Em Kant, o que podemos conhecer?

Responder esta questão (do próprio Kant) considerando as formas da intuição sensível, o Entendimento e a Razão. Qual é a atividade do entendimento e a função da razão? O entendimento de conhecimento por Immanuel Kant tem como finalidade conseguir abordar o porquê algumas formas de conhecimento como empirismo do reino Unido e também a abordagem do racionalismo não conseguem discernir o conhecimento de forma abrangente. Assim, ele demonstra a partir dos seus ensinamentos que o que podemos conhecer está relacionado com a neutralidade. Contudo, o ser humano jamais consegue aderir essa forma de “conhecer”, pois, é axiomático que dentro das informações obtidas e concatenadas por outrem, irá se alistar a sensibilidade e o entendimento em consonância com a cognição humana. (KANT, 1987).

Partindo dessa análise, nada do que podemos entender como conhecimento está relacionado com a parcialidade, pois, segundo Kant, é improvável que o ser humano consiga distinguir as suas crenças do seu conhecimento. De forma que, ao abordar qualquer processo empírico, como disserta em sua obra Crítica da razão pura, o ser humano irá aderir a sua concepção crítica a esse conhecimento e a sua observação, parâmetros que estão tanto no empirismo quanto no racionalismo. (KANT, 1988),

Segundo Kant, não é necessário somente levantar hipóteses ou buscar resultados contundentes para conseguir criar uma lei, é necessário que esse estudo ocorra de forma imparcial. Não obstante, a razão humana é intrínseca aos seus pensamentos e julgamentos, de forma que a presença dessa questão é distinta para cada ser que a adere. É imperativo que uma série de processos são necessários para que o ser humano evolua as suas crenças, o autor demonstra que o conhecimento não ocorre jamais de forma imparcial. Hora, se alguém busca a resposta para uma pergunta em específico, para conseguir a sua resposta, o mesmo sempre irá canalizar para que as suas experiências estejam corretas, muitas vezes ultrapassando os estudos de outros autores, ou mesmo fazendo uso de resultados que só estão de acordo com a sua própria realidade. (SILVEIRA, 1996).

Kant só previa uma forma de intuição como funcional, que é a intuição sensível. Nesse contexto, o autor não aceitava a probabilidade de uma instituição de origem intelectual ou racional. De acordo com Durozoi e Roussel (1993), a intuição permeia, de forma geral, uma forma de conhecimento premente e concisa, o que faz uma concomitância entre o momento de espírito em presença do seu objeto.

Fazendo uma confluência do pensamento desses autores e das ideias de Kant, a intuição se refere a algo associado ao objeto, ou seja, é singular. (KANT, 1998). Isto posto, é importante salientar que o autor conseguiu prever algo que só foi abordado de forma contundente no século XX, ou seja, que não é possível avaliar o conhecimento a partir de pressupostos, é preciso que uma ideia, para ser avaliada com teor científico esteja em confluência com a criação de teorias. Ou seja, todo tipo de conhecimento é aderido por intermédio de um conhecimento teórico, de modo que, até as observações feitas precisam estar embasadas em uma teoria, como prevê a análise Popperina e que é defendida por Kant. (POPPER, 1975).

A análise e síntese que Kant criou sobre o que podemos conhecer, é embasada em uma crítica entre o racionalismo e o empirismo de maneira brilhante. O que é mais interessante é que essas duas áreas de conhecimento eram as mais relevantes daquela época. Contudo, Kant vai forma contrária, defendendo condições que tornam o conhecimento empírico para que o mesmo possa se transformarem conhecimento Puro. (KANT, 1998).

O autor deixa claro que o conhecimento não é um processo de fácil compreensão para o ser humano, e que deixar de lado os seus dogmas e paradigmas impostos desde a sua criação para conseguir discernir o que de fato é conhecimento é um processo praticamente impossível de ser aplicado. (KANT, 1987). Com os vários estudos sobre a razão e os sentidos e o seu emaranhado de ideias, é óbvio que essas vertentes filosóficas também seriam englobadas ao processo científico. Mas afinal, o que podemos conhecer?

Kant não defende em seus estudos que os sentidos não são importantes para o ser humano, pelo contrário, são de extrema relevância para a sua sobrevivência. Todavia, para conseguir o conhecimento, é preciso que o estudioso seja racional, independente do envolvimento que ele possui com a pesquisa. De acordo com o autor, a intuição pura em confluência com a empírica, vestem o intelecto que está nu, que é o criticismo.

Ademais, além da já conceituada experiência sensível, o que a priori tem a sua contribuição, o tempo, o espaço e a lei a casualidade estão associados a moral em nossa consciência. Com isso, via de regra o que o autor propõe é que para conseguir chegar a um conhecimento que se aproxime do puro, é necessário que a intuição pura seja aderida em consonância com a intuição empírica. (KANT, 1987).

Assim, o estudioso responde que o conhecimento é relacionado ao papel constitutivo de um mundo pelo sujeito transcendental. De modo que, é o ser humano, por intermédio do uso do seu intelecto, que tem as condições de possibilidade de experiência.

Logo, o conhecimento pode ser adquirido porque o ser humano possui consciência e um apanhado intuitivo que permeiam o conhecimento como possível. Assim, essa vertente de estudo de Kant começa a correlacionar os limites da razão com as formas de investigação do mundo, algo que até o iluminismo, não havia sido feito. (KANT, 1998).

O filósofo aborda duas maneiras de conhecimento, por um lado aparece a sensibilidade, na qual a sua facultação está embasada na intuição. Por outro, surge o entendimento, ou seja, a forma como esses objetos serão pensados e entrelaçados a conceitos.

O conhecimento de Kant não deve ser retratado como algo cético, ou seja, jamais pode ser descredenciado da razão, e muito menos embasados em dogmas ou doutrinas. É necessário que o mesmo seja totalmente associado à razão. Ou seja, o que podemos conhecer, nada mais é que uma assimilação de forma racional, isto posto, a razão é o processo ativo do conhecimento, e não receptivo ao mesmo. De acordo com Kant a razão é um adorno ao conhecimento, ou seja, é através dela que o conhecer pode ser ordenado, tornando-se inteligível e que possua significados escorreitos. (PASCAL,1992).

O autor defende que todo o processo de conhecimento se dá início com uma experiência, conquanto, isso não é justificativa para que todo o conhecer seja derivado de uma experiência. Nesse contexto, na lógica Kantiana, para conhecer é necessário tanto a razão como os seus instrumentos técnicos da ciência, como é o caso da realidade trazida pelo empirismo.

Nessa perspectiva, é preciso compreender que, por exemplo, a soma dos ângulos internos de um polígono com três lados sempre terá 180º, isso é um fato, ou seja, não é possível associar experiências de fatos concretos. Assim, o conhecimento científico, não pode nos proporcionar uma certeza, pois não importa quantas vezes um caso tenha ocorrido anteriormente, isso não é justificativa para que o mesmo continue acontecendo com o passar dos anos. Segundo Kant, o cientificismo é dinâmico, ou seja, jamais pode ser considerado um fato. (KANT, 1997).

Bibliografia

DUROZOI, G., ROUSSEL, A. Dicionário de Filosofia. Campinas: Papirus, 1993
KANT, I. Crítica da razão pura. Vol. I. São Paulo: Nova Cultural, 1987. (Os Pensadores).
KANT, I. Crítica da razão pura. Vol. II. São Paulo: Nova Cultural, 1988. (Os Pensadores).
KANT, Immauel. Crítica da razão pura. 4. ed. Lisboa: Colouste Gulbenkian, 1997.
PASCAL, Georges. O pensamento de Kant. Petrópolis: Vozes, 1992.
POPPER, K.R. Conhecimento objetivo. São Paulo: EDUSP, 1975.
SILVEIRA, F. L. A filosofia da ciência de Karl Popper: o racionalismo crítico. Caderno Catarinense de Ensino de Física, Florianópolis, v.13, n.3, p.197-218, dez. 1996.

Autor: Ermes Rodrigues de Almeida Neto, seminarista da Ordem de Santo Agostinho e egresso Curso de Filosofia da FASBAM (Turma de 2020).

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