O Rito da Crisma

Assim como o mistério pascal da morte e ressurreição de Cristo se completa com o envio do Espírito Santo sobre os apóstolos, assim também a nossa regeneração em Cristo é selada com o dom do Espírito Santo. A Crisma é o “selo” do dom que recebemos no Batismo, para evidenciar que o Espírito Santo desce sobre todo o batizando da mesma forma como sobre os apóstolos no dia do Pentecostes. A unção do Espírito Santo significa que o cristão renasce para uma nova vida em Cristo e se torna filho do Pai, para participar no múnus régio, sacerdotal e profético de Cristo para a salvação do mundo. Isso é salientado na oração da bênção do santo óleo na Quinta-Feira da Paixão: “Enviai, Senhor, o vosso Espírito Santo sobre este óleo e fazei dele aquela unção régia, unção espiritual, pela qual foram ungidos os reis, os sacerdotes e os profetas e todos seus sucessores, bispos e presbíteros, e todos os que até o dia de hoje foram regenerados pelo banho do renascimento […]. Consagrai este óleo pelo envio do vosso Espírito Santo”[1].

Na Igreja Oriental, o rito da Crisma é oficiado já após o Batismo, pois onde há vida, há respiração. O sagrado unguento – uma mistura de óleos perfumados e algumas substâncias aromáticas – simboliza a riqueza e a diversidade dos dons espirituais, que o Espírito Santo concede ao renascido em Cristo. “Não penseis que o Unguento é simples unguento; como na Eucaristia, o pão após a consagração não é simples pão e sim Corpo de Cristo, assim o santo óleo não é, após a sua consagração, um simples unguento: ele tornou-se um dom de Cristo; graças à presença do Espírito Santo, há nele uma força divina”[1]. O sacerdote usa o santo unguento que foi consagrado pelo bispo na Quinta-Feira Santa, em sinal da unidade da Igreja.

Durante a celebração do santo sacramento da Crisma, o sacerdote unge a fronte, os olhos, as narinas, os lábios, os ouvidos, o peito, as mãos e os pés do neófito, pronunciando: “O selo do dom do Espírito Santo”, para que o neófito “em todas as suas obras e palavras” sirva ao Senhor e se torne “filho e herdeiro” de seu Reino. O Espírito Santo transfigura os sentidos, os sentimentos e as obras do homem – partícipe do Reino de Deus.

As palavras “o selo do dom do Espírito Santo” expressam a pertença do batizado a Deus, que ele é sua propriedade, pois “fostes selados pelo Espírito da promessa, o Espírito Santo, que é o penhor da nossa herança, para a redenção do povo que ele adquiriu para o seu louvor e glória” (Ef 1, 13-14). Pelo poder e ação do Espírito Santo o cristão vive em Cristo: “A unção que dele recebestes permanece em vos, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas como sua unção vos ensina tudo, e ela é verdadeira e não mentirosa, assim como ela vos ensinou, permanecei nele” (1Jo 2, 27).

[1] Cirilo de Jerusalém: Sermões mistagógicos, 3, 3.

[1] Arquierático: Rito da consagração do santo óleo.

Fonte: Cristo nossa Páscoa: Catecismo da Igreja Greco-Católica Ucraniana. Tradução: Pe. Soter Schiller, OSBM. Curitiba: Serzegraf, 2014, n. 424, 428-430.

4 thoughts on “O Rito da Crisma

  1. San William says:

    Esse texto é muito bom, inclusive para trabalhar nacatequese. Nossa vocês da FASBAM são demais … parabenizo todos vocês da FASBAM… 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤🤩🤩🤩🤩🤩🤩🤩🤩🤩🤩🤩🤩🤩😘😘😘😘😘😘😘😘😘😘😘😘😘

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