A incompletude do saber

A ciência moderna é uma ferramenta poderosa para compreender o que existe além do óbvio, aquilo que é natural e está perceptível ao nosso redor. É na fronteira do conhecimento que a ciência mergulha em direção ao mistério, tentando oferecer explicações do desconhecido através do que é conhecível, pois o principal objetivo da ciência é dar sentido ao desconhecido.

Ao conhecer, o cientista inicia um itinerário de conhecimentos, cujo trajeto não tem fim. Quanto mais se conhece, mais ignorante se torna, pois descobre-se que ainda existe muito a ser descoberto. É necessário que o cientista, ao entrar nesse itinerário do conhecimento, tenha uma clareza intelectual para saber que através da sua humanidade e subjetividade, seu conhecimento será limitado, ou seja, terá uma barreira que a razão humana não conseguirá ultrapassar. Porém, reconhecer esse limite e aprender com ele, não é de modo algum desistir da pesquisa e da busca de conhecimento.

A existência de limites ao conhecimento foi estudada por alguns autores, e concluíram ser impossível um conhecimento absoluto das coisas. É preferível que uma teoria seja simples e abrangente, pois não é o objetivo da pesquisa dar uma conclusão fechada, mas deixar um questionamento para novos pesquisadores e cientistas. Na visão de um físico, uma teoria é bela e elegante quando explica pouco, quando usa um número reduzido de conceitos, mas contém um grande poder exploratório.

A incompletude do saber é bela, por mais que pareça ser um desrespeito às capacidades intelectuais humanas, pois nossas capacidades são limitadas. Precisamos aceitar que nunca teremos a compreensão completa de todas as interações materiais do universo. É melhor conhecer esse limite, do que crer que a busca do saber só vale a pena se tiver um objetivo final.

A incompletude do saber não deve ser vista como fraqueza da nossa capacidade racional, mas, pelo contrário, deve ser encarada como processo de libertação, pois é a incompletude que nos move a explorar o imenso oceano do desconhecido, sem sentir a pressão de termos que descobrir ou encontrar algum tipo de “verdade final”.

Somente nas religiões o conhecimento absoluto é aceitável, como por exemplo os dogmas, que são “verdades de fé”. A essência, o conhecimento absoluto, é imaginável, mas não alcançável. A ciência é uma construção intelectual sob revisão constante, uma narrativa que criamos para dar sentido ao que vemos no mundo, inclusive o que há de misterioso, pois aceitar o mistério é aceitar que existem coisas além do alcance da razão, ou seja, coisas inexplicáveis.

Autores: Alifer Silveira, Adriano José Gomes Pereira e Gustavo Alberto Pavan, estudantes do 1º ano do Curso de Filosofia.

5 thoughts on “A incompletude do saber

  1. Renato Alves says:

    Boa tarde!
    O que é o conhecimento?
    Estar sempre buscando aquilo que nos falta, em qualquer área de nossas vidas!! por isso precisamos estar sempre com a mente aberta para o novo!!

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