Os limites do conhecimento humano em Immanuel Kant

A capacidade de conhecer distingue o homem de outros animais, e isso provem de sua racionalidade. E, a fim de responder questões pertinentes ao conhecimento, Immanuel Kant escreveu uma de suas maiores e mais importantes obras, chamada de Crítica a Razão Pura. Nessa obra, ele apresenta a razão humana e até aonde a mesma pode chegar, ou seja, suas limitações. Afinal, os questionamentos ininterruptos caminham para uma conclusão convincente? Para entender isso, Kant descreve a construção da razão humana, bem como suas possíveis “ilusões”, a fim de ressaltar o quanto pode ser distorcida a realidade. Kant trouxe a público essa obra por volta do ano de 1781, na Prússia, no idioma alemão, apresentando a razão humana e seus limites pensantes.

Seus pensamentos se distinguem em três períodos distintos: Período inicial, no qual Kant sofre influência da filosofia de Leibniz, tendo como principal obra Historia Geral da Natureza e Teoria do Céu; o segundo período, no qual Kant começa a deixar de se influenciar pelas correntes filosóficas, e “despertando do sono dogmático”, ele adotou uma filosofia crítica sobre a relação do conhecimento com a realidade, tendo como principal obra Sonhos de um visionário; o terceiro período, no qual o Kant faz sua própria filosofia crítica, publicando uma espécie de dissertação chamada Sobre a forma e Os princípios do mundo  sensível e inteligente. Nesse terceiro período, Kant publica uma obra intitulada de Crítica à Razão Pura, sendo considerada um acerto de contas com o dogma filosófico e um recuo da razão dentro dela mesma. Kant afirma que a razão se desviou devido a uma filosofia vã, fazendo com que ela se tornasse reflexiva, reconhecendo suas próprias fraquezas. É um caminho seguro reconhecer as fraquezas de um estudo, e bom seria se a razão também o tivesse feito.

É correto dizer que o nosso conhecimento começa a partir de uma experiência, e esse conhecimento se une, de forma um tanto misteriosa, com aquilo que a nossa razão pode fornecer, porém, considera-se puro aquele conhecimento a priori – conhecimento que independe de toda a experiência – aos quais não se mescla com nada que é empírico. Da mesma forma, é invalido afirmar que o conhecimento indutivo – conhecimento que ocorre a partir de causas particulares, resultando no geral/universal – não aceita nenhuma exceção possível em suas partes particulares e seja derivado da experiência. Todas essas informações citadas nos apontam para as limitações do conhecimento empírico, e mais do que isso, mostra a necessidade de um recuo dentro do campo da razão “pura”. Kant ainda mostra que alguns conhecimentos abandonam o campo da experiência, sendo estendidos ao campo dos nossos juízos, isolando-se de investigações, e para a solução deste, existe a Metafisica, que de início é dogmática, não tendo uma base racional pura, dando início a sua execução confiadamente.

A grande questão deste livro é a crítica à razão pura, que se dá por uma pergunta: Como são possíveis juízos sintéticos a priori? Entende-se esse juízo quando o predicado – aquilo que declara algo sobre o sujeito – não é extraído do sujeito, mas, que a partir da experiência, se torna algo novo, ou seja, a ideia de predicado já existe a priori, e através do conhecimento, isso se “desvela”, tornando-se assim algo “novo”. A resposta para essa questão seria implicar o uso da razão pura para entender como as outras ciências, como matemática e ciência pura da natureza, contêm um conhecimento teórico a priori dos objetos, e isso se prova por suas realidades. A grande questão é que a metafísica não consegue concretizar sua peregrinação ao seu fim essencial, dando assim possibilidades para se duvidar de sua possibilidade, mas, apesar disso, a razão humana sempre encontrará limitações sobre aquilo que o transcende, por isso, todo humano terá dentro de si uma ideia metafísica. Mas, como pode ser que na razão humana possa surgir perguntas que a mesma não pode responder?

As tentativas para estudar a metafísica com dogmas, foram fracassadas, porém, os conceitos que existem na nossa razão pura a priori não chegam ser uma metafísica, mas conduzem a ela. A razão pura, de fato, é quem fornece os princípios do conhecimento a priori, e uma ciência poderia ser considerada uma crítica a razão pura, e não uma doutrina, pois a sua utilidade seria para a especulação e não a ampliação desse conhecimento. A ocupação da razão consiste em grande e talvez na maior parte, em desmembramentos dos conceitos que já temos a respeito dos objetos. Talvez, a metafísica pecou em tentar entender o início daquilo que se acontece, saindo do particular para o universal. As capacidades da razão humana são evidentes, porém, mais evidente ainda, são os danos causados, caso a utilização da razão não seja feita de forma pura e fiel.

Autor: Gustavo Alberto Pavan, estudante do 2º ano do Curso de Bacharelado em Filosofia.

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