Espiritualidade e Psicologia: O Mistério Humano e Divino

Aconteceu no dia 08 de novembro (quinta-feira), a terceira e conclusiva palestra do IV Ciclo de Palestras sobre Espiritualidade e Vida Acadêmica, da FASBAM – Faculdade São Basílio Magno. A referente palestra, intitulada Espiritualidade e Psicologia, teve como assessor convidado o Monsenhor Matthias Jacobus Andreas Ham, do clero da Diocese de Ponta Grossa.

Logo de início, Pe. Matthias, como prefere ser tratado, apontou para o desafio encontrado quando o assunto é espiritualidade ou psicologia. Ao que reitera, que o mais correto não seria dizer psicologia, mas psicologias. Não espiritualidade, mas espiritualidades. Entre os participantes fizeram-se presentes seminaristas, estudantes de psicologia, religiosos e religiosas, bem como, demais acadêmicos da área da filosofia e teologia.

Mas então, como abordar tais realidades em questão? Responde, categoricamente, que é necessário, antes de mais nada, entender que tais conceitos – com maior ênfase no que diz respeito a espiritualidade – perpassou gerações. Destaque à época correspondente a alta Idade Média. Devendo, portanto, ser olhada a partir de seu emprego inicial e posteriores derivações, como: ascese, mística, gnoses – que também remontaram à tradições essencialmente bíblicas, como: ideal de perfeição, devoção, piedade, entre outras palavras basais que indicam nada mais do que o acontecimento relacional que vem da parte de Deus em direção ao homem.

Esclarece, do mesmo modo, que mistério não significa algo que não se vê, simplesmente, ou como uma realidade obscura e tenebrosa, mas, sim, um algo que remonta a uma experiência, uma experiência de luz inacessível; um mistério que é claríssimo e, portanto, capaz de até mesmo confundir os sentidos.

Ao buscar compreender a mentalidade que influenciou o pensar sobre o homem, somos convidados a nos remetermos à Idade Média, com todo o espírito das suas sumas de conhecimento e repartição das ciências, tornando-as não comunicáveis entre si. Tal pretensão não pode jamais desconsiderar o conjunto de faculdades físicas, mentais, sociais e espirituais que são o homem; a pessoa humana em sua totalidade de questões biopsicossociais e espirituais.

Os dois polos – espiritualidade e psicologia – se entrelaçam e tal realidade aponta à integralidade do homem. Concepção que responde a necessidade atual de ver o ser humano como um todo e não em pedaços, como costumeiramente podemos encontrar.

Eis a experiência que devemos fazer com o auxílio da espiritualidade, conduzindo a pessoa humana a um encontro com todas as suas dimensões, mesmo nas patologias, aspectos negativos e dolorosos a respeito de si, sabendo que o desejo maior que habita o coração humano é amar e ser amado.

Segundo Heerinckx (1929), a psicologia ganha um lugar próprio dentro do estudo da espiritualidade. Destaca, “o estudo da psicologia bebe de duas fontes: as fontes teológicas e as fontes da experiência”. Ganhando espaço no que diz respeito a mística e suas nuances subjetivas.

Somos induzidos, segundo o pensamento semítico, a compreender que o ser humano só pode ser compreendido a partir de uma perspectiva holística, que significa dizer, grosso modo, que a simultaneidade entre corpo e espírito correspondem a força espiritual e mental e ao mesmo tempo é frágil, limitado, passageiro (mortal). O pensar semítico não faz distinção entre aspectos físicos, espirituais e psicológicos do ser humano.

Autor: Carlos Dener Pires Julio, estudante do 2º ano do Curso de Filosofia.

4 thoughts on “Espiritualidade e Psicologia: O Mistério Humano e Divino

  1. MARCOS says:

    É um tema polemico, pois religião é um assunto muito pessoal, mas vivemos em um estado laico e todos temos o direito de exercer a nossa espiritualidade como quisermos, porem, tudo que que plantamos, nós colhemos…

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