O Rito da Confissão

A Confissão é feita perante o sacerdote, que é testemunha do arrependimento do pecador e o mediador do perdão divino: “Saiba, filho, que o próprio Cristo, nosso Salvador, que conhece os mais profundos segredos dos corações humanos, está aqui invisivelmente presente, acolhendo a tua confissão. Por isso, não ocultes de mim, por vergonha ou temor, nenhum dos teus pecados […]. Cuida que, recorrendo Àquele que cura, não saias sem ser curado”[1].

O sacerdote, ao mesmo tempo que ajuda o penitente a conhecer seu estado espiritual, reafirma a sua confiança no perdão de Deus, dá conselhos espirituais, prescreve o devido remédio espiritual (a penitência) e dá a absolvição. Quanto ao que ouviu na Confissão, o sacerdote é obrigado a manter total sigilo, mesmo após a morte do penitente. É necessário preparar-se para a santa Confissão, fazendo um exame de consciência orante, que consiste em confrontar a nossa vida com os mandamentos de Deus e da Igreja e com as bem-aventuranças evangélicas. O servo de Deus, metropolita Andrey, diz: “Para fazer uma boa confissão é necessário uma preparação mais longa. Antes da santa Confissão é preciso, fazendo uma oração fervorosa e humilde, pedir o dom da contrição, de sinceras lágrimas ou, até mesmo talvez seja necessário jejuar, pois, como sabeis, Jesus Cristo disse ‘Essa espécie de demônios não é possível expulsá-la senão pela oração e pelo jejum’. Há pecados que não podem ser excluídos da alma sem jejum, sem oração”[2].

Importantes requisitos da Confissão são o sincero arrependimento e o desejo de mudar de vida: a contrição pelos pecados e o propósito de emendar-se[3]. O sincero arrependimento é, antes de tudo, tomar consciência da própria condição de pecador, que necessita do perdão de Deus, e reconhecer que todo o pecado significa afastar-se de Deus e a rejeição do seu amor. Importante requisito de uma Confissão é também a reconciliação com o próximo: “Portanto, se estiveres para fazer a tua oferta ao altar e ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta ali diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão, e depois virás apresentar a tua oferta” (Mt 5, 23-24). Aproximando-se à Confissão, o penitente recebe a bênção do sacerdote, fazendo enquanto isso o sinal da cruz. Em seguida, confessa com sinceridade todos os seus pecados que tenha cometido desde a última confissão. Ouve com atenção as orientações do confessor, a penitência que este lhe propõe (a epitimia) e recebe a absolvição.

“Epitimia” é a prática ascética de se exercitar nas virtudes contrárias aos pecados cometidos, cuja finalidade é desenraizar o hábito do pecado e a reparação de suas consequências. Se uma pessoa, vindo a se confessar, não deseja arrepender-se, nega-se a reparar o dano causado pelo pecado, torna-se por isso mesmo impossibilitada de receber o perdão dos pecados. No intuito de ajudar à pessoa a tomar consciência de sua impenitência e movê-la a uma verdadeira conversão, o sacerdote lhe recusa a absolvição. Se alguém na confissão oculta conscientemente um pecado, permanece sem receber o perdão e ainda comete o pecado do sacrilégio. Se uma pessoa nesse estado aproximar-se à santa Comunhão, ofende a Deus e comete um grave pecado.

O sentido da Confissão na vida espiritual

No santo sacramento da Penitência Deus propicia ao cristão o crescimento na graça batismal e o progresso nas virtudes. Quanto mais um cristão se aproxima de Deus, vê mais claramente a sua fraqueza e a sua condição de pecador; por isso sente a necessidade de se aproximar da confissão com maior frequência. Segundo a opinião dos mestres de espiritualidade, se uma pessoa se confessa raramente, perde a sensibilidade de discernir o bem do mal, o que se reflete negativamente em toda a sua vida. A confissão feita com frequência torna a pessoa espiritualmente sadia, com capacidade de se opor às tentações e aumenta a sua força no combate espiritual. Boas oportunidades para a confissão são os tempos de quaresma, prescritos pela Igreja, durante os quais, segundo o costume, toda a família se aproxima do santo sacramento da Penitência.

[1] Eucológio. Rito da Confissão (Lviv 1761, l. 91-92).
[2] Metropolita Andrey: Carta pastoral àqueles que não se confessam na Páscoa (15 de outubro de 1935).
[3] Devocionário “Vinde, adoremos” (p. 128) traz cinco condições indispensáveis para uma boa confissão: 1) exame de consciência; 2) contrição pelos pecados; 3) propósito de emendar-se; 4) confissão dos pecados; 5) cumprir a penitência proposta pelo confessor.

Foto: Ordem de São Basílio Magno, Província de São Nicolau.
Fonte: Cristo nossa Páscoa: Catecismo da Igreja Greco-Católica Ucraniana. Tradução: Pe. Soter Schiller, OSBM. Curitiba: Serzegraf, 2014, n. 456-461.

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