Por que o Ano Litúrgico das Igrejas Orientais tem início no dia 1º de setembro?

O calendário das Igrejas Orientais é rico em mistérios. Existem coisas aparentemente simples e até triviais, que nem sequer pensamos. Por exemplo, podemos mencionar a data do início do ano novo. Qualquer pessoa do mundo contemporâneo, se não for membro de uma tradição exótica, dirá que a data é 1º de janeiro. Parece natural, uma vez que contamos os meses a partir de janeiro. Trata-se também do solstício de verão no hemisfério norte, após o qual os dias se tornam mais longos. Além disso, a festa da Natividade de Cristo é celebrada em 25 de dezembro, e podemos afirmar que quando o Verbo se tornou carne, Deus nasceu neste mundo, tornou-se o momento do qual poderíamos contar o nosso tempo.
 
No entanto, as Igrejas Orientais consideram o dia 1º de setembro como o primeiro dia do ano. Por quê? Existem várias respostas para esta pergunta, mas a maioria delas está conectada com o número 7, de uma forma ou de outra, enquanto setembro é o 7º mês, contando a partir de março – o primeiro mês do ano bíblico para os antigos hebreus. 
 
O número 7 é simbólico para a consciência bíblica. De acordo com a história bíblica, Tendo Deus terminado no sétimo dia a obra que tinha feito, descansou do seu trabalho. Ele abençoou o sétimo dia e o consagrou, porque nesse dia repousara de toda a obra da Criação” (Gênesis 2, 2-3). Assim, para as pessoas que vivem no mundo da Bíblia, o número 7 e o 7º mês são algum tipo de totalidade, como algo concluído, após o qual o ciclo recomeça.
 
No entanto, a teologia cristã não se limita apenas ao número 7. Ela sai do ciclo, uma vez que a percepção cristã do tempo é linear e escatológica. É linear porque a história humana começou no momento certo do tempo e chegará ao seu fim uma vez – pelo menos, até o fim em um sentido terrestre comum. Com a Vinda de Cristo, o velho mundo terminará e chegará o tempo em que não haverá tempo algum: “E, quando tudo lhe estiver sujeito, então também o próprio Filho renderá homenagem àquele que lhe sujeitou todas as coisas, a fim de que Deus seja tudo em todos” (1 Cor 15,28). Vivendo no mundo do sábado, os cristãos conhecem e podem experimentar o oitavo dia na Eucaristia – o dia de um novo Aeon, o dia em que a morte é derrotada, o dia em que o Reino do Céu penetrou neste mundo. O Reino já está entre nós, e é por isso que podemos esperar por este Reino, porque já participamos dEle, já nos tornamos parte dEle, já que somos o povo de Deus e nos reunimos na Ceia de Cristo em Seu Reino (cf. Lc 22,30). Cada semana tem 7 dias, e após o 7º dia, chega o 8º dia, que parece estar fora da semana; todos os anos e todas as festas da Páscoa nos falam sobre a única coisa que importante para nós – o Reino dos Céus.
 
A festa do Ano Novo Eclesiástico testifica que a era do novo e do velho mundo está chegando ao fim. Como Jesus Cristo diz: O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor” (Lc 4,18-19). Assim, vamos todos seguir o chamado de São Apóstolo Paulo: “Acima de tudo, recomendo que se façam preces, orações, súplicas, ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que estão constituídos em autoridade, para que possamos viver uma vida calma e tranqüila, com toda a piedade e honestidade. Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2,1-4).
 

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