A Fraternidade | A uma só voz e com um só coração com Pe. Paulo Serbai, OSBM

Na casa do Pai não podemos estar sozinhos. Ele possui muitos filhos e filhas – todos irmãos e irmãs. Refletimos o rosto de Cristo! Não podemos ser diferentes! Assim fomos regenerados no Sacramento do Batismo. A fraternidade é essencial, ou seja, se não somos irmãos, todos, sem exclusão de ninguém, não podemos concelebrar na Divina Liturgia, fazer comunhão com o céu, não podemos estar no Reino e, tão menos, rezar como Igreja. É fundamental! Certamente por isso, na Divina Liturgia, duas vezes pedimos: Para que sejamos livres de toda tribulação, ira, perigo e angústia. A ira, o ódio, a raiva… não têm espaço numa celebração eucarística.

Antes de rezar o creio, o sacerdote volta-se aos fieis e diz: amemo-nos uns aos outros, para que num só pensamento possamos professar a nossa fé. Nos inícios da Igreja, a expressão amemo-nos uns aos outros, neste momento, deveria tornar-se realidade. Era o momento de demonstrar, com o abraço da paz, de que todos os presentes eram irmãos, se amavam, acreditavam no mesmo Deus e eram verdadeiramente cristãos. Quem não fazia parte deste grupo, deveria sair da igreja. Daí a expressão do sacerdote que permanece até hoje: Portas, as portas… Existiam pessoas que cuidavam na porta e não deixavam ninguém entrar ou sair, pois a partir de agora, rezar o creio, elevar os corações ao alto, participar da consagração, rezar o Pai Nosso e receber a Santíssima Eucaristia, era algo reservado para os irmãos, para os que se amavam. Quem não estava em paz consigo, com Deus e com os irmãos, deveria estar fora da porta. A fraternidade era algo sério! Era constituinte! Fazia acontecer a Liturgia!

A fraternidade está acima da paternidade. Se não sou irmão de todos, sem exceção, não posso chamar Deus de Pai, pois Ele tem a todos por filhos e filhas  e os ama. Que poder deu-nos Deus! Se eu não aceito um irmão… não importa se tenho centenas e centenas de amigos, me excluo do convívio dos irmãos, da Igreja, da Liturgia. Se eu não perdoo, o Senhor também não perdoa.

Longe o ódio, a raiva, a maldade! Parar na fila da comunhão não é um ritual! É estar em comunhão com todos, é ser irmão e amigo de todos! Se não estou em comunhão com todos, se excluí uma pessoa da minha vida, não posso parar na fila para a Comunhão! Teremos inimigos, é claro, pois Cristo também teve. Nem todas as pessoas vão com o nosso jeito, nos ofendem, zombam, cometem injustiças… nós também temos os nossos defeitos e tantas vezes ofendemos os outros… Mas o coração não deve levar mágoas, ódio, condenação. Precisamos ter a atitude que teve Cristo: amou a todos, inclusive os algozes que O crucificaram. Como cristãos, precisamos amar os nossos inimigos, rezar por eles, confiar as suas pessoas à misericórdia divina, ter compaixão… sofrer com eles e por eles. Trazer estas pessoas ao coração divino… jamais alguém deve morrer vivo para mim! Jamais dizer: ele ou ela morreu, não perdoo, não existe mais!

Isso é fácil? Não! Às vezes custa o sangue, o brio, a honra… é o preço da cruz! Foi lá que Cristo fez todos nós irmãos e amigos. E na consagração, estamos junto da cruz. Somos testemunhas deste imenso amor de Cristo por cada um! É o Cordeiro de Deus que leva o pecado do mundo, o meu e do meu irmão, a cada Divina Liturgia. E como eu posso estar diante da cruz em pecado ou com ódio? Como posso estar diante dela sem perdoar ao meu irmão? Como posso receber a Santa Comunhão se ela é para a remissão dos pecados?  Estar na igreja, rezar como Igreja, estar diante do Santo, é um empenho assumido por cada um de nós e por todos. É o nosso rosto de cristãos! Não vos darei o beijo da traição como Judas… uma missão e compromisso assumidos na oração de preparação antes da comunhão. Precisamos ser coerentes. Exige-se uma atitude cristã, um estado de alma, a fraternidade, a amizade. E isto custa! Amar a todos e deixar que a misericórdia olhe, cuide e ame a cada um de nós, amigos, inimigos, simpáticos, menos simpáticos, tantas vezes diferentes no comportamento, na personalidade… mas consanguíneos, irmãos de Jesus Cristo.

Pe. Paulo Serbai, OSBM
Mestre em Ciências Eclesiásticas Orientais

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