O Funeral Cristão na Tradição Oriental

“Que a vossa generosidade atinja todos os viventes, mesmo aos mortos não recuseis a vossa piedade” (Eclo 7, 33).

 Os cristãos enfrentam a morte à luz do triunfo de Cristo sobre a morte pela sua ressurreição. Isso é expresso de sobremaneira quando as exéquias são feitas no tempo pascal; junto ao finado canta-se o tropário da ressurreição: “Cristo ressuscitou dos mortos, e com a sua morte ele venceu o poder da morte, e aos que estão nas sepulturas ele deu a vida”. A alegria da ressurreição de Cristo é a resposta divina à tristeza pela morte humana.

O funeral cristão é sempre imbuído de esperança na ressurreição também do corpo; por isso o corpo do finado é incensado e aspergido com água benta, são lhe prestadas homenagens e solenemente transladado à igreja e depois ao cemitério. Caminhando em procissão, rezando, o povo conduz o finado ao lugar de sepultamento. A esperança da vida eterna é expressa pelo canto “Eterna memória”, que é a “memória” de Deus em relação ao homem. Permanecer nela é permanecer na vida eterna.

O corpo do homem é entregue à terra, segundo as palavras da Sagrada Escritura: “Tu és pó e ao pó retornarás” (Gn 3, 19). O corpo “repousa” no túmulo, segundo um costume muito difundido na Ucrânia, com a cabeça voltada para o oriente, em sinal de espera na vinda de Cristo, o “Sol da justiça”, que surge do nascente. Sobre a sepultura é colocada uma cruz, sinal do triunfo sobre a morte, que foi a morte de Jesus Cristo na cruz.

Há quatro ritos de exéquias: de sacerdotes, de religiosos, de leigos e de crianças. O rito de exéquias de sacerdotes é seguido no funeral de bispos e presbíteros. Segundo o rito de exéquias de leigos são sepultados todos os demais batizados e também os diáconos. Segundo o rito de exéquias de crianças são sepultadas crianças até o sétimo ano de idade.

O rito de exéquias de sacerdotes inclui numerosas leituras da Sagrada Escritura. As estrofes cantadas constituem profundas reflexões sobre o sentido da vida humana e são de certa forma um “testamento espiritual”, uma última mensagem do sacerdote finado dirigida aos vivos.

O rito de exéquias de religiosos, que inclui todos os graus de vida religiosa, noviços, religiosos e religiosos sacerdotes, distingue-se de outras exéquias pelo modo de vestição do corpo e sua preparação para o sepultamento. No próprio rito de sepultamento fala-se sobre a renúncia ao mundo, a consagração, os votos e a despedida da comunidade religiosa.

O rito de exéquias de leigos é constituído de estrofes, cujo tema é a tragicidade da morte, originada pela queda no pecado, e a resposta cristã para a morte no canto das bem-aventuranças evangélicas. Segue-se o “último ósculo”, a despedida cristã do finado, onde a tristeza se mistura com a esperança. O rito de exéquias finaliza-se com um ofício no cemitério e o ato de selamento do túmulo “até à segunda e gloriosa vinda de Cristo”.

O rito de exéquias de crianças traz palavras de conforto para os pais e a certeza fundamentada na fé de que Deus acolheu os infantes no Reino dos céus. Esse rito não inclui orações pelo perdão de pecados, porquanto a criança ainda não os tem e é inocente, como inocente era Adão, criado por Deus, até à queda no pecado.

Fonte: Cristo nossa Páscoa: Catecismo da Igreja Greco-Católica Ucraniana. Tradução: Pe. Soter Schiller, OSBM. Curitiba: Serzegraf, 2014, n. 511-518.

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