É possível provar a existência de Deus?

Os argumentos das cinco vias que demonstram a existência de Deus, na qual foi elaborada por Santo Tomás de Aquino, não tinha a intenção de provar que Deus existe, pois, segundo ele, isto é impossível, por se tratar de um artigo de fé, porém, é possível demonstrar de modo a posteriori que Deus existe, ou seja, através das coisas empíricas e sensíveis, fazendo uma retomada à metafísica de Aristóteles, contudo, aplicando novos conceitos num sentido cristão. Vale ressaltar aqui, que Tomás não concordava com o argumento de Santo Anselmo, que ao contrário do Doutor Angélico, afirmava que podia-se provar a existência de Deus de modo a priori. Sendo assim, Tomás nos mostra que empiricamente é possível demonstrar que Deus existe.

 A primeira via que leva à demonstração da existência de Deus, baseia-se no movimento ou motor primário, ou seja, no mundo todas as coisas estão em constante movimento, transformação, isto é perceptivo a todos, sendo assim, há algo que move todas as coisas, não tem como alguma coisa mover-se por sim mesma. Portanto, para Tomás há um ser movente que não é movido, mas que através dele se iniciou todo o movimento, e este ser movente, só pode ser Ato em relação a todos os potenciais existentes, assim sendo, este movimento em Ato primo é Deus.

A segunda via é conhecida como a causa eficiente, isto é, no mundo todas as coisas são causadas por algo, por exemplo, um livro que está com uma página rasgada foi causado por um agente, não tem como o livro ser causa de si própria, se auto destruir. Sendo assim, se retrocedermos todas as causas ao infinito chegaremos há um ser que não é causado, de onde tudo se iniciou, que é causa eficiente de todas as coisas, e, esta causa primária é Deus.

A terceira via é sustentada pelo argumento do necessário e do contingente. No mundo existem coisas contingentes, que podem ou não existir, ou seja, não é necessário que aconteça ou exista. Mas para que tais coisas contingentes existam, é necessário a existência de um Ser necessário, na qual tudo emana, que no caso não é contingente. Sendo assim, todas as coisas são contingentes, por exemplo: somos contingentes em relação aos nossos pais, poderíamos existir ou não, assim também, nossos pais são contingentes em relação aos nossos avós, e assim por diante, até chegar num ser que não é contingente, que não necessitou de ninguém para existir, e este único ser necessário é Deus.

A quarta via é caracterizada pelo grau de perfeição nas coisas existentes, esta via é de índole platônica, pois, Tomás, argumenta que há uma hierarquia de perfeição nas coisas do mundo, sendo assim, nós, seres inferiores temos um referencial de perfeição em um ser que possui todos os atributos, virtudes e perfeições, na qual é Deus.

Por fim, a quinta via é sustenta pelo argumento do fim último, ou seja, no mundo todas as coisas têm uma finalidade própria, sendo assim, há um ser que ordena todas as coisas, que governa, caso contrário, o mundo seria um caos, e este ser é Deus.

Portanto, as cinco vias que levam à demonstração da existência de Deus não tem a finalidade de provar a existência de Deus, nem mesmo “dogmatizar” tal argumento, pois, Tomás como um grande teólogo e filósofo, elabora as cinco vias no campo filosófico com o objetivo de demonstrar racionalmente que Deus existe, sendo assim, não é um dogma da religião, porém, os argumentos das cinco vias podem ser convincentes até mesmo para um não crente, embora seja questionado por muitos filósofos atualmente.

Autor: Bruno Rafael Ferreira Prestes, estudante do 2º ano do Curso de Filosofia.

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