A Sexta-feira Santa na Iconografia

O tema central da Sexta-feira Santa, o tema da morte, é experimentado através desta cadeia de eventos: a crucificação do Senhor, sua morte na cruz, sua descida da cruz e a deposição de seu corpo no sepulcro.
A representação iconográfica usual da crucificação inclui relatos do Evangelho e imagens poéticas de hinos de adoração e interpretações teológicas dos Santos Padres.

Não apenas um homem morre, mas o próprio Deus, e este é um evento de proporções universais.

Hoje, aquele que pendurou a terra nas águas está pendurado no madeiro; o Rei dos anjos usa uma coroa de espinhos …

Tanto o canto quanto o ícone já antecipam a ressurreição.

A iconografia oriental estabelecida mostra Cristo não no momento da morte, nem em agonia na cruz, mas como morto. A posição de Seus braços indica o abraço incondicionalmente aberto de todo o mundo com Seu amor.

Alguns ícones retratam Cristo com os olhos abertos, outros com os olhos fechados – os dois tipos são perfeitamente canônicos. No primeiro caso, Sua natureza divina é enfatizada, enquanto no outro caso Ele é retratado como um ser humano.

O tecido e o corpo humano nu de Cristo são um símbolo de sua vulnerabilidade e rendição às mãos humanas.

O crânio de Adão é tradicionalmente representada sob a cruz. Segundo uma lenda, Adão, o Primeiro Homem, foi enterrado no Gólgota. Os Santos Padres que refletiam sobre os eventos do Evangelho costumavam vê-lo como algo especial: Adão lançou a humanidade no reino da morte por sua desobediência; Cristo, o “novo Adão”, por ser obediente ao Pai, venceu a morte e arrancou a humanidade de seu poder.

Alguns ícones mostram anjos chorando.
Alguns ícones e afrescos mostram uma cena interessante e bastante comum: à esquerda do Senhor há uma representação da Igreja do Antigo Testamento, e à direita é a Igreja do Novo Testamento. Um deles, representado pela imagem de um anjo que está se aproximando de Jesus, e o outro que está sendo levado por outro anjo. Afrescos e ícones frequentemente mostram a Igreja do Novo Testamento com um cálice nas mãos, no qual Ela coleta o Sangue que flui da ferida do Salvador como um símbolo da Comunhão que Cristo oferece a todos que crêem Nele para a remissão dos pecados.


O tema da Mãe de Deus aos pé da cruz é especial, pois mostra quão intensa era a dor do coração da mãe. A presença de João, o Teólogo, na cruz significa a fidelidade do discípulo que, ao contrário dos outros, não deixou o Mestre na sua pior hora.

Merecem atenção especial as cenas como Deposição da Cruz, Lamentação, Deposição no Túmulo.


Tradicionalmente, a imagem iconográfica é emocionalmente restringida, mas a Lamentação e a Deposição no Túmulo são exceções a essa regra. O rosto da Virgem Maria, que se apega ao rosto do Cristo morto, bem como o rosto de seus discípulos e anjos, é marcado por pesar e profunda tristeza.

O ícone da Ternura tem o mesmo esquema de composição, onde a Mãe de Deus também segura Cristo, o Menino, ao seio. Essa interconexão de imagens acrescenta o tema da Paixão antecipada à iconografia da Ternura. É o amor que conquista a morte.

Certamente, não podemos contornar o tema do enterro de Jesus Cristo. Na maioria das vezes, é representado não por ícones, mas por mortalhas, conhecidas por sudários, bordadas ou pintadas com a imagem do Cristo morto, que são colocadas na igreja em vez do ícone.


Ícones antigos enfatizavam as mortalhas brancas (limpas) de Cristo, como um símbolo de nascimento e morte. Não é por acaso que as mortalhas se assemelham a roupas de panos de bebês: elas ecoam claramente os ícones da Natividade de Cristo, onde o bebê Jesus repousa em panos na caverna de Belém.

Todas essas alusões devem sublinhar a natureza humana de Jesus, Seu nascimento e morte, e tudo o que Ele voluntariamente aceitou para a redenção dos homens.

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