O Fenômeno Religioso

Um dos assuntos em alta e um dos mais discutidos atualmente é a religião, acerca de tal tema vamos discorrer com base em seu conceito, buscando não adentrar questões como crença, fé e outras referentes a particularidade da palavra. Desde os primórdios da humanidade o ser humano buscava explicação para certos fenômenos naturais que aconteciam e que não se conseguia interpretar por conta de um pensamento limitado para a época, vale ressaltar que adiante tais fenômenos irão se tornar experiência com o divino que fará parte de determinada crença de uma ou mais culturas que vão sendo desenvolvidas com a história.

A fenomenologia aplicada a religião pode ser usada como uma ciência permitindo ao investigador uma análise objetiva do conhecimento, lembrando-se sempre que o conceito religioso se aplica a partir de experiências e uma observação de conceitos já pré-determinados em nossa mente, a partir de tal ponto podemos construir uma base de conhecimento solidificada.

Além disso o estudo de tal ciência nos permite ampliar numa visão geral como o homem vai atribuindo significados e desenvolvendo meios para se aprofundar em tal assunto, porém os que se dedicam ao estudo da área religiosa não são todos, assim como os que estão envolvidos na mesma, mais adiante desenvolveremos melhor tal ideia.

A humanidade busca incessantemente algo que lhes confira sentido tanto de sua existência como de seus objetivos no planeta em que estão inseridos, na Grécia Antiga os filósofos (em especial nas correntes pré-socráticas, socráticas e pós-socráticas) elaboravam diversas teorias para se chegar ao conhecimento verdadeiro ou que desse sentido a existência humana, não foram poucas as teorias que buscaram algo que transcendesse o humano e chegasse a um fim último e supremo que regia todas as coisas, além disso, as diversas crenças que surgem inseridas em diversas culturas fazem com que se haja uma pluralidade de fenômenos a serem debatidos, na maioria das vezes podem ser tomados como um conceito universal para em seguida aprofundar-se numa particularidade única mas que não adentre demais outra ciência ou que não corresponda ao método fenomenológico que aqui buscamos exemplificar e fazer abstração de um conhecimento nítido.

O ser humano a partir de sua experiência com o divino busca repetir o processo com o intuito de experimentar novamente o que norteia sua existência, a partir disso desenvolve o rito, porém como não lhe é concedido tempo suficiente para se aprofundar no mistério de sua crença, a partir disso delega tais funções a um grupo específico que podem ser religiosos ou sacerdotes ou mesmo uma espécie de líder que o possa guiar e fazer com que a experiência seja vivenciada diversas vezes com o decorrer de sua existência, assim tais grupos religiosos buscam de uma forma mais intima buscar algo que lhes seja tão aprofundado para poder transmitir ao outro sua experiência, mas não necessariamente uma experiência única e pessoal já que a mesma pode ser realizada num grupo de outros indivíduos com os mesmos princípios.

O fenômeno religioso e o desenvolvimento da cultura estão intimamente ligados, a medida que o homem vai se adaptando a novas tradições sua crença também vai se reestruturando e assim evoluindo e construindo uma maneira única de pensamento baseado em tais fatos que vão sendo construídos por todos aqueles que buscam inserir-se em determinada doutrina. Vale lembrar que a reestruturação da crença não significa transformar sua essência ou modular a um bel-prazer de necessidades, mas sim numa atualização do rito elaborado a partir de suas experiências anteriores fazendo com que desperte o sentido de outros indivíduos que mesmo não pertencendo ao meio específico podem conhece-lo assim começam a constituir uma comunidade.

A multiplicidade de denominações religiosas hoje em dia é extensa, porém antes de participar ou aderir a alguma se deve entender os princípios que regem a mesma e como se deu seu processo evolutivo ao longo da história, agir movido apenas por impulsos pode levar a ignorância e ao retrocesso do pensar.

Autor: Tiago Henrique Milchevski, estudante do 2º ano do Curso de Bacharelado em Filosofia.

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