A Santidade | A uma só voz e com um só coração com Pe. Paulo Serbai, OSBM

Na celebração da Divina Liturgia tudo é santo: o lugar, o Rei, anjos, santos, nós os participantes, todos os utensílios usados (paramentos, cálice…), os Dons santificados, o Altar, o Evangelho…, enfim, a santidade está presente e preenche toda a celebração, o celebrante e os concelebrantes.

Hoje, nós perdemos e muito o sentido da santidade. No fundo, não queremos ser santos! Não faz parte do nosso projeto. Nos deixamos envolver pelo profano, por coisas materiais, por pensamentos que nos distanciam de Deus, pelos afazeres próprios do mundo e no mundo… o Sagrado não nos atrai. Não se impõe. Perdemos o medo (respeito) e a mística de estarmos junto ao Santo, ao Santíssimo. Não sabemos mais nem como comportar-se num lugar sagrado. Mesmo no pátio da igreja, no cemitério, junto ao um cruzeiro, que são lugares sagrados. Para muitos de nós, estar num mercado, num restaurante  ou na igreja pouco muda… os sentimentos são os mesmos. E não deveria ser assim!

Na Divina Liturgia estamos realmente na casa d’Aquele que é Santo, três vezes Santo, Santíssimo, é admirável em sua santidade, tudo santifica e é a nossa santificação. Não fazemos de conta, não é teatro… recebemos a Santa Comunhão, a santificação, pedimos a graça de viver um dia que seja santo e irreprensível, que sejamos preservados na santidade. Os Santos dons são dados aos santos, àqueles que carregam a veste límpida, que são templos do Espírito Santo – fonte de toda santidade, que refletem em seus rostos o rosto do Filho Santíssimo. Cantamos com os anjos e santos… vivemos a comunhão dos santos, daqueles que já estão no céu, com os quais concelebramos.

Como é importante sabermos onde estamos, diante de quem, quem é Ele? Por isso a Igreja nos pede uma preparação que comporta o jejum, o silêncio, a vontade de participar e a necessidade de se ter um coração puro e pacificado. Não existe espaço para o pecado, a maldade, a divisão… estes são inimigos da santidade, são o contrário. Como podemos estar diante do Santíssimo com um coração dominado pelo inimigo de Deus? Que nada de impuro se aproxime da Casa de Deus!

Ó Deus santo, santo e forte, santo e imortal, tende piedade de nós! O Deus três vezes santo habita no Santo dos santos, está ao nosso alcance, presente, nos santifica. Quanta honra poder cantar glorificando a santidade divina! O Senhor que se digna receber louvores de nós pequenos, criaturas, humildes… Quanta honra poder cantar louvores ao Senhor das Alturas junto com os anjos e santos! E estamos lá, no céu, verdadeiramente! Unimos as nossas vozes ao coro dos anjos, diante do Altar celeste, cantando o hino santo, santo, santo…

Quais são as minhas atitudes e consciência durante a celebração da Divina Liturgia. Como eu me aproximo? Diante de quem me ajoelho? Tenho consciência de, neste momento, estar diante do Criador e Salvador? Como é o meu canto? Faço parte do coro celeste? Me uno aos santos e anjos numa só voz e num só coração?

Estando diante d’Aquele que é santo não precisamos ter medo e pavor. A santidade de Deus não deve nos afastar, mas atrair. É festa, é alegria, é fonte de vida. Precisamos ter o devido respeito, que é sentimento de humildade, pequenez, consciência das nossas imperfeições. Sentir-se “em casa”! É reconhecer que é o Santo que nos faz viver, que é a fonte da nossa existência. É louvar Aquele que não olha para a nossa indignidade e faz morada em nossos corações, nos acompanha no nosso dia a dia, nos santifica. E nos envia para santificarmos o mundo, as nossas casas, o trabalho, as famílias.

A santidade torna-se o nosso modo de viver. Para que tenhamos hoje um dia de paz, sem pecado, perfeito e santo, peçamos ao Senhor! Que pedido forte! Quanta coragem! Temos o Santo! Voltamos para as nossas casas com o Santo. Somos Templos vivos. O nosso rosto deve brilhar assim como o de Moisés quando desceu da montanha. Que o Senhor três vezes santo nos dê a graça de termos a consciência da santidade da Casa de Deus. Que a alegria verdadeira, que é fruto do Espírito Santo, testemunhe a todos de que estivemos na presença de Deus.

Pe. Paulo Serbai, OSBM
Mestre em Ciências Eclesiásticas Orientais

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