São Basílio Magno sobre a virtude e o vício

Os Santos Padres, muito provavelmente por influência da filosofia estoica que atribui à natureza uma existência concreta e real (para o estoicismo, a virtude consiste essencialmente na adesão à ordem do mundo, expressão da vontade divina da qual faz parte o logos interior de qualquer homem), têm razão de sustentar a solidariedade concreta da humanidade utilizando comumente expressões como: Jesus salvou “a natureza humana”, isto é, todos os homens[1] e por amor.

São Basílio Magno, doutor da Igreja, nos ensina em suas Regras Extensas sobre o amor. O amor que devemos ter, primeiramente, para com Deus e também o amor que devemos ter para com os irmãos. Ele sublinha que o homem tem, por natureza, uma inclinação e uma força para praticar os Mandamentos do Senhor[2]. E, amar a Deus e amar ao próximo como a si mesmo são os dois grandes mandamentos que o Senhor nos ensinou (cf. Mt 22,37-39).

Ao falar do amor, São Basílio Magno apresenta a definição de virtude e vício. Ele diz: “Tal é a definição do vício: abuso dos dons de Deus, destinados ao bem, contra os preceitos do Senhor. Ao invés, a definição da virtude que Deus requer, é a seguinte: o uso dos mesmos dons de Deus, procedente de uma boa consciência, segundo o mandamento do Senhor.”[3]

Portanto, a busca da virtude, por meio do bom uso dos dons que Deus nos dá, faz parte da vida moral que São Basílio tem em mente para todo o cristão e não apenas para os seus monges. Essa vida moral tem como fundamento o amor. É esse amor, como força, que faz com cada um de nós tenha o desejo natural do que é bom e belo, pois “o que pode haver de mais admirável do que a beleza divina?”[4]. “Propriamente belo e amável é o bem. Deus é o bem. E todas as coisas apetecem o bem; portanto, todas elas desejam a Deus.”[5]

Autor: Marco Antônio Pensak, OSBM, egresso do Curso de Filosofia da FASBAM (Turma de 2019) e estudante de Sagrada Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.

[1] LUBAC, Henri de. Catholicisme: Les Aspects Sociaux Du Dogme. 5. ed. Paris: Cerf, 1952, p. 329-409, apud SPIDLIK, Tomas. La Spiritualitè de l’Orient Chrétien: Manuel systématique. Roma: Orientalia Christiana, 1978, p. 62.

[2] Regras Extensas (RE) 2.

[3] RE 2,1.

[4] RE 2,1.

[5] RE 2,1.

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