Quem foram os Padres Capadócios?

Os Três Grandes Capadócios ou Padres Capadócios foram expoentes típicos em seu tempo. O principal mérito deles foi o de explicar o dogma da Santíssima Trindade, colocando-o em formulações teológicas estritas, que levaram à sua consolidação no II Concílio Ecumênico de Constantinopla (381) e à fixação no Credo de toda a Igreja, chamado “Niceno-Constantinopolitano”. Significativa foram as suas contribuições para a vida monástica e para aumentar a autoridade do monasticismo para a Igreja daquele tempo. Os pontos de sua doutrina que mais influenciaram o desenvolvimento da filosofia cristã foram: a Teodiceia de Gregório Nazianzeno, a Cosmologia de Basílio de Cesareia e a Antropologia de Gregório de Nissa. Eles também foram de grande importância para a teologia e pertenciam a uma classe dirigente da Igreja durante o século IV, além de serem provenientes de famílias abastadas que dispunham de recursos e influência social. Motivo, pelo qual, propiciou uma boa formação escolar, o que os predestinava às carreiras públicas mais importantes, como mestres de retórica, advogados ou estadistas.

Gregório de Nissa era o irmão mais novo de Basílio de Cesareia e este, por sua vez, era amigo e colega de estudos de Gregório Nazianzeno. O avô materno de Basílio e Gregório de Nissa havia sofrido o martírio na perseguição de Diocleciano. Sua avó paterna, Santa Macrina, a Velha, foi discípula do célebre bispo de Neocesareia, Gregório Taumaturgo, a quem seu neto Gregório de Nissa, ergueu um monumento em uma pregação. Durante a perseguição Macrina tivera que fugir com o marido para as montanhas por sete anos. O pai dela, São Basílio, o Velho, como rico proprietário de terras, pertencia à nobreza senatorial, e sua mãe Santa Emélia provinha também de uma família capadócia rica; seu irmão era bispo. Além de Basílio e de Gregório, mais três irmãos, de um total de dez, dedicaram-se à vida eclesiástica ou ascética: sua irmã mais velha Santa Macrina, a Jovem, que exerceu permanente influência sobre o currículo dos irmãos, Naucrácio, que morreu ainda jovem, e São Pedro, bispo de Sebaste.

A família de Gregório de Nazianzo, por parte de mãe, também havia abraçado a fé cristã desde pelo menos três gerações. Possuía bens na vizinhança Arianzo, e o pai de Gregório, São Gregório, o Velho, foi seu antecessor como bispo de Nazianzo. Sua mãe Nona, assim como dois de seus três irmãos, Gorgônia e Cesário, também são venerados como santos na Igreja. Seu primo Santo Anfilóquio foi bispo de Icônio, sendo por muitos considerado como o “quarto grande Capadócio”.

Os Padres Capadócios deixaram todos suas carreiras seculares, não com a intenção de trocá-las por uma carreira eclesiástica, mas sim para seguir radicalmente a Cristo. Mas todos os três receberam o chamado para o episcopado, porque sua origem e formação conferia-lhes aptidão para cargos de direção, não só políticos como também eclesiásticos – ainda mais quando se leva em conta que a partir da segunda metade do século IV os bispos também assumiam cada vez mais tarefas administrativas. Dos três, cada um adquiriu uma importância própria e característica: Basílio como eminente político eclesiástico, Gregório de Nazianzo como orador e teólogo, e Gregório de Nissa mais como pensador e filósofo. Os dois primeiros, ao lado de Atanásio e João Crisóstomo, são desde o breviário de Pio V de 1568 considerados como os “quatro grandes doutores da Igreja do Oriente”, e pela Igreja Oriental, juntamente com João Crisóstomo, considerados os “três hierarcas”.

Referências:
BOEHNER, Philotheus; GILSON, Etienne. História da filosofia cristã: desde as origens até Nicolau de Cusa. 13. ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 2017, 592 p.
DROBNER, Hubertus R. Manual de patrologia. Petrópolis-RJ: Vozes, 2008, 653 p.

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