A Tradição Litúrgica Oriental

Uma parte central da Vida Cristã é a nossa Oração Litúrgica. Liturgia e Adoração são componentes existenciais nos seres humanos. Adoração é a resposta natural do ser humano a qualquer tipo de encontro com o Divino.

“Enquanto Ele [o Cristo ressuscitado] os abençoava, separou-se deles e foi arrebatado ao céu. Depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo. E permaneciam no templo, louvando e bendizendo a Deus.” (Lc 24, 51-53).

“Assim, possuindo nós um reino inabalável, adoremos a Deus de maneira que lhe torne agradável o nosso culto com temor e reverência. Porque nosso Deus é um fogo devorador.” (Hb 12, 18).

Na Encíclica Papal Orientale Lumen, o Papa São João Paulo II proclamou:

“A oração litúrgica no Oriente mostra uma grande capacidade de envolver a pessoa humana na sua totalidade: o Mistério é cantado na sublimidade dos seus conteúdos, mas também no calor dos sentimentos que suscita no coração da humanidade que foi salva.

Na ação sagrada, também a corporeidade é convidada ao louvor, e a beleza, que no Oriente é um dos nomes mais queridos para exprimir a harmonia divina e o modelo da humanidade transfigurada, mostra-se em toda a parte: nas formas do templo, nos sons, nas cores, nas luzes, nos perfumes.

O tempo prolongado das celebrações, a repetida invocação, tudo exprime um progressivo compenetrar-se da pessoa inteira no mistério celebrado. E a oração da Igreja torna-se, assim, já participação da liturgia celeste, antecipação da bem-aventurança final.” (11)

A nossa adoração não apenas nos ajuda a nos unir a Deus, mas proclama em si mesma o Evangelho – como diz o antigo adágio latino: “lex orandi – lex credendi”, significando tanto “como oramos é como acreditamos”, ou seja, a maneira como adoramos mostra qual é a nossa Fé.

Mas alguém pode se referir à Igreja Ucraniana, por exemplo, apenas como Igreja Ortodoxa. Pois bem, o termo “ortodoxa” significa literalmente “glória correta”. Isso significa tanto adoração correta quanto crença correta. De fato, a fundação e o estabelecimento da Igreja nas terras ucranianas e a sua “história de conversão”, baseiam-se em encontrar Deus por meio de nossa experiência de adoração litúrgica. Escolhemos seguir Cristo porque encontramos, como em nenhum outro lugar, a presença de Deus nos Ofícios Divinos celebrados em Hagia Sophia, em Constantinopla. (Cf. A história da Conversão do Príncipe Volodymyr). E é de missionários da Igreja mãe de Constantinopla – Nova Roma, que a Igreja Ucraniana recebeu a Sagrada Tradição e espiritualidade ortodoxa.

Assim, a Tradição ortodoxa, em sua plenitude, especialmente a Tradição litúrgica ortodoxa, é o patrimônio e o idioma da fé da Igreja Ucraniana. “Esta é a Tradição que Deus nos deu para nossa salvação. Esta é a Tradição que herdamos dos Apóstolos por meio dos Santos Padres”.

A Ortodoxia na Comunhão Católica 

O Concílio Ecumênico Vaticano II nos chama de volta à nossa Tradição ortodoxa. O Concílio especifica que… nos ritos e disciplinas… sempre que tenham falhado, [as Igrejas Orientais] devem se esforçar para retornar às suas tradições ancestrais. (Cf. Código de Direito Canônico, Instruções, art. 12).

Assim, em obediência à Igreja, cada fiel deve fazer o seu melhor para que todos possam ser fiéis à nossa Tradição ortodoxa, tanto na Liturgia quanto na Fé. Os Artigos de União realizada entre a Igreja Ucraniana e a Igreja de Roma são bastante explícitos: o culto divino e todas as orações e ofícios de Matinas, Vésperas e noturnos permanecerão intactos (sem nenhuma mudança) para nós, de acordo com o antigo costume da Igreja Oriental… (Brest-Litovsk, art. 2).

O Mandato da Sé Apostólica a partir do Concílio Vaticano II é que:

“Um símbolo das posições firmes da Sé Apostólica […] [pedindo] que as Igrejas orientais, com plena comunhão com a Sé Apostólica, pudessem, com muita coragem, descobrir as autênticas tradições da própria identidade, e reconstituindo, onde necessário, a pureza original” (Orientale Lumen, 21), e “a prática dos irmãos Ortodoxos deve ser levada em consideração, conhecendo-a, estimando-a, distanciando-se o menos possível para não aumentar a separação existente, mas intensificando os esforços em vista de eventuais adaptações e trabalho conjunto. (Congregação para as Igrejas Orientais: Instruções para a Aplicação das Prescrições Litúrgicas do Código dos Cânones das Igrejas Orientais. art. 21)

A missão das Igrejas Orientais

Uma das razões mais centrais pelas quais a Igreja nos ordena sermos escrupulosamente observantes de nossa Tradição ortodoxa é a missão que a Igreja Católica confiou às Igrejas particulares, a reconciliação com suas Igrejas Mães Ortodoxas e o restabelecimento da Sagrada Comunhão com elas.

“Conhecer, venerar, conservar e fomentar o riquíssimo património litúrgico e espiritual dos orientais é da máxima importância para guardar fielmente a plenitude da tradição cristã e realizar a reconciliação dos cristãos orientais e ocidentais” (Unitatis Redintegratio, 15).

Por meio da Adoração e da Beleza, encontra-se o Verdadeiro Deus. Volodymyr, o Grande Príncipe da Rus’ de Kyiv, enviou emissários para encontrar a verdadeira fé. Eles foram para o leste e oeste, norte e sul, e não encontraram fé alguma, […] até chegarem a Constantinopla. Eles retornaram a Kyiv e relataram ao Príncipe o que aconteceu na grande Catedral de Hagia Sophia:

“Eles nos levaram onde adoravam seu Deus, e não sabíamos se estávamos no céu ou na terra, pois não há na terra tal visão ou beleza. Isso sabemos muito bem, que lá, Deus vive entre os homens, e nunca podemos esquecer essa beleza…”

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