mal!  Vemos então a noção de mal como o afastamento do caminho proposto por Deus. De onde provem todo o bem.

Autor: Marcos Aurélio de Jesus Silva, estudante do 3º ano do Curso de Filosofia.

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