O Paradoxo de Friedrich Nietzsche em “O Estado Grego”

Ao relacionarmos o tema política com o pensador Friedrich Nietzsche (1844-1900), pode nos vir a mente o prefácio: O Estado Grego que faz parte de uma coleção de cinco prefácios publicados postumamente e que foram chamados de: Cinco prefácios para cinco livros não escritos.

Nietzsche, logo de início, apresenta a vantagem que os modernos têm em relação aos gregos sobre dois conceitos que são dados como consolo a um mundo fadado à escravidão: a dignidade do homem e a dignidade do trabalho. Se nos tempos modernos, a jornada de trabalho chegava a 18 horas diárias e o trabalho era tido, ou estava se tornando, como algo cheio de dignidade, que implica em um impulso de existir a qualquer preço, o mundo moderno, ao ser confrontado com o mundo grego, era considerado apenas como um mero criador de aberrações e centauros, pois para os gregos o trabalho era considerado um ultraje. Para Nietzsche, os gregos o consideravam assim porque a existência não tem valor em si mesma. Por isso que, para ele, a dignidade do homem e a dignidade do trabalho são produtos da escravidão que se esconde de si mesma. Destas dignidades, Nietzsche afirma que outras mentiras são derivadas, como por exemplo, a questão de igualdade e de direito humanitário, mas que o sujeito-escravo não possui a mínima condição de refletir sobre isso.

Os gregos tinham, portanto, que conviver com um paradoxo: o artista necessita trabalhar para fazer uma escultura para que possa ser admirada a sua beleza, porém o esforço vem imbuído de um sentimento de vergonha por tê-lo tido. Que o trabalho era equiparado à escravidão para os gregos e, ainda assim, era algo inevitável, isso nós já sabemos, porém, Nietzsche também assevera que a escravidão faz parte da essência de uma cultura e que isto resulta em um valor absoluto da existência. Neste sentido, se uma cultura promove uma cruel escravidão, então, para Nietzsche, uma poderosa religião também a promove, pois, para ele, a natureza do poder é sempre má – daí a criação do Estado que é a objetivação do instinto e, assim como o trabalho, é inevitável. Por isso, Nietzsche conclui afirmando que o homem só pode justificar sua existência como a de um ser totalmente determinado, servindo a finalidades inconscientes, pois o homem em si não possui dignidade, nem direito e nem deveres.

Autor: Ir. Marco Antônio Pensak, OSBM, estudante do 3º ano do Curso de Filosofia.

2 thoughts on “O Paradoxo de Friedrich Nietzsche em “O Estado Grego”

  1. Lucas says:

    A essência do homem esta naquilo que ele produz e constrói através só deu trabalho. É para isso que vivemos e sonhamos, é para isso que enfrentamos desafios e os vencemos. É a unica forma de crescer.

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