O pensamento filosófico-teológico de: Basílio de Cesareia, Gregório Nazianzeno e Gregório de Nissa

Dando continuidade à XI Semana de Filosofia da FASBAM, aconteceu uma mesa redonda com o tema: O pensamento filosófico-teológico de: Basílio de Cesareia, Gregório Nazianzeno e Gregório de Nissa. Na composição da mesa estavam: o mediador Prof. Dr. Teodoro Hanicz (Claretiano, FASBAM); e os participantes: o Prof. Dr. Rogério Miranda de Almeida (PUCPR, Claretiano, FASBAM), o Prof. Me. Soter Schiller (FASBAM) e o Prof. Me. Antônio Royk Sobrinho, OSBM.

Após a acolhida dos participantes pelo moderador, o Prof. Dr. Rogério Miranda de Almeida realizou a sua fala, um primeiro momento, de modo a elucidar aos presentes um panorama geral dos pensamentos e influências dos três Padres capadócios: Basílio de Cesaréia, Gregório Nazianzeno e Gregório de Nissa. Em seguida, o professor se preocupou em fazer um caminho que fosse capaz de percorrer aqueles principais pensamentos que influenciaram os capadócios, concluindo que “a teologia oriental é essencialmente platônica”.

Para o estudando Thiago Antunes, do 3º ano do Curso de Filosofia da FASBAM, “as exposições do Prof. Rogério serviram para que o pensamento de cada filósofo fosse melhor entendido e desenvolvido em meio as aulas do Curso de Filosofia da FASBAM. Em todas as áreas dessa disciplina é necessário que se faça uma abordagem completa do tema para se chegar às particularidades e, assim, melhor entendê-las”, destacou.

Dando prosseguimento nas exposições, foi dado ênfase na trajetória de vida de São Basílio e em sua cosmologia pelo Prof. Me. Soter Schiller, que durante a sua fala deixou uma pergunta ao Prof. Rogério: “Como a formação filosófica de Basílio de Cesareia influenciou diretamente em sua teologia e outros pensamentos?”. O professor Soter ainda falou sobre o Hexaemeron, a obra de Basílio sobre os seis dias da criação, buscando explicar a dimensão cosmológica presente no pensamento do filósofo.

Antes ainda de adentrar no debate propriamente dito, o Prof. Me. Antônio Royk deu a sua contribuição falando mais especificamente sobre as regras monásticas de Basílio, chamando atenção para alguns pontos como era importante para o filósofo a vida ascética, a vida comunitária e a caridade como meios para viver mais perfeitamente o Evangelho e o que pediu Jesus Cristo, aquele que é a cabeça da Igreja, o retorno às raízes primeiras do Cristianismo, tendo como modelo a comunidade primitiva de Jerusalém, e ainda o entendimento das regras monásticas como um conjunto de diretrizes teológicas.

Após um breve intervalo, o acadêmico Murilo Ruchinski, do 3º ano, abrilhantou a manhã com uma belíssima apresentação de flauta transversal, interpretando a canção Légua Tirana de Luiz Gonzaga. Em seguida, deu-se início ao debate  que contou com discussões entre os participantes da mesa redonda e a participação da plateia presente. O Prof. Rogério destacou que a vida de ascética assumida por Basílio permitiu-lhe um contato maior com as Sagradas Escrituras e que o seu conhecimento teológico, embora tenha tido influências de sua família e dos locais em que estudou por ser de uma família aristocrata, foi “basicamente autodidata”.

Outros questionamentos muito relevantes tomaram lugar nesta discussão, sobretudo os que trataram da concepção de tempo em Basílio, das considerações sobre as regras morais e a diferenciação desta com as regras monásticas, e ainda uma diferenciação entre os conceitos de Apocalipse e Escatologia. Ao final da manhã, o Prof. Rogério concluiu: “um dos objetivos principais dos Padres capadócios foi a maior aproximação possível entre o BEM e o mundo sensível”, uma espécie de cristianização dos pensamentos platônicos.

Texto: Fr. Roberto Silva Souza, SAC, estudante da turma 2º ano do Curso de Filosofia da FASBAM.

Fotos: Luiz Carlos Araujo Moreira.

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