A Comunicação e a Filosofia

Muitas vezes nos deparamos com pessoas que nos interpelam dizendo: Essas redes sociais aí não servem para nada! Realmente, para fins acadêmicos e culturais, não conseguimos extrair muita coisa das nossas redes sociais, porém atualmente elas são as grandes responsáveis pelas novas “massas de manobra” e pelo descobrimento de novas informações. Cada dia que passa, mais e mais notícias aparecem sobre as chamadas Fake News que bombardeiam nossas telas de smartphones.

A comunicação nesse terceiro milênio possui um papel ainda mais importante e difícil em nossa sociedade. Diferente daqueles meios de comunicação do século passado, mais precisamente nos anos da ditadura militar, onde observávamos uma forte influência da TV, do rádio, do jornal e do teatro sobre diversas notícias que eram, na sua maioria, vistoriadas e repugnadas pelo governo, hoje não temos mais essa vistoria, o que favorece ambos os lados, o lado da esquerda e da direita, o lado das feministas e dos machistas, o lado do “Brasil” e da “Argentina”.

Por causa dessa forte influência, não tem como não relacionar a comunicação nos estudos filosóficos, já que podemos perceber, como nas “Fake News”, que o homem passa a ser visto, cada vez mais como um ser social e de relacionamentos. O problema é que esse “ser social” não é mais um, mas dois, não é mais “verdadeiro”, mas “fake”, não é mais “companheiro”, mas “hater”. Isso nós conseguimos observar nos fatos levantados pelo Facebook, por exemplo, onde existem mais de 60 milhões de perfis de gente que não existe. Muitas pessoas são pagas só para criarem esses perfis falsos e alimentarem informações ou opiniões sobre determinados assuntos.

A BBC Brasil, em uma reportagem, apresentou dados de que já nas eleições de 2014, mais de 100 supostos perfis fakes teriam influenciado e beneficiado 13 partidos políticos. Imaginemos agora a estimativa para esse ano que quase todo brasileiro tem um celular com acesso a internet. A filosofia política também percebe com isso um enorme problema. Poderíamos chamar esse momento de um “Novo Príncipe” de Maquiavel, já que para ele as morais não serviam para os reis, pois o importante era o bem do Estado. Assim também podemos observar nas notícias e nas informações presentes nas redes sociais, já que não importa mais se a notícia é verdadeira ou falsa, o importante é favorecer o político ou a entidade por detrás da notícia.

Por causa de tudo isso, precisamos abrir ainda mais nossos olhos e ouvidos para analisarmos com maior cuidado e de modo muito mais filosófico todas as informações que chegam por mensagem ou que aparecem em nossos “Feeds de Notícias” da nossa vida.

Autor: Pedro Henrique Mocelin, estudante do 3º ano do Curso de Filosofia.

3 thoughts on “A Comunicação e a Filosofia

  1. Frank Miler says:

    Acredito que não só haja perfis falsos mas também muitos perfis, páginas e influenciadores de certa fama recebem ou recebiam dinheiro de partidos para divulgar fake news.

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