Bem-aventurado Iakym Senkivskyi, OSBM | Série sobre os Mártires Basilianos

Padre Iakym nasceu em uma família profundamente cristã. As famílias cristãs foi o “segredo” da capacidade da Igreja Greco-Católica Ucraniana de resistir à longa e feroz perseguição comunista. A família Senkivskyi sofreu muito, viu-se privada de seus direitos mais ele­mentares, porém, nunca renegou a fé cristã.

Ivan Senkivskyi nasceu na aldeia de Haí Velykyi, no dia 02 de julho de 1896, na região de Ternopil. Seus pais, Antonina e Semen, eram agri­cultores. Seu pai era proprietário de uns 40 hectares de terra cultivável, tinha uma razoável criação de animais domésticos e um grande colmeal. O trabalho era duro e exigia cooperação de todos membros da família.

O pai não poupou esforços nem dinheiro para educar seus fi­lhos. Era católico e fazia parte de várias associações reli­giosas. Era generoso com a Igreja e ajudava a comunidade em todas suas necessidades. En­con­tra­va-se frequentemente com o Metropolita Andrey Sheptytsky, para pedir conselhos e bênçãos antes de tomar decisões importantes. Sua conduta e seu modo de vida foram um ótimo exemplo para os filhos. Por isso, não é difícil compreender porque seus dois filhos Ivan e Volodymyr decidiram pelo sacerdócio.

Em 1921, Ivan concluiu seus estudos teológicos em Lviv. No dia 04 de dezembro do mesmo ano foi ordenado sacerdote na Catedral de São Jorge, em Lviv, e continuou seus estudos em Innsbruck (Áustria), onde formou-se doutor em Teologia.

Porém, “a sua alma generosa”, escreveram algumas testemunhas, “não ficou satisfeita enquanto não conseguiu chegar à meta do seu itine­rário espiritual: tornar-se monge”. Ele realizou este desejo, quando no dia 10 de julho de 1923, ingressou no noviciado basiliano de Krekhiv. Segundo informações de seus coirmãos, ele foi um noviço exemplar e deixou aos seus colegas um belo exemplo de vida a ser seguido. Embora fosse sacerdote e de idade mais avançada, ele soube se adaptar aos coirmãos mais jovens do noviciado. Encorajava-os com sua modéstia, piedade e dili­gência. Distinguia-se ainda pelo seu temperamento alegre e cordial, criando na comunidade um clima de alegria e descontração.

Terminado o noviciado, Padre Iván Senkivshkyi emitiu os primeiros votos no dia 01 de mar­ço de 1925 e mudou o seu nome para Iakym. Em seguida, foi mandado para o mosteiro de Krasnopuchtcha, no distrito de Berejany. Pouco sabemos sobre suas ativi­dades nesta aldeia, porque os arquivos daquele período de sua vida não existem mais. Nos anos 1927-1931, ensinou na escola de Santo Onofre, no povoado de Lavriv, no distrito de Starosambir. A escola era fre­quentada por sacerdotes e religiosas e também por professores das escolas paroquiais. Além disso, ele foi encarregado da catequese na escola local e na al­deia de Linyni. Pregou várias missões em todo terri­tório da Galícia. Era muito estimado por todos. Foi um ótimo pregador e organizador competente. A sua luta contra o alcoolismo e a imoralidade, bem como o seu empenho pela Associação Prosvita, eram sempre voltados para despertar a consciência do povo aos valores cristãos. Graças a sua intensa atividade pastoral, muita gente era atraída para a Igreja.

De 1932 a 1938, ele viveu no mosteiro de Santo Onofre, em Lviv. Narram as testemunhas: “Aqui exerceu vários encargos de coor­denação. Graças à sua grande versatilidade, era capelão da Congrega­ção Mariana dos jovens da escola superior, capelão do grupo Ma­riano das Famílias, capelão do Apostolado da Oração, capelão da Or­dem Terceira dos padres Basilianos de São Josafat, e confessor das irmãs Basilianas. Não obstante todas estas atividades, ele ainda en­con­trava tempo para desenvolver outros trabalhos. Sentia-se feliz quan­do organizava encontros eucarísticos das crianças de Lviv e procurava reunir um número sempre maior de meninos para tirá-los da rua.

Em 1938, foi nomeado vigário da paróquia Santíssima Trindade de Drohobytch. Todos que o conheceram pessoal­mente afirmam: Ele conseguiu conquistar a simpatia de toda cidade. Granjeou a simpatia dos fiéis graças as suas brilhantes ho­milias e sua habilidade de se adaptar tanto aos homens de cul­tura como aos agricultores, anciãos, jovens e crianças. Sempre cortês para com todos e com sorriso no rosto. Sentia-se que por trás da sua inata modéstia e dignidade, estava um verdadeiro discípulo de Cristo”. Padre Iakym procurou reavivar a vi­da religiosa da cidade através de grandes missões populares. Juntamente com o Padre Severian Baranyk, despertou na população de Droho­bych grande interesse e amor à religião e à Igreja.

O mosteiro da Santíssima Trindade de Drohobych era um importante centro de estudos. Após a invasão soviética da Galícia, todas as propriedades da Igreja: terras, escolas e edifícios das comunidades paroquiais foram con­fiscados pelo Estado. Os monges fo­ram forçados a abandonar o mosteiro, exilados ou martirizados. Mas as violências, ameaças e o clima de medo instaurado, não foram capazes de abalar a perseverança dos dois padres basilianos. Eles não abandonaram o mosteiro e não interromperam o trabalho pastoral junto aos os fiéis de Drohobych. Tudo isto é confirmado por muitas teste­munhas.

A popularidade e sobretudo as pregações do orador da “língua de prata”, que semeava o amor a Cristo e a Nossa Senhora nos corações dos fiéis, era pimenta nos olhos dos bolchevistas. Padre Senkivskyi tinha o dom de se co­mu­nicar com as pessoas, particularmente com os jovens. Durante suas pregações, a igreja ficava repleta de fiéis, enquanto os oficiais da KGB, uniformizados, permaneciam em pé diante do portão principal. Mas Padre Senkivskyi não se importava com a presença deles. Seus ardentes sermões eram sempre plenos de amor a Deus e à Pátria. Ele foi capaz de manter alto o espírito de esperança dos fiéis por um amanhã melhor. Padre Senkivskyi foi convocado diversas vezes pela KGB que exigia dele o encerramento imediato de suas atividades de pregador do mosteiro.

Sem se intimidar diante das ameaças, padre Iakym continuou a enco­rajar seus paroquianos a perseverarem fiéis à Igreja. Os co­munistas não podiam suportar essa situação por mais tempo. Os paroquianos sabiam que o apostolado dos dois basilia­nos era uma atividade perigosa. Recorda Daria Lialiuk: “Com lágrimas nos olhos, meu pai dizia que Padre Senkivskyi seria morto, seria assassinado, que os soviéticos não perdoariam as suas pregações”.

E de fato, na manhã do dia 26 de ju­nho de 1941, Padre Iakym celebrou a sua última Missa. Os dois basilianos estavam preparados para a morte. Antes do meio-dia ele foi preso pelos bolchevistas juntamente com o Padre Severian Ba­ranyk. Alguns dias antes da sua prisão, os fiéis pediram que os dois religiosos abandonassem o mosteiro até que o perigo passasse. Padre Ia­kym respondeu: “Eu não vou sair daqui, nenhum fio de cabelo cairá da minha cabeça sem a vontade de Deus”.

Na manhã de domingo, 29 de junho de 1941, enquanto as for­ças alemãs entravam na cidade de Drohobych as pessoas corriam em direção da prisão na esperança de livrar parentes e amigos presos pe­los comunistas. Mas aquilo que viram “era estarrecedor”. O padre Damian Bohun afirmou: “Alguns corre­ram para junto de uma vala recém-aberta e constataram que estava cheia de cadáveres”. Ao lado de uma outra vala, no cortil do cárcere, espalhados entre os diversos objetos, foram encontrados o breviário do Padre Baranyk e um cartão postal com o nome do Padre Senkivskyi. Seus corpos, porém, nunca foram en­contrados. De fato, alguns anos depois que terminou a guerra, um fun­cionário do Ministério Público disse à Anna Vituchynska, sua empregada, que um dos padres, na prisão, foi cozido num caldeirão e servido aos prisioneiros na refeição. Alguns prisioneiros sobreviventes testemu­nha­ram de ter encontrado na sopa partes de corpo humano.

Depois que foi feita a exumação das vítimas do sistema totalitário comunista em Drohobych, em 1991, o povo homenageou os seus mortos com solenes celebrações religiosas. Também os ataú­des dos padres Senkivskyi e Baranyk foram simbolicamente trans­portados, visto que os seus corpos nunca foram encontrados. As tes­temunhas afirmam: “Não havia quase ninguém em Drohobych que, naquele tempo, não tivesse conhecido o Padre Senkivskyi. Ele sem­pre será lembrado pelos fiéis como um grande exemplo de sacerdote de Cristo e defensor do seu povo”.

Volodymyr, irmão mais jovem do padre Yakym, deu este testemunho: “Meu irmão era um sacerdote autêntico e uma pessoa generosa. Não teve vida fácil. Viveu pobremente. Como mártir, ele intercede junto a Deus por nós pecadores e, de modo particular, por mim”.

A Igreja Católica celebra a memória do bem-aventurado mártir Iakym Senkivskyi no dia 27 de junho juntamente com os outros confessores e mártires, beatificados em 27 de junho 2001, pelo Santo Padre João Paulo II, em Lviv.

Referência:

MATTEI, Giampaolo. L’Osservatore Romano. Ucrânia terra de mártires. Coluna dirigida por Mario Agnes.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *