A Filosofia como base para a Fé

Ao nos depararmos com temas como Razão e Fé, tendemos sempre a falar segundo algum filosofo ou teólogo, mas nunca paramos para analisar a nossa própria concepção de Razão e Fé. Dificilmente paramos e olhamos em nosso interior e colocamos temas como esses na balança para calcular como influenciam as nossas ações.

Logo após nos depararmos com a filosofia, começamos a tender para um novo olhar: crítico e reflexivo. Olhar este que deixa de ser fechado a um mundo pequeno e limitado ao qual tendíamos a vislumbrar pensando ser a totalidade, mas que na verdade não passava de uma imaginação a qual tendemos a afirmar ser a verdade única e indubitável. Com a Filosofia, temos um choque primeiro de verdades e depois de mudança de pensamento. É algo bom, pois deixamos aquela visão restrita e passamos a adotar uma verdade aberta. Não mais olhamos do pé da montanha, mas começamos uma escalada da montanha sempre com a expansão desta visão, dando a possibilidade de conhecer verdades diferentes e de colocá-las em uma balança para, assim, chegarmos a uma verdade nossa e não apenas nos deixando influenciar por verdades impostas e que diziam ser inquestionáveis, mas que, na verdade, possuem brechas e possibilitam nossa análise, fazendo com que busquemos uma maior garantia e segurança argumentativa que sustente essa verdade.

Com isso, esta visão nova que temos do todo, não tende a diminuir nossa fé, ou fazer com que deixemos de buscá-la, mas com essa mudança e expansão de visão e conhecimento, conseguimos nos deslumbrar de forma diferente este ilimitado e indeterminado. Como o homem que deita na grama em uma noite de céu limpo, admira as estrelas e fica encantado com a imensidão deste universo ao qual ele não tem acesso, mas busca encontrar sempre respostas que o dão segurança.

Depois de iniciar a Filosofia, mudamos totalmente a forma de ver o mais simples ato, que antes nem nos preocupava ou não dávamos importância, mas que agora vemos que nos influencia e muda nossas ações. Com esta nova visão, tendemos sempre a pensar que diminua nossa fé, mas não é assim, pois a Filosofia nos mostra a base e dá os pilares que sustentam todo o conhecimento que se tem no mundo. Com isso, colocamos nossa fé junto a estes pilares, que para nós só aumentam esta sustentabilidade da fé. Claro que de uma forma reformulada, em certos pontos colocando em crise e fazendo com que saiamos desta zona de conforto, para que possamos buscar as próprias respostas e, assim, construir uma fé firme e de sustentabilidade.

Neste ponto, vemos que a nossa fé, mesmo colocada em crise, vemos o que estamos fazendo de errado ou como muitas vezes somos hipócritas com nossas verdades. A melhor forma é olhar às crises provocadas pela Filosofia, primeiro como perigo, algo que nos tira da zona de conforte e causa um espanto, depois como oportunidade de mudança, de recomeço, de crescimento interior como ser e exterior como ser atuante no mundo que nos circunda.

A Filosofia é o ponto que nos liga entre a razão – nosso conhecimento, e a fé – aquilo que transcende que está além. Quando vemos as mudanças que a Filosofia causa em nós, deparamo-nos colocando-a como intermediária, como uma peneira que processa os grãos deixando passar aquilo que não presta, descartando, e deixando os grãos limpos e mais visíveis. Assim são nossas verdades, devemos peneirá-las, deixando as que tem mais sustentabilidade passar. É como que em nós desenvolvêssemos filtros, não de doxa, ou de meras críticas preconceituosas, mas filtros críticos construtivos, que filtram tudo que passa pela nossa percepção até chegar a nossa razão.

Quando pensamos em fé, não vemos que a Filosofia a tenha diminuído. Na verdade, ela incrementou dando sustentabilidade, coisa que antes era apenas morno, coisa que participa, mas sem atividade, sem nem mesmo se perguntar ou por em dúvida esta fé. Com a filosofia e com uma crise posta pela mesma, somos obrigados a sair da zona de conforto e rever o que estamos fazendo, o que acreditamos de fato, e se mesmo acreditamos. Só assim podemos ver como nossa fé, às vezes, é fraca e sem uma base solida.

Percebemos, então, como podemos ler em algum livro de introdução à filosofia: “a filosofia serve para que você deixe de pensar segundo o que os outros dizem, acreditando em verdades que outro lhe fala sem nem se perguntar de onde vem, ou qual a garantia dessa verdade, e passe a buscar por contra própria suas próprias respostas”. Isto pode ser muito bem posto diante da nossa fé, pois deixamos de lado as verdades que no passar da nossa vida falam, e nos colocamos a pensar por nós mesmos a partir destas verdades questionando, pondo em dúvida. Para que assim como os chineses enxergam a palavra crise como oportunidade, colocamos a nossa fé em crise pelos questionamentos dando uma nova oportunidade de mudança – começo de algo melhor.

Podemos bem afirmar as mudanças que a Filosofia faz em nossa fé, totalmente reformulada, mesmo que com pouco tempo de contato, a Filosofia é algo que vem e faz parte da nossa vida e nos mostra que fé, em primeiro ponto, é estar consciente, tomar consciência do presente momento, de nós mesmos e do que esta além de nós como um todo.

A Filosofia é a convicção de estar seguindo no verdadeiro caminho para atingir a nossa própria sabedoria, mas não pode ser uma filosofia cega, pois se esta se torna cega, passa a ser inconsciente e não nos dá parâmetros certos às nossas verdades. Por isso, primeiro devemos ter convicção daquilo que acreditamos para que, assim, possamos conscientemente sermos donos de nossos destinos. Ter a opção de escolha entre o certo e errado, ou bem e mal, mas acima de tudo, sem diretamente nos ligarmos a pré-conceitos religiosos e filosóficos que, por muitas vezes, delimitam verdades, tirando nossa profundidade e deixando brechas. Contudo, Filosofia e Fé por vezes são temas que se chocam e se confundem, mas que no fim se complementam. Ambas são base para um mesmo fim ou uma mesma verdade.

Autor: Mateus Kozechen, estudante do 2º ano do Curso de Filosofia.

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