Por que estudar os documentos dos papas?

Estamos a mais de 50 anos do encerramento do Concílio Vaticano II que, na opinião unânime dos últimos papas, é a “bússola” para a caminhada da Igreja Católica no III milênio. Os princípios de volta às fontes (ressourcement) e de atualização (aggiornamento), que guiaram o concílio e os movimentos que o precederam, permanecem como balizas importantes ainda hoje e estão presentes no magistério do Papa Francisco e de seu predecessor, o Papa Emérito Bento XVI.

Isso se reflete de maneira mais evidente em suas encíclicas e exortações apostólicas, textos fundamentais de seus pontificados. Bento XVI, que ainda presbítero foi perito conciliar, procurou em suas encíclicas sobre a caridade, a esperança e a fé oferecer aos homens e mulheres de hoje uma espécie de “reintrodução” ao cristianismo. Nesses textos, ele buscou apontar o coração da experiência cristã, compondo uma visão orgânica do todo da fé da Igreja que privilegia o seu núcleo: a experiência do encontro pessoal com Jesus Cristo.

Na Deus Caritas Est, Bento refletiu sobre o amor como fundamento da vida cristã, quer como a chave de leitura por excelência da história da salvação, quer como parte essencial da missão da Igreja. Na Spe Salvi, tratou de expor em que consiste, afinal de contas, ser salvo e experimentar a redenção. Na Lumen Fidei – assinada por Francisco, mas composta principalmente por Bento –, faz a pergunta: a fé é um salto na escuridão ou uma luz que possibilita ver?

Já Francisco, o primeiro papa do pós-concílio a não ter participado da assembleia conciliar, parte daí e da sua experiência prévia para indicar em suas encíclicas e exortações apostólicas as consequências teológicas e pastorais de um anúncio centrado no encontro com Cristo, que nos revela o rosto de Deus-Amor, como nos transmite a Tradição.

É a essa luz que Francisco refletiu sobre a ação evangelizadora da Igreja hoje na Evangelii Gaudium, sobre os desafios do nosso contexto socioeconômico e cultural na Laudato Si’ e sobre a realidade do casamento e da família na Amoris Laetitia. Ao mesmo tempo, o papa aprofundou a reflexão sobre o núcleo da fé cristã na Misericordiae Vultus, na Misericordia et Misera e na Gaudete et Exsultate, textos que nos conduzem ao cerne do que constitui a experiência cristã.

No seu pontificado, que já está em seu sexto ano, o tom renovador do Concílio Vaticano II volta a um estado mais ativo – o que suscita diversas discussões em torno de questões como o desenvolvimento da doutrina e a hermenêutica do concílio. Uma visão de conjunto dos documentos mais recentes do magistério pontifício esclarece muitos pontos a esse respeito e evidencia na prática como se dão os processos de continuidades e descontinuidades na Igreja.

Além disso, conhecer esses documentos amplia o nosso olhar sobre o significado de ser cristão hoje e nos fornece critérios imprescindíveis para o discernimento da nossa caminhada de fé e da nossa atuação pastoral. É, enfim, uma oportunidade para conhecer o pensamento, as inspirações e a visão de duas grandes figuras de nosso tempo que certamente têm muito a acrescentar à nossa própria compreensão do mundo e da nossa fé.

Autor: Prof. Me. Felipe Koller.

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